“Quando acordo, penso que realizei um sonho.” A frase resume a trajetória do professor Edimar dos Santos Passamani, um dos aprovados no maior concurso da história da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), que ofertou 3 mil vagas. Licenciado em Física, ele já tomou posse como professor efetivo e foi lotado no Instituto de Educação Lourenço Filho (IELF), em Rio Branco.
Nascido e criado na zona rural de Plácido de Castro, Edimar iniciou os estudos na Escola Santa Rita de Cássia, localizada no km 65 da rodovia AC-040, em um ramal onde a realidade era marcada pela ausência de energia elétrica e pela falta constante de professores. Após concluir a 3ª série do ensino fundamental, foi o único aluno a seguir adiante nos estudos.
Nascido e criado na zona rural de Plácido de Castro, Edimar iniciou os estudos na Escola Santa Rita de Cássia, localizada no km 65 da rodovia AC-040/ Foto: Douglas Bocardi/SEE
“Fiquei dois anos sem estudar porque não havia professor. Era muito difícil, até para ter aula”, recorda. Nesse período, ajudava o pai na roça, realidade comum a muitas famílias do campo.
O retorno aos estudos veio por meio de um programa de aprendizagem rural, hoje conhecido como Caminho da Educação do Campo, experiência que ele descreve como decisiva. “Foi algo totalmente diferente do que a gente conhecia. A metodologia era inovadora e nos motivava a continuar”, lembra.
Já adulto, Edimar tentou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela primeira vez sem sucesso. Persistiu, refez a prova em 2012 e, no ano seguinte, conquistou vaga no curso de Licenciatura em Física na Universidade Federal do Acre (Ufac). Durante a graduação, voltou a fazer o Enem, desta vez para Direito, e alcançou 940 pontos na redação, resultado que simboliza sua evolução acadêmica.
A carreira em sala de aula começou em 2017. Antes de se dedicar à física, chegou a lecionar matemática, mesmo sem se sentir totalmente preparado. “Me sentia um peixe fora d’água, mas fui estudando, me dedicando e me superando aos poucos”, conta.
Foram anos como professor temporário, enfrentando reprovações em concursos e incertezas profissionais, até a aprovação definitiva. “Depois de sete anos como professor provisório, agora em 2026, tomei posse como efetivo. É uma conquista enorme”, celebra.
Para Edimar, lecionar vai além do conteúdo curricular.
“Não é só ensinar o que está no livro, mas transformar vidas e influenciar estudantes a buscarem um futuro melhor”, afirma.
Ao olhar para trás, ele resume a própria história como uma longa caminhada. “Foram 14 anos desde a conclusão do ensino médio até a efetivação no serviço público. Saí da zona rural com poucas mudas de roupa e muitos sonhos. Foi difícil, mas valeu a pena”, conclui.
