Existe um tipo de série que te faz olhar para o outro com desconfiança até quando ele só pede sal. Dele & Dela, nova minissérie de suspense da Netflix, é esse convite para duvidar da própria sombra ou, pelo menos, da sua teledramaturgia preferida. Com apenas seis episódios, a produção já virou um dos títulos mais assistidos da plataforma, provando que mistério bem temperado nunca sai de moda.
Dele & Dela,/Foto: Reprodução
Baseada no romance His & Hers de Alice Feeney, Dele & Dela chega com o selo de tensão encurtada: episódios de cerca de 45 minutos que convidam à maratona do fim de semana. A trama gira em torno de Anna Andrews (Tessa Thompson), uma jornalista que retorna à sua cidade natal após um assassinato brutal e logo se vê no centro da investigação e na mira do ex‑marido detetive, Jack Harper (Jon Bernthal).
A química entre os protagonistas cria um motor narrativo interessante: dois lados de uma mesma história, versões conflitantes de verdade e uma teia de segredos que se estende por toda a pequena cidade. O enredo alterna pistas e suspeitas, levando o espectador a reconsiderar tudo o que acreditava saber a cada episódio.
Anna Andrews (Tessa Thompson) e Jack Harper (Jon Bernthal)/ Foto: Reprodução
O ritmo é ágil, quase uma febre de streaming e as reviravoltas estão presentes o tempo todo. Isso, para muitos, é a grande fortaleza da série: o desejo constante de “só mais um episódio”. Mas esse modelo também traz dois lados da moeda: enquanto alguns elogiam o suspense bem costurado e a bingeability, outros criticam a construção de personagens por vezes superficial e plot twists que dependem mais de choque do que de lógica profunda.
Dele & Dela não é o ápice do thriller televisivo nem a série que vai reinventar o gênero, mas é exatamente essa natureza “gostosa de devorar” que faz dela um título que vale a pena maratonar. A produção se equilibra entre o sério e o sensacionalista, entregando performances fortes especialmente de Thompson é um jogo de versões que mexe com nossa percepção do que é verdade e do que é narrativa manipulada.
Dele & Dela não é o ápice do thriller televisivo nem a série que vai reinventar o gênero, mas é exatamente essa natureza “gostosa de devorar” /Foto: Reprodução
A ironia? Numa história sobre desconfiança, quem mais desconfiamos no fim podemos ser nós mesmos, afinal, estamos sempre procurando sentido no caos narrativo, como se isso nos tornasse melhores detetives da própria vida.
No fim das contas, Dele & Dela funciona como um espelho do mundo em que vivemos: cheio de versões conflitantes, onde cada personagem assume um papel e desafia nossa confiança. Se você gosta de séries que te deixam pensando ainda depois dos créditos, essa pode ser uma boa aposta para sua próxima maratona.
Fhagner Soares, o cinema sob outro olhar.
