“TragĂ©dia anunciada”, diz mĂŁe de vĂ­timas sobre barragem de Brumadinho

Por AgĂȘncia Brasil 26/01/2026


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Sentadas no chão da Avenida Paulista, em São Paulo, crianças vão amassando a argila e fazendo pequenos vasinhos para acomodar as sementes ou as plantinhas que receberam e que futuramente vão germinar e dar frutos. O manuseio desse barro é um ato simbólico para relembrar os sete anos de uma das maiores tragédias do país, quando 272 pessoas morreram após o rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho."Tragédia anunciada", diz mãe de vítimas sobre barragem de Brumadinho"Tragédia anunciada", diz mãe de vítimas sobre barragem de Brumadinho


SĂŁo Paulo (SP), 25/01/2026 - Ato na Avenida Paulista cobra justiça em dia que marca sete anos do rompimento da barragem em Brumadinho  Foto: Paulo Pinto/AgĂȘncia Brasil

Ato simbĂłlico marca os sete anos do rompimento da barragem de Brumadinho- Paulo Pinto/AgĂȘncia Brasil

O ato foi promovido pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, entidade que foi criada em homenagem aos dois filhos de Helena Taliberti, mortos em consequĂȘncia do rompimento da barragem. Ambos estavam hospedados na Pousada Nova EstĂąncia, engolida pelos rejeitos.

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Além dos filhos, Helena perdeu ainda a nora, Fernanda Damian, que estava gråvida de cinco meses do primeiro filho. Nessa mesma viagem morreram ainda o ex-marido, pai de Camila e de Luiz, que estava acompanhado de sua então esposa.


SĂŁo Paulo (SP), 25/01/2026 - Helena Taliberti que perdeu familiares na tragĂ©dia de Brumadinho  Foto: Paulo Pinto/AgĂȘncia Brasil

Helena Taliberti pede justiça para que tragĂ©dias como a de Brumadinho nĂŁo aconteçam mais – Paulo Pinto/AgĂȘncia Brasil

“As crianças sĂŁo o nosso futuro”, disse Helena, com os olhos em lĂĄgrimas, em entrevista Ă  AgĂȘncia Brasil neste domingo (25). “Estou um pouco emocionada porque nĂŁo vou ter netos mais. Mas eu acho que ainda tenho obrigação de zelar pelo futuro dessas geraçÔes para que elas entendam o que Ă© o meio ambiente. O meio ambiente nĂŁo Ă© lĂĄ na AmazĂŽnia, o meio ambiente nĂŁo Ă© lĂĄ no Pantanal”, lamentou.

A ativista ressalta a necessidade de se cuidar de todos os biomas e que a capital São Paulo estå incrustada na Mata Atlùntica, mas só tem 12% do bioma original.

“A gente precisa sim criar, dentro das nossas cidades, nichos importantes de respiro do planeta. SĂŁo Paulo precisa ter respiros e um trabalho muito importante com as prĂłximas geraçÔes para que nĂŁo seja uma cidade inviĂĄvel do ponto de vista de moradia”, reforçou.

Além da oficina de argila com as crianças, uma sirene foi tocada na Avenida Paulista, às 12h28, para marcar o horårio em que a tragédia de Brumadinho teve início e relembrar que, em 25 de janeiro, hå sete anos, a sirene de alerta não tocou para avisar as pessoas sobre o rompimento da barragem.

“Pelas investigaçÔes que ocorreram, a gente soube que a empresa sabia que a barragem estava com problemas e que precisava de manutenção, mas nĂŁo fez a manutenção adequadamente. Aquela tragĂ©dia poderia ter sido evitada”, ressalta. Helena enfatiza que se a sirene tivesse tocado, teria evitado mortes.

“A importĂąncia de chamarmos a atenção para essa tragĂ©dia Ă© para que ela nĂŁo se repita e, mais do que isso, precisamos lembrar que aconteceu em Mariana antes de Brumadinho. Mariana, na verdade, foi a verdadeira sirene de Brumadinho e que ninguĂ©m ouviu”, destacou Helena.


SĂŁo Paulo (SP), 25/01/2026 - Ato na Avenida Paulista cobra justiça em dia que marca sete anos do rompimento da barragem em Brumadinho  Foto: Paulo Pinto/AgĂȘncia Brasil

Ato na Avenida Paulista cobra justiça no dia que marca sete anos do rompimento da barragem em Brumadinho – Paulo Pinto/AgĂȘncia Brasil

Sem justiça

Passados sete anos da tragédia, ainda não houve responsabilização criminal, ou seja, ninguém respondeu pelo crime. Um processo tramita na Justiça mineira e vai julgar 15 pessoas pelo episódio.

“A Justiça nĂŁo foi feita”, conclui Helena. “É importante que se saiba que a reparação estĂĄ sendo muito lenta, nĂŁo tem sido adequada e as pessoas que foram atingidas perderam tudo o que tinham – como suas casas, suas lavouras, seus animais – e isso nĂŁo foi reposto, nĂŁo foi reparado”, lamentou.

Helena reforça que reparação Ă© um termo duvidoso, porque nĂŁo se pode reparar a morte de alguĂ©m. “Isso nĂŁo existe. Mas a reparação para os atingidos precisa acontecer. E tambĂ©m a justiça, para que as pessoas envolvidas sejam responsabilizadas pelo que fizeram”, ressaltou.

Segundo a ativista, a responsabilização Ă© importante, inclusive, para evitar que novas tragĂ©dias como semelhantes aconteçam no paĂ­s. “A impunidade Ă© a porta para acontecer de novo. E a gente nĂŁo pode permitir que isso aconteça de novo”.

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