Eleito para o primeiro mandato na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador Felipe Tchê, do Progressistas, acabou de completar um ano de atuação legislativa conciliando o aprendizado do cargo com a responsabilidade de representar, além de seus quase cinco mil eleitores, toda a população da capital. Ele é o primeiro entrevistado de uma série de pingpongs políticos que o ContilNet fará em 2026.
Primeiro secretário da Mesa Diretora, ele afirmou encarar o mandato como uma missão construída a partir da escuta, do diálogo e da presença constante junto à população.
Filho do deputado estadual e secretário de Agricultura, Luís Tchê, Felipe cresceu acompanhando de perto a rotina da política e o contato direto com as comunidades. Agora, do outro lado da tribuna, diz que busca transformar essa vivência em ações concretas, com foco em infraestrutura, fortalecimento da agricultura familiar e cuidado com áreas essenciais como saúde e educação.
Nesta entrevista exclusiva, o vereador fala sobre o início do mandato, sua relação com o Executivo, o papel da Câmara, o espaço do Progressistas em Rio Branco, a influência familiar na trajetória política e os desafios que enxerga para o futuro da capital acreana.
Confira na íntegra:
1. Quem é o Felipe Tchê fora da política?
Sou, acima de tudo, um Felipe família. Esposo da Paola, pai do José Felipe, e é neles que encontro minha maior motivação diária. Gosto de estar com os amigos, de jogar futebol, de boas conversas, desses momentos simples que nos mantêm com os pés no chão. Antes da política, sempre estive junto das pessoas, vivendo o dia a dia de Rio Branco, ouvindo histórias, conhecendo realidades. Cresci nesse ambiente, sou filho de político e de professora, e desde cedo aprendi que servir às pessoas é uma missão. A política sempre fez parte da minha vida, mas nunca distante da realidade do povo.
2. O que te motivou a disputar uma vaga na Câmara de Rio Branco?
Foi o sentimento de que dava para fazer mais. De uma política precisava mais presente, mais resolutiva, mais humana. Sempre ouvi as pessoas, vi de perto suas dificuldades, seus desafios, e isso me inquietava. Cresci acompanhando essas realidades e senti que podia ajudar a transformar a escuta em ação, a necessidade em solução. A Câmara é o lugar onde a voz do povo precisa ser respeitada.
3. Qual foi o maior choque ao assumir o mandato?
Foi meu primeiro mandato, e o que mais me marcou foi a confiança das pessoas. Fiquei surpreso, emocionado e muito grato por cada voto dos 4.979, por cada palavra de incentivo. Isso me colocou um peso bom nos ombros, o dever de estar perto, de ouvir, de representar com verdade. Além disso, assumir a função de primeiro secretário da Câmara me trouxe ainda mais responsabilidade, porque ali não represento só ideias, mas ajudo a organizar e cuidar da Casa do Povo.
4. Em poucas palavras, como você define seu mandato até agora?
Um mandato construído com muita responsabilidade, trabalho coletivo e gratidão. Nada disso seria possível sozinho. Cada passo dado é pensando nas pessoas que confiaram em mim e na cidade que amo.
5. Qual área você pretende priorizar no seu trabalho como vereador?
Infraestrutura, porque ela chega na vida das pessoas de forma direta. Mas sem jamais esquecer que educação e saúde são a base de tudo. Cuidar da cidade é cuidar das pessoas por inteiro.
6. Que projeto apresentado por você melhor representa suas ideias?
O Ceasa Digital me emociona muito, porque ele fortalece a agricultura familiar, valoriza quem produz e gera renda. Além de ter sido nosso primeiro projeto apresentado, já foi sancionado e está em regulamentação. Outro projeto que carrego com muito carinho é o Programa Municipal de Monitoramento da Saúde Estudantil, que cuida da saúde física e emocional dos nossos alunos e docentes. Quando a gente cuida das crianças, a gente cuida do futuro.
7. O que mais precisa mudar hoje na Câmara Municipal?
Fazer com que a Câmara seja cada vez mais acolhedora. Dar dignidade aos servidores e respeito à população que entra ali todos os dias. É a casa do povo e precisa refletir isso com mais tecnologia e estrutura. E logo em breve estaremos na nova sede.
8. Dá para fazer política com diálogo em um ambiente tão polarizado?
Não só dá, como é o único caminho. Sem diálogo, não existe solução verdadeira.
9. Como é sua relação com o prefeito Tião Bocalom?
É uma relação de respeito. Inclusive parabenizo o trabalho realizado pelo prefeito ao longo desses anos. Reconheço o que vem sendo feito e acredito que, quando há diálogo, quem ganha é a cidade. Tudo o que faço é pensando em Rio Branco.
10. Você se considera da base, independente ou oposição?
Sou da base, com responsabilidade e consciência. Ser base é ajudar a construir, é colaborar, é ter coragem de dialogar e ajustar quando necessário, sempre com compromisso com a população.
11. Em que pontos concorda com a gestão e em quais discorda?
Concordo com tudo aquilo que melhora a vida das pessoas. Quando discordo, faço isso com diálogo, buscando entender, ajustar e encontrar o melhor caminho. A política precisa ser ponte, não muro.
12. A Câmara tem cumprido bem o papel de fiscalizar o Executivo?
Sim. Inclusive, o que ouvimos nas nossas andanças é que esta está sendo uma das melhores legislaturas da Câmara Municipal de Rio Branco.
13. Como avalia o espaço do Progressistas hoje em Rio Branco?
É um partido forte, organizado, com presença real na cidade e que participa do dia a dia da população.
14. O PP tem projeto para 2026 no Acre?
Tem sim. É um partido protagonista, com pessoas preparadas e abertas ao diálogo com a sociedade.
15. A vice-governadora Mailza Assis será candidata ao Governo. Como fica sua relação com o prefeito Tião Bocalom?
Com maturidade, respeito e muito carinho. A política precisa de serenidade e compromisso com o futuro.
16. Ser filho do deputado Luís Tchê ajuda ou atrapalha na política?
Ajuda muito. Ele é meu maior professor, meu incentivador, meu apoio de vida. Aprendi com ele não só política, mas valores. Cada um tem sua história, mas ele é o exemplo que me fortalece todos os dias.
17. Como lida com comparações entre você e seu pai?
Com honra. O trabalho dele transformou vidas, do pequeno ao grande produtor. As comparações vêm com respeito, e assim eu as recebo.
18. Há cobrança maior por causa do sobrenome?
Existe sim, e isso aumenta a responsabilidade. Mas encaro com serenidade, transparência e muito trabalho.
19. Já recebeu críticas por conta dessa relação familiar? Como responde?
Críticas sempre existirão. Minha resposta é simples, trabalho, presença e resultado.
20. A experiência do seu pai na Secretaria de Agricultura influencia seu mandato?
Influencia de forma positiva. É um trabalho conjunto, onde ideias nascem, projetos são criados e muitos já estão se tornando realidade. É união de forças.
21. O que Rio Branco pode aprender com políticas voltadas ao produtor rural?
Que o campo sustenta a cidade. Investir no produtor é gerar renda, emprego e dignidade. É olhar com carinho para quem alimenta nossa mesa.
22. Falta atenção do poder público à zona rural da capital?
Muito já foi feito, mas longe de dizer que estamos bem. Sempre há mais a avançar. O importante é não esquecer dessas famílias.
23. Que marca você quer deixar como vereador?
Quero ser lembrado como alguém presente, que ouviu, pensou e buscou soluções.
24. Você pensa em disputar outro cargo no futuro?
Todo mundo sonha em avançar e não descarto oportunidades futuras, mas hoje meu coração e meu foco estão nesse mandato. O futuro será consequência do trabalho de agora.
25. Qual é o principal desafio político de Rio Branco hoje?
Fazer com que os projetos saiam do papel e cheguem na vida das pessoas. Construir uma cidade mais justa, digna e humana, onde desenvolvimento e qualidade de vida caminhem juntos.
26. Um problema urgente de Rio Branco.
Infraestrutura.
27. Um projeto que ainda quer tirar do papel.
Substituir todas as pontes de madeira da zona rural por concreto.
28. Um político que admira.
Meu pai, Luís Tchê.
29. Um erro que a política não pode cometer.
Se afastar das pessoas, da população.
30. O que o eleitor pode esperar de Felipe Tchê nos próximos anos?
Presença, trabalho e compromisso de verdade.

