VĂdeos gravados de forma espontânea por pessoas comuns passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas estratĂ©gias de grandes portais e veĂculos digitais. Registros aparentemente banais (de um incidente no trânsito a uma reação inesperada de um animal domĂ©stico) tĂŞm sido transformados em conteĂşdos de alto engajamento. Mas como esse material chega Ă s redações e passa a integrar o noticiário?
A resposta está na mudança do comportamento da audiĂŞncia nas redes sociais. O consumo rápido de vĂdeos impulsionou o crescimento do chamado “entretenews”, formato que incorpora conteĂşdos virais Ă lĂłgica jornalĂstica. A estratĂ©gia atende Ă disputa pela atenção do pĂşblico, já que vĂdeos curtos e inesperados despertam curiosidade imediata e aumentam o tempo de permanĂŞncia nas plataformas.
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Esse cenário abriu espaço para um novo tipo de relação entre quem cria e quem publica. De um lado, portais ampliam seu alcance ao incorporar conteĂşdos que já circulam nas redes. Do outro, criadores ganham visibilidade em veĂculos de grande audiĂŞncia. A principal dĂşvida, no entanto, Ă© como esse material chega aos portais com informações verificadas e autorização formal.
Plataformas especializadas passaram a atuar nesse processo. É o caso da MyHood, startup que trabalha na identificação de vĂdeos com potencial de viralização e na intermediação do licenciamento desses conteĂşdos para veĂculos de comunicação.
Segundo a empresa, o processo começa com o monitoramento constante das redes sociais. Em seguida, sĂŁo checados dados como autoria, local, data e veracidade do vĂdeo. Somente depois dessa apuração Ă© feito o contato com o criador para a negociação dos direitos de uso. Com o acordo formalizado, o material passa a ser disponibilizado para os portais assinantes.
Para os criadores, a publicação em grandes veĂculos pode representar um salto significativo de alcance. De acordo com dados citados no material, vĂdeos licenciados e publicados nas redes sociais do portal LeoDias atingem, em mĂ©dia, cerca de 1 milhĂŁo de visualizações. Ainda assim, a monetização segue como um dos principais pontos de atenção para quem produz conteĂşdo.
Segundo Felipe Salvatore, cofundador da MyHood, o mercado ainda falha ao reconhecer o valor do conteĂşdo viral. “O vĂdeo viraliza antes de o criador saber que tem valor. Quando vĂŞ, outras páginas já estĂŁo postando sem autorização”, afirma. A proposta, segundo ele, Ă© inverter essa lĂłgica, garantindo que a negociação ocorra antes da ampla circulação do vĂdeo.
Com a popularização dos celulares como ferramentas de registro e a velocidade da circulação de conteĂşdos nas redes, cenas cotidianas passaram a ganhar potencial jornalĂstico em poucas horas. Ao mesmo tempo, o avanço desse modelo lança luz sobre questões como autoria, direitos de uso e remuneração no ambiente digital.

