O caso dos passageiros que denunciaram problemas em uma excursĂŁo com destino a Cacoal (RO) ganhou novos contornos na Delegacia de Flagrantes (Defla), em Rio Branco, apĂłs o depoimento de uma professora que afirma ter sido lesada pelo organizador da viagem.
A excursĂŁo era organizada por um homem identificado como JoĂŁo Carlos, conhecido como Kim, que se apresenta como responsĂĄvel por uma empresa chamada Kim Turismo.
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Professora relata cobrança extra, noite em praça pĂșblica e promessa de viagem que nĂŁo se concretizou/Foto: Reprodução
De acordo com os relatos registrados na delegacia, dezenas de pessoas adquiriram pacotes de viagem que incluĂam transporte, hospedagem e cafĂ© da manhĂŁ, com saĂda prevista para a noite de quarta-feira (14). O embarque estava marcado para a Praça da Juventude, no bairro Cidade Nova, mas os ĂŽnibus nunca chegaram, o que gerou confusĂŁo, revolta entre os passageiros e a necessidade de intervenção da PolĂcia Militar.
Ainda segundo as informaçÔes repassadas Ă polĂcia, o grupo permaneceu por horas no local aguardando uma solução. Entre os passageiros estavam crianças de colo, idosos, famĂlias inteiras e pessoas vindas de outros municĂpios e atĂ© de fora do estado. Mesmo diante da ausĂȘncia dos ĂŽnibus, o organizador teria garantido diversas vezes que a situação seria resolvida.
Uma das vĂtimas, que se trata de uma professora que preferiu nĂŁo se identificar, prestou depoimento na Defla e relatou ter adquirido um pacote no valor de R$ 1.200, com a promessa de que poderia viajar acompanhada do filho de 3 anos. âNo pacote estava incluĂdo cafĂ© da manhĂŁ, hospedagem, o translado e a viagemâ, afirmou.
Ela contou que chegou ao local de embarque por volta das 21h30 e que, pouco tempo depois, Kim apareceu solicitando uma cobrança extra. âEle chegou pedindo mais R$ 90 por pessoa, mesmo todo mundo jĂĄ tendo pago o pacote, dizendo que era para ajudar na liberação do ĂŽnibusâ, relatou.

Passageiros ficaram horas aguardando a chegado do Înibus/Foto: Reproduçã
Diante da demora e das informaçÔes desencontradas, alguns passageiros impediram que o organizador deixasse o local sozinho. A professora afirmou que acompanhou o homem, junto com duas colegas, atĂ© a empresa de transporte, localizada no bairro Belo Jardim. âA gente foi atĂ© lĂĄ, jĂĄ era mais ou menos meia-noite, batemos vĂĄrias vezes, mas ninguĂ©m recebeu eleâ, disse.
Segundo o relato, a situação se agravou ao longo da madrugada. âTinha gente de fora, famĂlias inteiras, crianças pequenas, bebĂȘs recĂ©m-nascidos e idosos, todo mundo passando a noite aliâ, contou. Um dos passageiros, morador de Pauini, no Amazonas, teria viajado de voadeira com toda a famĂlia e relatado um prejuĂzo superior a R$ 8 mil.
Mesmo apĂłs a presença da polĂcia, Kim teria garantido que a viagem seria realizada e remarcou a saĂda para a manhĂŁ de quinta-feira (15), Ă s 8h. âO tempo todo ele dizia que ia dar certoâ, afirmou a professora.

A excursão era organizada por um homem identificado como João Carlos, conhecido como Kim/Foto: Reprodução
No horĂĄrio combinado, porĂ©m, os ĂŽnibus novamente nĂŁo apareceram. Ainda na praça, os passageiros entraram em contato com a empresa de transporte. âA esposa do responsĂĄvel disse que nĂŁo conhecia ele e que nĂŁo tinha feito nenhum negĂłcioâ, relatou. TambĂ©m houve contato com o parque turĂstico e com o hotel em Cacoal, que confirmaram a existĂȘncia de reserva, mas informaram que nenhum pagamento havia sido realizado.
A professora classificou a situação como absurda e afirmou que os passageiros foram enganados. âEra para ele ter falado desde o começo que nĂŁo ia dar certo. Pra que fazer a gente de lesado? AlguĂ©m tem que parar o Kim.â, questionou.
A PolĂcia Civil explicou que, como nenhum pagamento foi efetuado no dia em que o suspeito foi encaminhado Ă delegacia, nĂŁo foi possĂvel caracterizar a situação como flagrante. Por esse motivo, JoĂŁo Carlos nĂŁo pĂŽde ser preso nem encaminhado para audiĂȘncia de custĂłdia. O caso foi registrado e encaminhado para a regional responsĂĄvel, que darĂĄ continuidade Ă s investigaçÔes.

