Bloco Bafo da Onça celebra 70 anos com desfile em Santa Teresa, no Rio

Por AgĂȘncia Brasil 16/02/2026 Ă s 16:11


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O Bafo da Onça comemorou 70 anos com um desfile especial nesta segunda-feira de Carnaval (16), marcando um novo capítulo na história do bloco. Em 2026, a agremiação ocupou pela primeira vez as ladeiras de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, e estreou uma bateria com mais de 100 ritmistas. Bloco Bafo da Onça celebra 70 anos com desfile em Santa Teresa, no RioBloco Bafo da Onça celebra 70 anos com desfile em Santa Teresa, no Rio

Outra novidade foi a parceria com o Cacique de Ramos, grupo que jĂĄ foi rival, mas hoje Ă© um aliado.

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Fundado em 1956, em um botequim do Catumbi, por Sebastião Maria, conhecido como Tião Maria, o Bafo da Onça é o segundo bloco em atividade mais antigo do Rio de Janeiro, atrås apenas do Cordão da Bola Preta. Ao longo de sete décadas, tornou-se símbolo do carnaval de rua e da cultura popular carioca. Hå mais de 50 anos, o bloco é liderado por Roberto Saldanha, o Capilé.

A mudança para Santa Teresa é vista pelos integrantes como um retorno às origens.

“É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”, afirma Rafa Manso, integrante do bloco.

“A oncinha mostra o quanto a gente Ă© uma fera. É uma personagem central do bloco”, explica.

Para o presidente do bloco, Roberto Saldanha, desfilar em Santa Teresa tem um significado especial.

“Isso aqui para mim Ă© um sonho. Eu tĂŽ no meu quintal. Eu tĂŽ em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. NĂŁo tem nada de confusĂŁo, problema, aqui a gente sĂł quer brincar”, declara.

Entre os destaques do cortejo estĂĄ Chelen Verlink, Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescĂȘncia.

“Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”, explica Chelen.

“Minha mãe sempre gostou e o presidente me fez esse convite. Desde então, venho participando ativamente. O Bafo sempre foi um bloco família para mim”, complementa.

O desfile relembra a reconstrução depois que um incĂȘndio atingiu a sede histĂłrica do Bafo da Onça em 2020, destruindo instrumentos, fantasias e parte do acervo. Como parte desse processo, o bloco estreou uma nova bateria, equipada com instrumentos adquiridos por meio de emenda parlamentar.

Outro destaque do desfile foi a parceria com o Cacique de Ramos. A aproximação começou em 2025, quando a tradicional roda de samba do Cacique se apresentou pela primeira vez na quadra do Bafo, durante o evento Mergulho da Onça.

“Na realidade, nĂłs nunca fomos rivais. NĂłs somos irmĂŁos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval Ă© festa”, reforça Saldanha.

Entre os foliÔes, a novidade também é celebrada. Luana Brito, de 31 anos, saiu de Bangu, na Zona Oeste, para acompanhar o desfile.

“Eu jĂĄ tinha planejado vir. No sĂĄbado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que Ă© um bloco muito bom. Essa parceria Ă© perfeita. A expectativa Ă© que seja perfeito”, diz Luana.

Para os integrantes, a uniĂŁo entre blocos tradicionais fortalece o carnaval de rua.

“Vai atrair mais pĂșblico. É bom que outros blocos tambĂ©m se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avalia Rafa.

O desfile de 70 anos mantĂ©m o Bafo da Onça no circuito oficial e reafirma a vocação do bloco de ocupar o espaço pĂșblico como territĂłrio de encontro, memĂłria e festa.

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