STF torna ré mulher que ofendeu ministro em voo comercial

Por AgĂȘncia Brasil 20/01/2026


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Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denĂșncia e tornou rĂ© uma mulher que hostilizou verbalmente o ministro FlĂĄvio Dino (foto), integrante do prĂłprio colegiado. A votação sobre o caso – que corre sob sigilo – foi realizada em dezembro de 2025. O acĂłrdĂŁo (decisĂŁo colegiada) foi publicado no DiĂĄrio de Justiça na Ășltima sexta-feira (16). ebcebc

Segundo o relato de Dino, a passageira, cuja nome nĂŁo foi revelado, embarcou “aos gritos” em um voo de SĂŁo Luiz para BrasĂ­lia e passou a proferir ofensas ao reconhecer o ministro, que estava em seu assento. Ela teria dito, por exemplo, que “nĂŁo respeita essa espĂ©cie de gente” e que o “aviĂŁo estava contaminado”, segundo nota divulgada pela assessoria dele Ă  Ă©poca. 

RebeliĂŁo

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“Ressalte-se que a passageira tambĂ©m gritava frases como “o Dino estĂĄ aqui”, apontando para o ministro, em clara tentativa de incitar uma espĂ©cie de rebeliĂŁo a bordo. A mulher somente cessou sua conduta apĂłs ser advertida pela aeromoça chefe de cabine”, diz o texto. 

Na ocasiĂŁo, a servidora pĂșblica Maria Shirlei Piontkievicz foi abordada pela PolĂ­cia Federal (PF) ainda antes da decolagem. Ela foi depois indiciada pela corporação e o caso enviado Ă  Procuradoria-Geral da RepĂșblica, que a acusou dos crimes de injĂșria, incitação ao crime e atentado contra a segurança do transporte aĂ©reo. 

“Acusação coerente na exposição dos fatos criminosos, com todas as suas circunstĂąncias, a qualificação da acusada, a classificação do crime e o rol das testemunhas permitindo Ă  acusada a compreensĂŁo da imputação e, consequentemente, o pleno exercĂ­cio do seu direito de defesa, como exigido por esta suprema corte”, diz a decisĂŁo que tornou a passageira rĂ©. 

Impedido por figurar como parte no processo, o prĂłprio Dino nĂŁo votou no caso. Votaram pelo recebimento da denĂșncia os demais integrantes da Primeira Turma: Cristiano Zanin (presidente), Alexandre de Moraes e CĂĄrmen LĂșcia (decana do colegiado). 

O acĂłrdĂŁo publicado pelo Supremo nĂŁo traz o posicionamento da servidora, nem identifica quem a defende no STF. A AgĂȘncia Brasil tenta contato com a defesa e deixa o espaço aberto para manifestação. 

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Inquérito das fake news

O caso tramita sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, uma vez que o Supremo, com aval da PGR, ligou o episódio aos inquéritos das fake news e das milícias digitais, dois processos abertos ainda em 2019 visando apurar ofensas e ataques aos próprios ministros da Corte. 

Os dois inquéritos foram abertos de ofício (sem provocação externa) pelo presidente do Supremo à época, ministro Dias Toffoli, que designou Moraes como relator, sem passar pelo procedimento usual de sorteio da relatoria. 

A entĂŁo procuradora-geral da RepĂșblica, Raquel Dodge, acusou o procedimento como irregular e chegou a pedir o arquivamento das investigaçÔes, alegando ofensa Ă  exclusividade do MinistĂ©rio PĂșblico para abrir processos criminais, entre outros argumentos. 

Parecer

Na ocasiĂŁo, o Supremo rejeitou o arquivamento. A PGR depois mudou de posicionamento com a troca de comando para o procurador-geral Augusto Aras. Em seguida, o procurador Paulo Gonet, atual chefe do MinistĂ©rio PĂșblico, manteve o parecer pela regularidade dos inquĂ©ritos.

Desde que foram abertos, os chamados inquéritos das fake news e das milícias digitais acumulam sucessivas prorrogaçÔes e diversas linhas de investigação, tendo dezenas de pessoas como alvo. 

Juristas e advogados criticam a duração indefinida dos inquéritos, além da falta de objeto claro das investigaçÔes, bem como o fato de ministros aparentemente figurarem ao mesmo tempo como vítimas e julgadores nos processos. 

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