Pesquisadores registraram, de forma inédita, onças-pintadas emitindo sons semelhantes a miados de gatos domésticos em ambiente natural. As gravações ocorreram no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, por meio de armadilhas fotográficas com captação de áudio. Ao todo, foram três registros: duas fêmeas adultas e um filhote.
Tradicionalmente associadas a rugidos graves, como os de leões e tigres, as onças surpreenderam os cientistas com vocalizações agudas e curtas, muito próximas ao miado conhecido dos gatos. O achado reforça que a comunicação dos grandes felinos é mais diversa e complexa do que se imaginava.

Jami Tarris/Getty Images
“Até onde sabemos, esta é a primeira vez que se registra o uso desse tipo de comunicação por onças-pintadas, o que nos deixa extremamente entusiasmados”, afirmou Marina Duarte, da Universidade de Salford.
Como os miados foram registrados
A descoberta foi possível graças a câmeras de monitoramento distribuídas em pontos estratégicos do parque, capazes de registrar imagens e sons. Nas três gravações, os chamados são agudos e rápidos. Em felinos domésticos, o miado costuma servir para comunicação com humanos; nas onças, a principal hipótese é que sirva para a comunicação entre mãe e filhotes.
“Acreditamos que eles emitem esses sons para ajudar a localizar seus filhotes, mas também podem estar usando-os para fins reprodutivos”, explica Marina.
Parceria internacional e importância do achado
O estudo foi conduzido em parceria entre a WWF Brasil, o Projeto Onças-Pintadas do Iguaçu e a Atlantic Technological University, com resultados publicados na revista científica Behaviour.
Miados semelhantes já haviam sido observados em cativeiro, mas nunca na natureza, o que torna o registro especialmente relevante para a conservação e o entendimento do comportamento da espécie.
“Esses resultados destacam a importância do monitoramento de longo prazo e mostram que ainda há muito a aprender sobre como as onças-pintadas interagem em seu ambiente natural”, concluiu Vania Foster, do Projeto Onças-Pintadas do Iguaçu.
Fonte: Revista Behaviour / Metrópoles
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