“Papel é tentar salvar a vida”, diz médico após morte de siameses

Cirurgia de separação foi realizada em caráter emergencial após agravamento do quadro clínico; os dois bebês não resistiram

Os gêmeos siameses Marcos e Mateus, que nasceram na última terça-feira (6/1), em Goiânia (GO), morreram nessa quinta-feira (8/1) após uma cirurgia de separação realizada em caráter emergencial. O procedimento foi necessário depois do agravamento do estado de saúde de um dos bebês, que não resistiu ainda durante a internação.

A cirurgia, considerada extremamente complexa pela equipe médica, foi realizada na tentativa de salvar a vida do segundo gêmeo, que também acabou falecendo após o procedimento.

O médico pediatra Zacharias Calil, responsável pelo acompanhamento do caso, explicou que cirurgias de separação de gêmeos siameses costumam ser programadas para quando as crianças já têm mais de um ano de vida. No entanto, diante da emergência, a decisão precisou ser antecipada.

“Em situações como essa, tudo se torna ainda mais delicado. Mas o papel da medicina é tentar salvar a vida quando existe alguma chance”, afirmou.]

Divulgação/Hemu

Paradas cardíacas e cirurgia de emergência

Segundo o médico, o primeiro bebê apresentou diversas intercorrências e sofreu cerca de quatro paradas cardíacas entre a madrugada de quarta e quinta-feira. Ao chegar ao hospital pela manhã, a equipe tentou reverter o quadro, mas sem sucesso.

“O outro gêmeo ainda estava acordado naquele momento. Foi então que decidimos realizar a separação de emergência, com a esperança de salvar sua vida”, relatou Calil.

A operação envolveu a separação de órgãos vitais, como fígado, parte do intestino, quadril e perna direita. Parte da pele de um dos bebês foi utilizada para o fechamento cirúrgico do outro. Apesar do sucesso técnico da separação, Mateus apresentou parada cardíaca na UTI e não resistiu, mesmo após diversas tentativas de reanimação.

Caso raro e acompanhamento especializado

Marcos e Mateus nasceram unidos pelo quadril, em um caso raro conhecido como siameses isqueópagos, compartilhando tórax, abdômen e três pernas. Os bebês nasceram com 34 semanas de gestação e, desde o parto, receberam cuidados intensivos, seguindo protocolos específicos para esse tipo de condição.

A mãe, de 22 anos, natural de Canarana (MT), realizou todo o acompanhamento pré-natal no Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento (Hemu), sem intercorrências registradas durante a gestação.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Goiás e o Hemu lamentaram a morte dos gêmeos e manifestaram solidariedade à família.


Fonte: Metrópoles
✍️ Redigido por ContilNet

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