Bloco celebra diversidade e carnaval sem assédio no Rio de Janeiro

Por AgĂȘncia Brasil 15/02/2026 Ă s 14:11


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Milhares de pessoas acordaram cedo neste domingo de carnaval (15) para participar da folia do bloco Divinas Tretas, que se concentrou, mas não saiu, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.Bloco celebra diversidade e carnaval sem assédio no Rio de JaneiroBloco celebra diversidade e carnaval sem assédio no Rio de Janeiro

O Divina Tretas é um dos 55 blocos corresponsåveis pela alegria neste dia ensolarado e quente dos cariocas. O coletivo deriva do antigo bloco Toco-Xona, o primeiro bloco LGBTQIA+ da cidade do Rio de Janeiro, criado em 2007 e renomeado em 2022, após a pandemia de covid-19. 

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A programação musical, tocada ao vivo e nos intervalos, tenta dar conta da pluralidade de ritmos brasileiros com samba, axé, piseiro e pitadas de rock em meio à cena pop. 

“SĂŁo mĂșsicas que levantam a galera”, explica a cantora e multi-instrumentista Karol Gomes, que se apresenta com tamborim e microfone na banda do bloco.

“Tocamos mĂșsicas que o pĂșblico gosta, de divas internacionais e divas brasileiras, em que vestimos a roupinha da gente”, acrescenta Thaissa Zin, produtora executiva do Divinas Tretas.


Rio de Janeiro (RJ), 15/02/2026 – Folionas se beijam durante apresentação do bloco Divinas Tretas, que toca com sua banda e atrai pĂșblico LGBTQIAPN+ no Aterro do Flamengo. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Folionas se beijam durante apresentação do bloco Divinas Tretas, que atrai pĂșblico LGBTQIAPN+ no Aterro do Flamengo – Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Acolhidas e abraçadas 

“Tocar na rua Ă© saber tocar gĂȘneros populares, em que as pessoas vĂŁo se sentir acolhidas, abraçadas”, explica a DJ LaĂ­s Conti, uma das responsĂĄveis por animar o pĂșblico enquanto a banda se prepara ou descansa para seguir a festa.

A receita de LaĂ­s Ă© fazer do momento em que apresenta a sua seleção de mĂșsicas “um set democrĂĄtico e quente”.

As trilhas sonoras da DJ e da banda contribuem para tornar o ambiente do Divinas Tretas receptivo, agradĂĄvel e diverso como deve ser um carnaval para todas as pessoas.

“Este Ă© um bloco em que eu consigo me sentir bem como mulher hĂ©tero ou como uma pessoa gay ou uma pessoa fora dos padrĂ”es. Um lugar em que eu consigo me sentir completamente Ă  vontade para exercer minha liberdade carnavalesca. De botar a roupa que eu estou com vontade, seja mais ou menos coberta. Onde posso dançar o que eu tenho vontade e ouvir mĂșsicas que eu gosto”, dĂĄ o testemunho a enfermeira LetĂ­cia de Almeida Lopes, 26 anos.

Para a foliã, as pessoas vão ao bloco “para serem felizes” e “não para fazer julgamentos”. Ela acredita que o clima geral do Divinas Tretas “traz sensação de segurança”. 

A vendedora ThaĂ­sa GalvĂŁo, 28 anos, confirma as impressĂ”es de LetĂ­cia. “Me sinto muito bem. DĂĄ para a gente se descontrair com os nossos amigos. NĂŁo tem nenhum tipo de briga. Todo mundo se dĂĄ bem. Por isso, eu sempre venho aqui”.

“É o bloco que a gente se sente acolhida. NĂŁo tem homem assediando a gente, o que Ă© libertador”, complementa Jennifer de Oliveira, analista de operaçÔes, tambĂ©m com 28 anos.

Marielle 

O bloco do Divinas Tretas aproveitou a concentração de pessoas na folia para lembrar do julgamento que vai ocorrer depois do carnaval, dias 24 e 25, no Supremo Tribunal Federal (STF) de supostos executores, mandantes, comparsas e cĂșmplices pela morte da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Torres. AlĂ©m das chamadas no microfone do palco, leques foram distribuĂ­dos com a agenda do julgamento.


Rio de Janeiro (RJ), 15/02/2026 – FoliĂ”es recebem leques alusivos ao julgamento dos mandantes do assassitato de Marielle Franco e Anderson Gomes no bloco Divinas Tretas, que atrai pĂșblico LGBTQIAPN+ no Aterro do Flamengo. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Bloco Divinas Tretas aproveitou a concentração para lembrar do julgamento dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco – Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

A Corte julga os processos do conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. 

Todos estão presos preventivamente por suposta participação nos assassinatos ocorridos em março de 2018.

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