O que era para ser apenas mais um grande show virou uma experiência inesquecível para a professora doutora da Universidade Federal do Acre (Ufac) Marcia Verônica Macedo. Ao lado da filha, a advogada Ana Beatriz Macêdo, e da neta, a estudante Yasmin Castor Hoffmann, ela encontrou, nesta terça-feira (27), ninguém menos que Gilberto Gil.
Ainda em dezembro do ano passado, Márcia foi ao show da turnê “Tempo Rei”, do cantor, e saiu profundamente emocionada. Mal sabia ela que, um mês depois, encontraria o artista em uma sessão de cinema quase vazia, durante a exibição do filme “O Agente Secreto”.
“O show superou todas as expectativas”, resume Marcia. Para ela, foi arrebatador; para ele, como ela mesma descreve, foi “muito zen, tranquilo, discreto”. Gil cantou, contou histórias, relembrou momentos da própria trajetória, falou do Brasil de hoje, da família, dos filhos, das perdas e da vida. “Ele contextualiza tudo. Não é só música, é memória, é país, é sentimento”, conta a professora, visivelmente tocada.
O impacto tem raízes profundas. Gilberto Gil sempre foi uma referência afetiva na família de Marcia. O pai, o juiz Heitor Macêdo, falecido recentemente, aos 85 anos, era fã declarado. A irmã e o cunhado viajaram recentemente para ver a última turnê do baiano. “Mas o show do Gil é diferente. Ele conversa com o público, revive a história, emociona. Foi muito forte”, relata.

Flora Gil, Gilberto Gil, Márcia Verônica, Yasmin Castor e Ana Beatriz Macêdo. Foto: cedida
A surpresa maior veio depois. Marcia, Beatriz e familiares conseguiram ingressos para uma sessão especial de cinema, daquelas mais reservadas, com poltronas reclináveis e poucas pessoas na sala. A sessão começou por volta das 21h30 e terminou já depois da meia-noite. Tudo tranquilo — até Beatriz perceber algo inesperado: “Ela me cutucou e disse: ‘mãe, Gilberto Gil está ali’”, lembra Marcia, entre risos e emoção.
O cantor entrou discretamente, sentou-se ao fundo, quase como um “agente secreto”, nas palavras da professora. Nervosa, passando mal de emoção, Marcia decidiu que não deixaria aquele momento passar.
“Não é todo dia que você encontra seu ídolo. Um ídolo vivo, com mais de 80 anos, em plena atividade, fazendo história”, diz.
Ao final, criou coragem. Foi breve, respeitoso, silencioso, como o próprio Gil. A resposta dele ficou gravada para sempre: “Foi um prazer conhecer a senhora.”
Para Marcia Verônica Macêdo, que é doutora em Letras e Linguística, com trajetória acadêmica marcada pela UFBA, UFMG e Ufac, o encontro foi mais do que um acaso: foi memória, afeto, legado e emoção condensados em um instante. “Foi histórico. Daqueles momentos que a gente guarda para a vida inteira”, resume.
