Desenvolvida ao longo de cinco anos, uma pesquisa da Faculdade de CiĂȘncias FarmacĂȘuticas (FCF) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) pode revolucionar o tratamento para candidĂase vulvovaginal. O objetivo foi desenvolver uma solução capaz de contornar a resistĂȘncia fĂșngica observada nos tratamentos convencionais da infecção.
Desenvolvida em dupla titulação, em conjunto com a Universidade de Groningen, na Holanda, o estudo foi a tese de doutorado de Gabriela Carvalho. A cientista conquistou o PrĂȘmio Unesp de Teses 2025.
Inicialmente, a pesquisadora quis investigar o tema pela possibilidade de unir duas ĂĄreas com as quais ela se identifica: microbiologia e nanotecnologia. âA escolha da doença foi principalmente pela questĂŁo de ser mundialmente prevalente, mas subnotificada no Brasilâ, destaca Carvalho. âQuanto mais pesquisas forem feitas, melhor, mais atenção a gente vai conseguir voltar a elas, e com isso uma esperança de maior quantidade de polĂticas pĂșblicas nesse sentidoâ, completa a idealizadora.
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A tese de Gabriela CorrĂȘa Carvalho venceu o PrĂȘmio Unesp de Teses 2025
Material cedido ao MetrĂłpoles
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NanopartĂcula desenvolvida para o tratamento de candidĂase
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Gabriela ao lado dos paraninfos de sua defesa: o colega de doutorado Jiachen Li, e Gésinda, técnica da University of Groningen, que a apoiaram ao longo da pesquisa conduzida no exterior
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O resultado
Sob orientação do professor Marlus Chorilli, o trabalho criou um sistema inovador de liberação controlada de medicamentos para o tratamento da candidĂase vulvovaginal. O diferencial Ă© a combinação, em uma Ășnica formulação tĂłpica, de um antifĂșngico natural (curcumina) e um anti-inflamatĂłrio (cloridrato de benzidamina).
A iniciativa foi possĂvel devido a um sistema chamado ânano em nanoâ, que consiste em colocar uma nanopartĂcula dentro de outra. O resultado chegou a um hidrogel termoresponsivo.
âA termoresponsividade desse hidrogel faz com que, em contato com a mucosa, ele se torne gel. Isso possibilita que ele fique aderido na mucosa, porque tambĂ©m tem propriedade mucoadesiva, ficando ali por mais tempo, nĂŁo escorrendo. EntĂŁo, nĂŁo causa desconforto, e tambĂ©m propicia que ele fique aderido aĂ para uma ação por um tempo maiorâ, explica Gabriela Carvalho.
Para disponibilizar o medicamento a pacientes, as etapas de estudo clĂnico ainda devem ser realizadas. âA formulação apresentou uma atividade promissora. A gente conseguiu atestar que ele nĂŁo seria tĂłxico, entĂŁo a gente teve uma aplicação consciente, mesmo em camundongos, mas, atĂ© chegar no humano, mais testes devem ser realizadosâ, esclarece a cientista.
Segundo Silvana Chedid, ginecologista do Hospital SĂrio-LibanĂȘs, a pesquisa da tecnologia nanoscĂłpica pode potencialmente reduzir a quantidade de medicamento necessĂĄria e aumentar a ação local, com menos efeitos colaterais.
âEsse tipo de abordagem pode ser uma alternativa promissora, especialmente para infecçÔes resistentes ou recorrentes, algo ainda pouco resolvido pelos tratamentos tradicionaisâ, aponta a mĂ©dica.
Sobre a candidĂase
A candidĂase Ă© uma infecção fĂșngica causada pelo crescimento excessivo de fungos do gĂȘnero Candida, especialmente Candida albicans, que normalmente fazem parte da microbiota vaginal sem causar problemas, mas que podem se multiplicar em excesso e causar sintomas desconfortĂĄveis.
De acordo com a ginecologista, as causas e fatores de risco incluem: uso de antibiĂłticos, que alteram a flora vaginal protetora; alteraçÔes hormonais, como na gravidez ou com pĂlulas anticoncepcionais; sistema imunolĂłgico enfraquecido ou doenças como diabetes; calor, umidade e roupas apertadas que favorecem proliferação fĂșngica. No entanto, conforme a especialista, Ă s vezes pode ocorrer sem uma causa Ăłbvia.
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A candidĂase nĂŁo Ă© considerada uma doença sexualmente transmissĂvel, embora atividade sexual possa estar associada. âMedidas simples podem reduzir o risco de infecção, como evitar roupas Ăntimas muito justas ou que retenham umidade; nĂŁo usar produtos perfumados na regiĂŁo Ăntima; limpeza adequada da regiĂŁo, de frente para trĂĄs, e trocar absorventes com frequĂȘncia; evitar banhos muito quentes e manter estilo de vida saudĂĄvel para fortalecer o sistema imunolĂłgico; e controlar o açĂșcar no sangue em pessoas com diabetesâ, explica Chedid.
O tratamento clĂĄssico envolve o uso de antifĂșngicos, que podem ser tĂłpicos, como cremes, ou orais. âEsses medicamentos sĂŁo eficazes na maioria dos casos, mas o uso inadequado, sem diagnĂłstico mĂ©dico preciso ou por automedicação repetida, pode aumentar a resistĂȘncia dos fungos aos medicamentosâ, detalha a mĂ©dica.
A infecção
- A candidĂase Ă© muito comum, segundo a especialista. Estima-se que atĂ© 75% das mulheres terĂŁo pelo menos um episĂłdio ao longo da vida.
- â O diagnĂłstico mĂ©dico Ă© fundamental, jĂĄ que sintomas como corrimento branco espesso, coceira intensa, ardĂȘncia ao urinar ou incĂŽmodo durante relaçÔes sexuais podem se parecer com outras infecçÔes.
- O tratamento deve ser adequado ao agente especĂfico.
- Automedicação pode piorar o problema. O uso repetido de antifĂșngicos sem orientação pode promover resistĂȘncia, o que intensifica episĂłdios futuros.
- â Em casos de infecção recorrente (trĂȘs ou mais vezes por ano), uma avaliação mais detalhada por um ginecologista Ă© recomendada.
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