A palavra foi protagonista. Entre memórias, reconhecimento e projeções para o futuro, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB) realizou a posse da nova diretoria nacional para o ciclo 2026–2028, em cerimônia transmitida ao vivo pelo YouTube e acompanhada por associadas de diferentes regiões do país.
Mais do que uma formalidade institucional, o evento simbolizou a continuidade de uma trajetória construída ao longo de 56 anos por mulheres que transformaram a escrita em espaço de expressão, resistência e produção intelectual feminina no Brasil.
A presidência passa agora das mãos da escritora e jornalista Renata Dal Bó, de Santa Catarina, para Irislene Morato, de Minas Gerais, que assume com a missão de ampliar a presença nacional da entidade e fortalecer suas ações culturais e literárias.
Uma história que segue sendo escrita
Em sua fala de despedida, Renata Dal Bó destacou que nenhuma gestão nasce isolada, mas integra um processo coletivo iniciado décadas atrás pelas fundadoras da associação.
Durante sua gestão, foram consolidados avanços importante como a criação do portal institucional e a publicação da obra Tecendo Memórias, livro que registra trajetórias e contribuições das ajebianas para a literatura e o jornalismo brasileiros.
Ao enfatizar o momento vivido pela entidade, Renata definiu a AJEB como uma instituição que alcança maturidade sem perder a essência. Falou da valorização da palavra escrita como instrumento de transformação social.
Continuidade com novos horizontes
Ao assumir oficialmente a presidência, Irislene Morato apresentou uma gestão pautada pela continuidade aliada à inovação. Pela segunda vez a frente da Associação, Irislene também é responsável por avanços estruturais importantes, como a regularização jurídica das coordenadorias estaduais, criação de coordenadoria em diversos estados do Brasil como as coordenadorias de Rondônia, Bahia e reativou a do Espírito Santo e Pará.
Entre as prioridades anunciadas está a criação de diretorias estratégicas voltadas ao fortalecimento profissional das associadas, especialmente no acesso a editais culturais e parcerias institucionais.
A proposta busca ampliar a autonomia financeira de projetos literários e incentivar a circulação da produção feminina em diferentes espaços culturais do país, aproximando a AJEB de instituições como o Sebrae e outros agentes de fomento.
A nova diretoria executiva reúne representantes de diversos estados brasileiros, reforçando o caráter plural e nacional da entidade.
Literatura como encontro
A cerimônia também funcionou como convite para o futuro. Foi oficialmente anunciada a realização do 6º Encontro Nacional e 5º Internacional da AJEB, marcado para acontecer entre os dias 9 e 12 de abril, em Sinop (MT). O evento reunirá escritoras, jornalistas e pesquisadoras em torno da troca de experiências, debates literários e fortalecimento da rede feminina de produção intelectual.
O encerramento ocorreu com a leitura do juramento tradicional da AJEB , momento simbólico em que as integrantes reafirmaram o compromisso de “cultivar as belas letras, o pensamento científico e a criação do belo”, reafirmando o lema que atravessa gerações: a perenidade da palavra.
Mais do que uma posse, a solenidade marcou a renovação de um pacto coletivo, o de manter viva a escrita feminina como memória, presença e futuro.

