Um mês após tornar públicas as agressões sofridas durante o casamento com o cantor João Lima, a médica e influenciadora Raphaella Brilhante usou as redes sociais nesta semana para publicar seu primeiro vídeo de pronunciamento sobre o ocorrido. No relato, ela afirma ter sobrevivido a uma tentativa de feminicídio e denuncia que, mesmo após a prisão do artista, continua enfrentando ameaças e violência psicológica por parte da família do agressor. O cantor está preso desde o dia 26 de janeiro. Ele é filho do deputado estadual da Paraíba Cicinho Lima.
No vídeo, Raphaella foi ainda mais direta ao descrever o que viveu. “Sim! Eu sobrevivi a uma tentativa de feminicídio. Essa semana vai estar completando 1 mês desde que tudo aconteceu, desde que tudo veio a tona. Essa semana vai fazer 1 mês e eu sigo sendo ameaçada e me sentindo com medo.”
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Ela afirma que continua sendo alvo de ataques. “A família do agressor segue tentando me descredibilizar, segue tentando e fazendo violência psicológica comigo. Esse é o meu primeiro pronunciamento, meu mesmo, aqui para vocês.”
Ao relembrar o relacionamento, a médica contou que o casamento aconteceu em novembro do ano passado e que as agressões teriam começado logo após a oficialização da união. “Continua não sendo fácil falar sobre isso, tudo começou com um sonho, com algo que eu acreditava ser amor, entregando minhas madrugadas de oração, entregando o melhor de mim o tempo todo e para mim é inacreditável que além de me agredir das piores formas, logo após o casamento, em um período de apenas 2 meses, tentar me sufocar, mas o que é inacreditável para mim é a realidade de muitas mulheres.”
Ela também reforçou que a violência não termina com o rompimento. “A verdade é que a violência não acaba quando você vai embora, ela muda de forma, ela continua nos ataques familiares, ela continua no trauma que fica na vítima, nas marcas que não podem ser vistas, mas que são sentidas todos os dias.”
O pronunciamento termina com um apelo. “Esse vídeo não é só um pronunciamento, esse vídeo é um pedido, pedido para vocês não soltarem a minha mão e nem a mão de todas as mulheres que passam por isso. (…) É um pedido para que as leis aumentem, é um pedido para que a nossa voz não seja mais silenciada de nenhuma forma.”
“Sobreviver não significa que a violência acabou”
Na legenda do vídeo publicado, Raphaella descreveu o impacto do caso em sua vida. “Essa semana vai fazer um mês desde que tudo veio à tona. Um mês desde que a minha vida foi dividida entre ‘antes’ e ‘depois’. Eu sobrevivi. Mas sobreviver não significa que a violência acabou”, escreveu.
Segundo ela, os ataques teriam mudado de forma após a denúncia. “Ontem, mais uma vez, fui atacada por parte da família do agressor. E é sobre isso que quase ninguém fala: muitas vezes, quando a vítima vai embora, a violência apenas muda de forma. Ela sai das quatro paredes e vai para as redes sociais. Vira insinuação. Vira mentira. Vira tentativa de descredibilização. Vira pressão psicológica.”
A médica também destacou que a legislação brasileira reconhece esse tipo de conduta. “Existe um nome para isso. A Lei Maria da Penha reconhece a violência psicológica e moral. Mas, na prática, ainda precisamos avançar muito para proteger mulheres que, mesmo depois do trauma, continuam sendo atacadas por terceiros.”
Relembre o caso
A Polícia Civil da Paraíba investiga João Lima por violência doméstica contra a ex-esposa, após vídeos divulgados nas redes sociais mostrarem agressões. Raphaella registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, em João Pessoa.
Com mais de 1 milhão de seguidores em uma das redes sociais, a médica confirmou publicamente as agressões após a repercussão do caso. Em entrevista à TV Cabo Branco, exibida em 26 de janeiro, ela relatou que sofreu violência durante o casamento e também na lua de mel. Segundo a médica, o relacionamento durou cerca de três anos e teria sido marcado por comportamentos de controle desde o início.

