A Polícia Civil do Acre segue realizando diligências no centro de Rio Branco, nesta quarta-feira (14), para investigar o armazenamento e a comercialização de medicamentos e materiais médicos supostamente desviados da rede pública de saúde do estado.
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Nas primeiras horas do dia, os agentes descobriram um depósito clandestino localizado na Rua Eduardo Asmar, na região da Gameleira, no Segundo Distrito da capital acreana. O local servia como ponto de armazenamento de grande quantidade de medicamentos e materiais.
Após deixar o endereço, a Polícia Civil realizou buscas e apreensões em um segundo local, na Clínica UPAs, situada na Baixada da Sobral, de propriedade do ex-deputado Raimundinho da Saúde. Os agentes fiscalizaram um anexo da unidade onde estavam armazenados medicamentos. Notas fiscais e outros produtos estão sendo analisados para verificar se há alguma relação com o suposto desvio investigado.
Uma das caixas apreendidas no primeiro endereço continha o nome de Osmir, ex-funcionário da clínica de Raimundinho. Atualmente, ele trabalha em outra unidade de saúde.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Igor Brito, nada de irregular foi encontrado no local fiscalizado.
O ex-deputado esteve presente durante a ação e concedeu entrevista à imprensa.
“A gente está trabalhando há vários anos. A gente tem um depósito. Pode ir lá e ver o que quiser. Todos os nossos materiais e medicamentos têm notas fiscais, todos comprados de representantes legais”, afirmou.
Raimundinho também defendeu a realização das investigações.

Polícia investiga depósito de clínica de ex-deputado após suspeita de desvio de medicamentos/Foto: Reprodução
“É um trabalho excelente do Ministério Público do Acre (MPAC) e da Polícia Civil. Tem que, de fato, investigar tudo o que está acontecendo e saber o que fizeram com essa medicação, que vai fazer falta na saúde pública”, acrescentou.
Sobre a presença de Osmir no bairro, Raimundinho comentou:
“É uma figura conhecida aqui no bairro. Ele mora aqui no bairro e anda por aqui pela rua. Todo mundo o conhece”, pontuou.
Questionado sobre uma possível oferta de medicamentos, o ex-deputado negou.
“Não. Oferecer, não. Ele anda por aqui. Como a gente aqui não trabalha com produtos hospitalares, não vendemos medicamentos. Trabalhamos apenas com consultas e exames. É preciso verificar todas as clínicas de Rio Branco, os hospitais particulares, e apurar onde foram parar esses medicamentos, trazendo à luz para a sociedade tudo o que precisa ser esclarecido. Estamos à disposição da imprensa, da Justiça, do delegado e de quem quiser”, concluiu.
Raimundinho foi intimado a prestar depoimento na delegacia.

