Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denĂșncia e tornou rĂ© uma mulher que hostilizou verbalmente o ministro FlĂĄvio Dino (foto), integrante do prĂłprio colegiado. A votação sobre o caso – que corre sob sigilo – foi realizada em dezembro de 2025. O acĂłrdĂŁo (decisĂŁo colegiada) foi publicado no DiĂĄrio de Justiça na Ășltima sexta-feira (16). 

Segundo o relato de Dino, a passageira, cuja nome nĂŁo foi revelado, embarcou âaos gritosâ em um voo de SĂŁo Luiz para BrasĂlia e passou a proferir ofensas ao reconhecer o ministro, que estava em seu assento. Ela teria dito, por exemplo, que ânĂŁo respeita essa espĂ©cie de genteâ e que o âaviĂŁo estava contaminadoâ, segundo nota divulgada pela assessoria dele Ă Ă©poca.Â
RebeliĂŁo
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âRessalte-se que a passageira tambĂ©m gritava frases como âo Dino estĂĄ aquiâ, apontando para o ministro, em clara tentativa de incitar uma espĂ©cie de rebeliĂŁo a bordo. A mulher somente cessou sua conduta apĂłs ser advertida pela aeromoça chefe de cabineâ, diz o texto.Â
Na ocasiĂŁo, a servidora pĂșblica Maria Shirlei Piontkievicz foi abordada pela PolĂcia Federal (PF) ainda antes da decolagem. Ela foi depois indiciada pela corporação e o caso enviado Ă Procuradoria-Geral da RepĂșblica, que a acusou dos crimes de injĂșria, incitação ao crime e atentado contra a segurança do transporte aĂ©reo.Â
âAcusação coerente na exposição dos fatos criminosos, com todas as suas circunstĂąncias, a qualificação da acusada, a classificação do crime e o rol das testemunhas permitindo Ă acusada a compreensĂŁo da imputação e, consequentemente, o pleno exercĂcio do seu direito de defesa, como exigido por esta suprema corteâ, diz a decisĂŁo que tornou a passageira rĂ©.Â
Impedido por figurar como parte no processo, o prĂłprio Dino nĂŁo votou no caso. Votaram pelo recebimento da denĂșncia os demais integrantes da Primeira Turma:Â Cristiano Zanin (presidente), Alexandre de Moraes e CĂĄrmen LĂșcia (decana do colegiado).Â
O acĂłrdĂŁo publicado pelo Supremo nĂŁo traz o posicionamento da servidora, nem identifica quem a defende no STF. A AgĂȘncia Brasil tenta contato com a defesa e deixa o espaço aberto para manifestação.Â
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Inquérito das fake news
O caso tramita sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, uma vez que o Supremo, com aval da PGR, ligou o episĂłdio aos inquĂ©ritos das fake news e das milĂcias digitais, dois processos abertos ainda em 2019 visando apurar ofensas e ataques aos prĂłprios ministros da Corte.Â
Os dois inquĂ©ritos foram abertos de ofĂcio (sem provocação externa) pelo presidente do Supremo Ă Ă©poca, ministro Dias Toffoli, que designou Moraes como relator, sem passar pelo procedimento usual de sorteio da relatoria.Â
A entĂŁo procuradora-geral da RepĂșblica, Raquel Dodge, acusou o procedimento como irregular e chegou a pedir o arquivamento das investigaçÔes, alegando ofensa Ă exclusividade do MinistĂ©rio PĂșblico para abrir processos criminais, entre outros argumentos.Â
Parecer
Na ocasiĂŁo, o Supremo rejeitou o arquivamento. A PGR depois mudou de posicionamento com a troca de comando para o procurador-geral Augusto Aras. Em seguida, o procurador Paulo Gonet, atual chefe do MinistĂ©rio PĂșblico, manteve o parecer pela regularidade dos inquĂ©ritos.
Desde que foram abertos, os chamados inquĂ©ritos das fake news e das milĂcias digitais acumulam sucessivas prorrogaçÔes e diversas linhas de investigação, tendo dezenas de pessoas como alvo.Â
Juristas e advogados criticam a duração indefinida dos inquĂ©ritos, alĂ©m da falta de objeto claro das investigaçÔes, bem como o fato de ministros aparentemente figurarem ao mesmo tempo como vĂtimas e julgadores nos processos.Â

