Votação antecipada na Câmara termina em confusão e pancadaria

Eleição para a presidência da Casa no biênio 2027–2028 foi marcada, cancelada na véspera e provocou troca de agressões no plenário

Uma reunião na Câmara Municipal de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terminou em confusão generalizada e agressões físicas nesta quinta-feira (29). O episódio ocorreu após a antecipação — e posterior cancelamento — da eleição para a presidência da Casa Legislativa no biênio 2027–2028, decisão que gerou forte reação entre os vereadores.

A eleição havia sido marcada pelo atual presidente da Câmara, Glayson Johnny (Avante), para esta quinta-feira, apesar de a posse do futuro presidente estar prevista apenas para o ano seguinte. Na véspera da sessão, um ofício foi encaminhado aos parlamentares comunicando o cancelamento da votação, o que causou indignação e tensão política.

Divulgação

Mesmo com o cancelamento oficial, vereadores compareceram ao plenário com a expectativa de realizar a eleição. A divergência entre os grupos favoráveis à votação imediata e os que defendiam o adiamento elevou os ânimos e terminou em troca de agressões físicas entre o vereador Ivo Melo (PSD) e o secretário-geral da Câmara.

Diante do tumulto, o presidente da Casa confirmou o cancelamento da votação, alegando orientação jurídica. Segundo Glayson Johnny, a decisão foi baseada em entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF), que indicam que a eleição da mesa diretora deve ocorrer apenas a partir de outubro, mais próxima da data de posse.

“A gente marcou dentro dos parâmetros da lei orgânica achando que poderia haver um planejamento melhor para o biênio 2027–2028. No entanto, recebemos orientação de que a eleição antecipada seria inconstitucional, conforme entendimento do STF”, afirmou o presidente em entrevista.

O grupo que defendia a realização da eleição nesta data era liderado pelo vereador Andrei Bicalho (União Brasil), adversário político de Johnny. Ele criticou a suspensão da sessão horas antes do início previsto e afirmou que a decisão foi tomada de forma unilateral, sem diálogo com os demais parlamentares.

“Fomos comunicados momentos antes da reunião de que ela havia sido cancelada pelo próprio presidente que a convocou. Isso exaltou os ânimos e frustrou quem estava preparado para votar”, declarou.

Segundo apuração, a confusão teve forte pano de fundo político. Andrei Bicalho, filho do ex-prefeito Ilacir Bicalho (Republicanos), liderava um grupo que acreditava ter maioria para vencer a disputa e formar a mesa diretora do último biênio da atual legislatura. Com o cancelamento, a eleição segue sem nova data definida.


Fonte: Itatiaia
✍️ Redigido por ContilNet

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