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Regularização dos Creators em 2026: pontos positivos e negativos!

Por Ascom

A atividade de criadores de conteúdo e influenciadores digitais passou, nos últimos anos, de uma prática informal para um mercado estruturado, com contratos, métricas, parcerias comerciais e impacto econômico relevante. Esse crescimento chamou a atenção de governos, empresas e instituições, reacendendo o debate sobre a necessidade de regulamentação da atividade.

A proposta de regularização levanta discussões importantes sobre reconhecimento profissional, direitos, deveres e possíveis impactos para quem vive da criação de conteúdo — desde grandes influenciadores até criadores independentes e de nicho. O tema, no entanto, divide opiniões e exige uma análise equilibrada, sem simplificações.

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O que especialistas dizem sobre a nova realidade 

Antes mesmo de qualquer iniciativa governamental, o mercado de criação de conteúdo já vinha passando por um processo natural de profissionalização. Influenciadores deixaram de atuar apenas de forma espontânea e passaram a lidar com contratos, relatórios de desempenho, negociações comerciais e apresentação estruturada de métricas para marcas e agências.

Para Flávio Babos, especialista nesse mercado e que está à frente da Flikta (plataforma de influência), esse movimento foi impulsionado muito mais pela dinâmica do mercado do que por qualquer ação regulatória.

“A profissionalização aconteceu porque o criador passou a ser tratado como profissional pelas marcas. Vieram as cobranças por resultado, prazos, métricas e posicionamento, mas nem sempre vieram, na mesma velocidade, estrutura e orientação para lidar com tudo isso”, observa.

Ele também avalia que o reconhecimento formal da atividade pode trazer avanços importantes, especialmente no que diz respeito à segurança jurídica, mas pondera que o caminho exige cautela para não gerar efeitos colaterais.

“O risco não está na ideia de regularizar, mas na forma como isso pode se traduzir na prática. Se o processo resultar em mais burocracia, obrigações complexas e perda de tempo operacional, o criador acaba dedicando menos energia ao que realmente sustenta sua atividade: criar, crescer e entregar valor em campanhas”, afirma.

Segundo ele, muitos criadores já enfrentam uma rotina dividida entre produção criativa e tarefas administrativas, e qualquer camada adicional de complexidade precisa ser pensada de forma proporcional à realidade do setor.

“O desafio é encontrar um equilíbrio. Reconhecer o criador como profissional é positivo, mas isso não pode significar engessar um mercado que se construiu com agilidade, criatividade e adaptação constante”, completa.

Esse cenário reforça que a criação de conteúdo já vinha sendo tratada como trabalho regular por uma parcela significativa dos criadores, com responsabilidades e objetivos financeiros claros. A discussão sobre regulação, nesse contexto, surge mais como uma tentativa de organizar uma realidade existente do que como um ponto de partida.

O que motivou o debate sobre a regularização de influenciadores

O avanço da discussão sobre regularização não ocorre de forma isolada. Ele é impulsionado por fatores como o crescimento do faturamento do setor, o aumento da participação de influenciadores em campanhas públicas e privadas e a ampliação do alcance desses profissionais sobre o público.

Além disso, a ausência de um enquadramento específico sempre gerou insegurança jurídica, tanto para criadores quanto para marcas. Contratos frágeis, informalidade e divergências sobre obrigações legais contribuíram para a percepção de que o setor precisava de regras mais claras.

Ao mesmo tempo, o debate também surge em meio a preocupações com transparência, responsabilidade sobre conteúdos patrocinados e relações comerciais, especialmente em um ambiente digital cada vez mais influente.

Pontos positivos da regularização para criadores de conteúdo

A proposta de regularização apresenta aspectos que são vistos como avanços por parte do mercado e de especialistas.

1. Reconhecimento oficial da atividade como profissão

Um dos principais pontos positivos é o reconhecimento formal da criação de conteúdo como atividade profissional. Esse enquadramento tende a reduzir a informalidade e legitimar a atuação de influenciadores como prestadores de serviço ou profissionais do setor digital.

2. Mais segurança jurídica em contratos com marcas

A formalização também pode trazer maior segurança jurídica nas relações comerciais. Contratos mais claros, com definição de direitos, deveres e responsabilidades, ajudam a evitar conflitos e protegem ambas as partes envolvidas.

3. Valorização do mercado de influência

Ao reconhecer a atividade, o mercado tende a se tornar mais maduro, afastando práticas improvisadas e estimulando relações mais profissionais entre criadores, agências e anunciantes.

Pontos negativos e preocupações levantadas pelo setor

Apesar dos avanços apontados por defensores da regularização, o debate também levanta preocupações relevantes entre criadores, especialistas e representantes do mercado digital. O principal receio é que a formalização, se mal conduzida, gere efeitos colaterais indesejados.

1. Risco de aumento da burocracia para pequenos criadores

Uma das críticas mais recorrentes diz respeito ao impacto da burocracia sobre criadores de pequeno e médio porte. Muitos influenciadores atuam de forma individual, sem estrutura administrativa ou assessoria jurídica, e podem encontrar dificuldades para lidar com novas exigências formais.

Nesse cenário, há o temor de que a regularização acabe beneficiando principalmente criadores maiores, com equipes e suporte profissional, enquanto criadores independentes enfrentem mais obstáculos para se manter ativos no mercado.

2. Insegurança sobre tributação e fiscalização

Outro ponto sensível é a questão tributária. Embora o reconhecimento da atividade não implique, necessariamente, a criação de novos impostos, ele pode intensificar a fiscalização e gerar dúvidas sobre enquadramento fiscal, formas de declaração de renda e obrigações acessórias.

A falta de informações claras e orientações acessíveis aumenta a insegurança, especialmente para quem ainda não formalizou sua atuação ou não conta com acompanhamento contábil.

3. Possível impacto na liberdade criativa

Parte do setor teme que regulações futuras avancem para além do aspecto profissional e passem a interferir no conteúdo produzido. A preocupação é que regras mal definidas possam gerar interpretações subjetivas sobre responsabilidade editorial, limitando a liberdade criativa dos influenciadores.

Esse receio é mais presente entre criadores que abordam temas sensíveis ou opinativos, onde a linha entre responsabilidade e censura pode se tornar tênue.

4. Desigualdade entre grandes e pequenos influenciadores

A regularização tende a impactar criadores de forma desigual. Influenciadores com grande alcance, faturamento elevado e estrutura profissional costumam se adaptar mais facilmente a novas regras. Já criadores em fase inicial ou de nicho podem sentir o peso da formalização de maneira mais intensa.

Esse desequilíbrio levanta o debate sobre a necessidade de critérios proporcionais, que considerem o porte e a realidade de cada criador.

O crescimento acelerado de criadores e o impacto no tempo dedicado à criação

O número de criadores de conteúdo nas redes sociais cresceu de forma exponencial nos últimos anos. Com mais pessoas transformando o Instagram, TikTok e outras plataformas em fonte de renda, a atividade deixou de ser apenas criativa e passou a envolver uma série de tarefas operacionais.

Hoje, além de produzir conteúdo, o criador precisa lidar com:

Com a ampliação do debate sobre regularização, cresce também a preocupação de que o tempo dedicado à burocracia aumente, reduzindo o espaço para aquilo que sustenta a carreira do influenciador: crescer o perfil, criar conteúdo e entregar resultados em campanhas publicitárias.

Menos tempo para criar, mais pressão por resultados

Para muitos criadores, especialmente os independentes, o dia a dia já é marcado pela necessidade de equilibrar produção criativa com tarefas administrativas. A formalização, embora traga segurança jurídica, pode intensificar essa pressão.

O risco apontado por especialistas é que criadores passem a gastar mais tempo:

E menos tempo:

Esse desequilíbrio pode afetar diretamente a capacidade de crescimento do perfil e a qualidade das entregas feitas para marcas.

Ferramentas como apoio para manter o foco no crescimento

Nesse cenário, cresce a importância de ferramentas e plataformas que ajudam o criador a otimizar processos, ganhar tempo e manter o foco na construção do perfil e na criação de conteúdo.

Serviços voltados ao crescimento, análise e organização do perfil passam a funcionar como apoio operacional, permitindo que o criador concentre esforços na parte criativa e estratégica da sua atuação.

No contexto específico do crescimento de audiência, portais especializados como o UOL, Baguete e PortoGente publicaram análises comparativas sobre as melhores ferramentas para ganhar seguidores brasileiros, avaliando critérios como segurança, entrega gradual e impacto na percepção do perfil.

Esse tipo de conteúdo ajuda criadores a entender quais soluções podem ser utilizadas de forma consciente, como complemento à estratégia de crescimento, sem comprometer a credibilidade do perfil.

 

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