Pesquisa da Unesp usa nanotecnologia para tratamento contra candidĂ­ase

Por MetrĂłpoles 03/01/2026

Desenvolvida ao longo de cinco anos, uma pesquisa da Faculdade de CiĂȘncias FarmacĂȘuticas (FCF) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) pode revolucionar o tratamento para candidĂ­ase vulvovaginal. O objetivo foi desenvolver uma solução capaz de contornar a resistĂȘncia fĂșngica observada nos tratamentos convencionais da infecção.

Desenvolvida em dupla titulação, em conjunto com a Universidade de Groningen, na Holanda, o estudo foi a tese de doutorado de Gabriela Carvalho. A cientista conquistou o PrĂȘmio Unesp de Teses 2025.

Inicialmente, a pesquisadora quis investigar o tema pela possibilidade de unir duas ĂĄreas com as quais ela se identifica: microbiologia e nanotecnologia. “A escolha da doença foi principalmente pela questĂŁo de ser mundialmente prevalente, mas subnotificada no Brasil”, destaca Carvalho. “Quanto mais pesquisas forem feitas, melhor, mais atenção a gente vai conseguir voltar a elas, e com isso uma esperança de maior quantidade de polĂ­ticas pĂșblicas nesse sentido”, completa a idealizadora.

Pesquisa da Unesp usa nanotecnologia para tratamento contra candidĂ­ase - destaque galeria3 imagensNanopartĂ­cula desenvolvida para o tratamento de candidĂ­aseGabriela ao lado dos paraninfos de sua defesa: o colega de doutorado Jiachen Li, e GĂ©sinda, tĂ©cnica da University of Groningen, que a apoiaram ao longo da pesquisa conduzida no exteriorFechar modal.MetrĂłpolesA tese de Gabriela CorrĂȘa Carvalho venceu o PrĂȘmio Unesp de Teses 20251 de 3

A tese de Gabriela CorrĂȘa Carvalho venceu o PrĂȘmio Unesp de Teses 2025

Material cedido ao MetrĂłpolesNanopartĂ­cula desenvolvida para o tratamento de candidĂ­ase2 de 3

NanopartĂ­cula desenvolvida para o tratamento de candidĂ­ase

Material cedido ao MetrópolesGabriela ao lado dos paraninfos de sua defesa: o colega de doutorado Jiachen Li, e Gésinda, técnica da University of Groningen, que a apoiaram ao longo da pesquisa conduzida no exterior3 de 3

Gabriela ao lado dos paraninfos de sua defesa: o colega de doutorado Jiachen Li, e Gésinda, técnica da University of Groningen, que a apoiaram ao longo da pesquisa conduzida no exterior

Material cedido ao MetrĂłpoles

O resultado

Sob orientação do professor Marlus Chorilli, o trabalho criou um sistema inovador de liberação controlada de medicamentos para o tratamento da candidĂ­ase vulvovaginal. O diferencial Ă© a combinação, em uma Ășnica formulação tĂłpica, de um antifĂșngico natural (curcumina) e um anti-inflamatĂłrio (cloridrato de benzidamina).

A iniciativa foi possível devido a um sistema chamado “nano em nano”, que consiste em colocar uma nanopartícula dentro de outra. O resultado chegou a um hidrogel termoresponsivo.

“A termoresponsividade desse hidrogel faz com que, em contato com a mucosa, ele se torne gel. Isso possibilita que ele fique aderido na mucosa, porque tambĂ©m tem propriedade mucoadesiva, ficando ali por mais tempo, nĂŁo escorrendo. EntĂŁo, nĂŁo causa desconforto, e tambĂ©m propicia que ele fique aderido aĂ­ para uma ação por um tempo maior”, explica Gabriela Carvalho.

Para disponibilizar o medicamento a pacientes, as etapas de estudo clĂ­nico ainda devem ser realizadas. “A formulação apresentou uma atividade promissora. A gente conseguiu atestar que ele nĂŁo seria tĂłxico, entĂŁo a gente teve uma aplicação consciente, mesmo em camundongos, mas, atĂ© chegar no humano, mais testes devem ser realizados”, esclarece a cientista.

Segundo Silvana Chedid, ginecologista do Hospital SĂ­rio-LibanĂȘs, a pesquisa da tecnologia nanoscĂłpica pode potencialmente reduzir a quantidade de medicamento necessĂĄria e aumentar a ação local, com menos efeitos colaterais.

“Esse tipo de abordagem pode ser uma alternativa promissora, especialmente para infecçÔes resistentes ou recorrentes, algo ainda pouco resolvido pelos tratamentos tradicionais”, aponta a mĂ©dica.

Sobre a candidĂ­ase

A candidĂ­ase Ă© uma infecção fĂșngica causada pelo crescimento excessivo de fungos do gĂȘnero Candida, especialmente Candida albicans, que normalmente fazem parte da microbiota vaginal sem causar problemas, mas que podem se multiplicar em excesso e causar sintomas desconfortĂĄveis.

De acordo com a ginecologista, as causas e fatores de risco incluem: uso de antibiĂłticos, que alteram a flora vaginal protetora; alteraçÔes hormonais, como na gravidez ou com pĂ­lulas anticoncepcionais; sistema imunolĂłgico enfraquecido ou doenças como diabetes; calor, umidade e roupas apertadas que favorecem proliferação fĂșngica. No entanto, conforme a especialista, Ă s vezes pode ocorrer sem uma causa Ăłbvia.

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A candidĂ­ase nĂŁo Ă© considerada uma doença sexualmente transmissĂ­vel, embora atividade sexual possa estar associada. “Medidas simples podem reduzir o risco de infecção, como evitar roupas Ă­ntimas muito justas ou que retenham umidade; nĂŁo usar produtos perfumados na regiĂŁo Ă­ntima; limpeza adequada da regiĂŁo, de frente para trĂĄs, e trocar absorventes com frequĂȘncia; evitar banhos muito quentes e manter estilo de vida saudĂĄvel para fortalecer o sistema imunolĂłgico; e controlar o açĂșcar no sangue em pessoas com diabetes”, explica Chedid.

O tratamento clĂĄssico envolve o uso de antifĂșngicos, que podem ser tĂłpicos, como cremes, ou orais. “Esses medicamentos sĂŁo eficazes na maioria dos casos, mas o uso inadequado, sem diagnĂłstico mĂ©dico preciso ou por automedicação repetida, pode aumentar a resistĂȘncia dos fungos aos medicamentos”, detalha a mĂ©dica.

A infecção

  • A candidĂ­ase Ă© muito comum, segundo a especialista. Estima-se que atĂ© 75% das mulheres terĂŁo pelo menos um episĂłdio ao longo da vida.
  • ⁠O diagnĂłstico mĂ©dico Ă© fundamental, jĂĄ que sintomas como corrimento branco espesso, coceira intensa, ardĂȘncia ao urinar ou incĂŽmodo durante relaçÔes sexuais podem se parecer com outras infecçÔes.
  • O tratamento deve ser adequado ao agente especĂ­fico.
  • Automedicação pode piorar o problema. O uso repetido de antifĂșngicos sem orientação pode promover resistĂȘncia, o que intensifica episĂłdios futuros.
  • ⁠Em casos de infecção recorrente (trĂȘs ou mais vezes por ano), uma avaliação mais detalhada por um ginecologista Ă© recomendada.

 

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