A discussão de um projeto que amplia os assentos prioritários no transporte coletivo provocou forte repercussão durante sessão na Câmara de Vereadores, após declarações polêmicas feitas pelo vereador Rodrigo Livramento. O parlamentar votou contra a proposta e afirmou que pessoas obesas seriam gordas “porque querem”, além de argumentar que assentos maiores “ocupam mais espaço” dentro dos ônibus.

Declaração ocorreu durante debate sobre projeto que amplia assentos prioritários no transporte coletivo e inclui pessoas com obesidade/Foto: Reprodução
O Projeto de Lei 385/2025 amplia o grupo de passageiros com direito à prioridade no transporte público, incluindo pessoas com obesidade. A matéria foi aprovada em primeira discussão com seis votos favoráveis e um contrário — justamente o de Livramento.
Durante o debate, o vereador afirmou ser contra a reserva de assentos específicos para pessoas obesas, alegando que a medida poderia prejudicar o funcionamento do transporte coletivo, especialmente em horários de pico. Segundo ele, a ampliação dos assentos reduziria a capacidade de passageiros. “Sou contra a garantia de assento para obesos no transporte coletivo. Isso toma espaço de outras pessoas quando o ônibus já está lotado”, declarou.
A fala gerou reação imediata no plenário. O presidente da Câmara, Luís Fernando Almeida, ironizou o posicionamento do colega ao afirmar que ele só votava contra “porque é magrinho”.
Um dos autores do projeto, o vereador Jonathan Reinke, rebateu as declarações e defendeu que a obesidade não pode ser tratada como uma escolha individual. Ele destacou que se trata de uma condição de saúde reconhecida pela legislação federal e que exige atenção e políticas públicas adequadas.
Mesmo diante das críticas, Livramento manteve sua posição. Em entrevista ao ND Mais, afirmou que o debate foi distorcido e que houve tentativa de equiparar a obesidade à condição de idosos e pessoas com deficiência, o que considera inadequado. O vereador também declarou que, embora reconhecida como condição clínica, a obesidade seria, em muitos casos, reversível e relacionada à autonomia individual.
O parlamentar argumentou ainda que já existe legislação federal que trata do atendimento preferencial, o que, em sua avaliação, tornaria desnecessária uma norma municipal. Para ele, a ampliação das categorias prioritárias pode aumentar os custos do sistema e, futuramente, impactar o valor da tarifa.
Assinado pelos vereadores Luís Fernando Almeida, Jonathan Reinke e Fernando Alflen, o projeto segue para as próximas etapas de tramitação no Legislativo municipal.
Com informações Jornal Razão
