A partir desta segunda-feira (12), o sistema de pedágio eletrônico Free Flow começa a operar oficialmente na BR-364, no trecho rondoniense entre Candeias do Jamari e Pimenta Bueno. A implementação da nova tecnologia pela concessionária Nova 364 marca o fim das barreiras físicas e cancelas, mas traz uma preocupação imediata para a economia do Acre.

Sistema Free Flow será totalmente automático na BR-364, com cobrança nos dois sentidos e sem praças físicas/Foto: Reprodução
Como a rodovia representa o principal corredor de abastecimento para os acreanos, qualquer acréscimo nos custos de transporte rodoviário gera um efeito cascata que atinge diretamente o valor das mercadorias nas prateleiras.
O modelo de cobrança utiliza sete pórticos de leitura automática, com tarifas que variam conforme a distância percorrida. Para veículos leves, o custo total para atravessar os pontos de cobrança deve girar em torno de R$ 144,80, refletindo um reajuste no valor por quilômetro rodado, que subiu de R$ 0,19 para R$ 0,21. Para o setor de transporte de cargas, o impacto é ainda mais severo.
Um caminhão do tipo bitrem, essencial para o transporte de grandes volumes de alimentos e combustíveis, deverá arcar com cerca de R$ 500 por sentido, totalizando um custo adicional de R$ 1.000 em uma viagem de ida e volta.
A Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) tem manifestado forte apreensão com o início da operação. O presidente da entidade, José Adriano, projeta que a elevação nos custos logísticos será repassada integralmente ao consumidor final.
“Venho muito preocupado com essa questão dessa concessão, mas infelizmente vai haver, sim, uma majoração nos nossos preços. Isso aí todo mundo sabe, que esse custo do frete vai ser repassado”, afirmou o representante. Segundo ele, o impacto não será pequeno, prejudicando a competitividade das empresas locais. “Mas o que me preocupa não é que vai aumentar pouco, não. Vai aumentar bastante, porque considera que a gente já fez até essa conta, vai estar em torno de 19 centavos por eixo. A gente fez uma conta que um carro de passeio vai pagar em torno de 130 reais”, explicou.
O cenário é ainda mais complexo para o transporte de insumos básicos. “Se você considerar um transporte de um bitrem, a gente já fez uma conta, vai dar em torno de mil reais para um frete, que a gente sabe que tem muita gente fazendo isso, porque com a ponte do Madeira a gente aumentou esse fluxo. Então imagina que a gente vai ter de prejuízo, quando na verdade essa conta já não fecha hoje, né? Então, por aí”, destacou José Adriano. Ele concluiu detalhando a mudança tarifária: “O valor do pedágio que era de R$ 0,19, de R$ 130,47, a partir do dia 12 de janeiro, quando vai iniciar a cobrança, será de R$ 144,80. Ou seja, um aumento de 10%, passando a ser R$ 0,21 por quilômetro”.
Embora a concessionária destaque benefícios como a redução de filas e a economia de combustível pela manutenção da velocidade, o setor produtivo acreano foca no impacto inflacionário. Com a operação iniciada hoje, o mercado observa agora a velocidade com que esse aumento chegará ao consumidor final em itens como alimentos e materiais de construção, que passam a chegar ao estado com um custo de frete significativamente maior.
