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Adolescente denuncia racismo após vencer luta em campeonato de jiu-jítsu: “Urubu do diabo”

Por Matheus Mello, ContilNet

Caso foi denunciado ao Ministério Público/Foto: Reprodução

Uma adolescente de 15 anos foi alvo de ataques racistas após participar da Copa Pódio de Jiu-Jítsu, realizada no último sábado (7), na Escola Imaculada Conceição, em Rio Branco. A denúncia foi feita ao ContilNet pela responsável da jovem.

Segundo relato da família, a adolescente venceu a luta no sábado. No dia seguinte, domingo (8), ela recebeu prints de publicações feitas pela adversária, que teria perdido o combate, contendo ofensas de cunho racista em um perfil nas redes sociais.

De acordo com a familiar, a agressora, também adolescente, teria utilizado fotos da vítima para fazer ataques relacionados à aparência. Em uma das postagens, ela escreveu: “Olha a menina que eu perdi”, acompanhando a frase de expressões ofensivas, como “urubu do diabo”. As publicações teriam sido feitas em uma conta privada.

Ataques racistas foram feitos em um perfil privado da atleta/Foto: Cedida

A responsável pela vítima afirmou que procurou o mestre e professor da escola onde a outra adolescente estuda e treina jiu-jítsu. Segundo ela, o homem não teria fornecido o contato dos pais da jovem e teria tratado o caso como “brincadeira”, alegando que se tratava apenas de uma adolescente de 16 anos.

“Ele foi extremamente grosso comigo e não fez nada para resolver o caso, se quer pediu desculpas para ela”, disse a madrinha.

Após o caso vir à tona, a adolescente apontada como autora das ofensas enviou mensagens pedindo desculpas à vítima. No entanto, conforme a família, novos prints chegaram posteriormente, desta vez de um grupo do qual a agressora participava, com novos comentários considerados racistas sobre a aparência da jovem.

“Uma das mensagens desse grupo dizia o seguinte ‘vou me pintar de preta para ver se ela para de falar’.

Mensagens enviadas em um grupo seguiram os ataques racistas/Foto: Reprodução

Diante da situação, a família registrou boletim de ocorrência em uma delegacia de Rio Branco e acionou o Ministério Público do Estado do Acre para que o caso seja apurado.

A academia onde a vítima treina jiu-jítsu também foi informada e, segundo a madrinha, prestou apoio integral à adolescente. O proprietário do local, que é advogado, auxiliou a família nas providências legais.

Ainda conforme a familiar, após tomar conhecimento de que a família estava ciente das publicações, a mãe da agressora entrou em contato com a academia da vítima. Ela teria afirmado que a filha não teve a intenção de ofender ninguém e voltou a classificar o episódio como um problema entre adolescentes, sem apresentar pedido de desculpas específico pelas ofensas racistas.

“Boa tarde, Senhores! Sou mãe da atleta xxx. Entro em contato para dizer que não foi intenção dela causar qualquer tipo de ofensa, foi uma postagem imprudente realizada em um perfil privado, e assim que ela percebeu que tinha sido interpretada de forma diversa, apagou imediatamente. Eu compreendo que não queiram atender ao pedido de desculpas, mas me coloco à disposição para um dialogo como mãe e responsável!Não nos esqueçamos que estamos diante de uma situação vivenciada por duas adolescentes”, disse a mensagem da mãe da acusada.

Mensagem enviada pela mãe da acusada/Foto: Cedida

A responsável pela vítima relatou ainda que, depois que o caso se tornou conhecido, outras pessoas procuraram a família afirmando já ter enfrentado situações semelhantes envolvendo a mesma adolescente.

Segundo a família, a vítima ficou muito abalada com os ataques, mas se sentiu acolhida após receber apoio de colegas, professores e atletas de outras academias de jiu-jítsu de Rio Branco. O caso segue sob apuração das autoridades competentes.

De acordo com a responsável da vítima, o suporte dado pela academia Gracie Barra, onde a adolescente treina, foi crucial para o acolhimento e suporte a ela. “O dono, que também é advogado, o doutor Leonardo, está prestando muita solidariedade, me ajudando, me dando todas as orientações, todo o suporte jurídico também”, disse.

A academia emitiu uma nota de repúdio contra os ataques sofridos pela adolescente:

Veja na íntegra outra nota de apoio emitida por várias academias de jiu-jítsu da capital:

“NOTA DE APOIO – EVOLUTION SPORT CENTER
A Evolution Sport Center manifesta seu irrestrito apoio à atleta da Gracie Barra Acre, bem como à própria academia, diante dos lamentáveis episódios de cunho discriminatório recentemente divulgados.
Reafirmamos que o esporte, em especial o Jiu-Jitsu, deve ser um ambiente pautado pelo respeito, pela igualdade e pela dignidade humana, sendo absolutamente incompatível com qualquer forma de racismo, preconceito ou intolerância.
Nos solidarizamos com a atleta e reiteramos que não há espaço, dentro ou fora do tatame, para atitudes que afrontem os valores que sustentam o esporte e a convivência social.
Evolution Sport Center”

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