Ainda é incerta a pré-candidatura do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, ao Senado. A informação foi dada pelo próprio ex-governador em entrevista concedida ao ContilNet no fim de dezembro.
“Eu, particularmente, estou refletindo se vou ser candidato ou não. […] A política tem que ser para melhorar a vida das pessoas. […] Eu, sinceramente, vou ter muita paciência de esperar”, afirmou.
Jorge interfere em todo o processo
A decisão de Jorge, maior liderança da esquerda no Acre — atual e incontestável —, pode mudar completamente o jogo que vem sendo desenhado para as eleições de 2026. É o que dizem fontes do próprio PT e também de outros partidos do campo progressista.
Há rumores, inclusive, de que, caso Jorge decida não entrar na disputa, quem também deve repensar sua pré-candidatura é o médico Thor Dantas, do PSB, que se colocou à disposição para concorrer ao Governo do Estado.
Thor Dantas
“Não existe Thor sem Jorge nessa disputa.” É isso que se escuta nos bastidores. “Acha mesmo que o Thor vai encarar essa se Jorge abrir mão?”, questionou uma liderança expressiva da esquerda, ali pelas bandas do centro de Rio Branco.
Thor é uma figura com opinião própria, sem dúvida. Trata-se de um político de alto calibre. Não acredito que recue com tanta facilidade, até porque sua pré-candidatura ganhou aprovação e aval inclusive do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que fez elogios públicos ao médico durante agenda no Acre, no fim do ano passado.
Ainda é cedo para cravar qualquer cenário, mas quem está dentro do processo e compartilhou essa leitura tem um raio-x bastante fiel da realidade.
Na pior das hipóteses, o PT tem uma carta na manga
Caso a dobradinha Thor-Jorge não ganhe tração e se desfaça antes mesmo de ser concretizada, o PT — que havia cedido o protagonismo das discussões sobre a indicação de um candidato ao Governo — pode recorrer à sua carta na manga.
O vereador e presidente estadual do PT, André Kamai, que já declarou a mim a intenção de disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026, pode mudar de ideia e lançar seu nome ao Palácio Rio Branco. Esse cenário já é tratado como quase certo dentro do próprio partido.
A possibilidade é coerente. Se ninguém vai ao combate, quem tem mais experiência na corrida tende a assumir a dianteira.
Kamai tem preparo
Em outras ocasiões, Kamai já deixou claro que está pronto para o que vier. Foi assim quando, com poucos recursos, decidiu disputar uma vaga na Câmara apostando no próprio nome, no grupo político e na coragem.
Apesar de estar no primeiro mandato eletivo da vida, Kamai tem preparo. Atuou no núcleo de todas as gestões petistas no Acre, conhece o jogo eleitoral e sabe, inclusive, dos desafios que o partido enfrenta atualmente, sobretudo no quesito rejeição.
O PT precisa meter a cara
Se o PT não meter a cara agora, corre o risco de continuar amargando derrotas e sendo reduzido ao que já foi. É hora de enfrentar o cenário, sem medo do que pode surgir.



