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Bolsa Família reduz participação de mulheres no mercado de trabalho?

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Bolsa Família reduz participação de mulheres no mercado de trabalho?

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) trouxe novos dados ao debate sobre os efeitos do Bolsa Família no mercado de trabalho, especialmente entre as mulheres. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (11), conclui que o programa de transferência de renda não reduz de forma sistemática a participação feminina na força de trabalho.

O atendimento ao público feminino é tratado como prioridade pelo governo brasileiro, sobretudo nas políticas coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Em fevereiro, das 18,84 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, cerca de 15,9 milhões — o equivalente a 84,38% — eram chefiadas por mulheres, que ficam responsáveis pela administração dos recursos recebidos.

Para avaliar se a transferência de renda poderia desestimular a entrada das mulheres no mercado de trabalho, o FMI analisou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado aponta que a presença feminina na força de trabalho é decisiva para o desenvolvimento econômico do país.

Segundo as estimativas do Fundo, se a diferença entre as taxas de participação de homens e mulheres cair pela metade — de 20 para 10 pontos percentuais até 2033 —, o crescimento anual do Brasil poderia aumentar em cerca de 0,5 ponto percentual nesse período. O estudo também destaca que a necessidade de cuidar da família e de realizar tarefas domésticas segue entre os principais fatores que mantêm muitas mulheres fora do mercado.

Economia do cuidado
Outro levantamento, realizado em parceria entre o MDS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e lançado em 2025, mostrou que as mulheres no Brasil dedicam, em média, 9,8 horas a mais por semana ao trabalho de cuidado não remunerado do que os homens. Entre mulheres negras, essa carga chega a 22,4 horas semanais. O estudo também indica que metade das mulheres deixa o mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho, enquanto os homens, em média, aumentam seus rendimentos no mesmo período.

A pesquisa defende políticas integradas para enfrentar a chamada “crise dos cuidados”, como a ampliação de serviços públicos, medidas de incentivo à corresponsabilidade entre homens e mulheres e ações que garantam o direito ao cuidado.

Valor do benefício e mercado de trabalho
Dados da PNAD-Contínua também embasaram um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou o efeito do aumento do valor do Bolsa Família sobre a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho. O levantamento concluiu que a elevação do benefício, em vigor desde 2023, não estimulou a migração de trabalhadores do emprego formal para o informal.

Entre os entrevistados, 34,4% apontaram que o principal motivo para deixar a força de trabalho foi a necessidade de cuidar da casa, dos filhos ou de outros familiares.

Desigualdade salarial
O estudo mais recente do FMI também chama atenção para a diferença de rendimentos: mulheres recebem, em média, 22% menos que homens, mesmo quando se consideram fatores como escolaridade, idade, raça, setor e cargo. Segundo os especialistas, essa disparidade pode levar muitas mulheres — beneficiárias do Bolsa Família ou não — a optarem por ficar em casa para cuidar dos filhos em vez de buscar uma vaga no mercado.

Como possíveis caminhos, o Fundo sugere ampliar o acesso a creches e serviços de cuidado com idosos, revisar políticas de licença parental e fortalecer a aplicação da Lei da Igualdade Salarial. Em conjunto, essas medidas poderiam criar um ambiente mais favorável para a inserção feminina no mercado e reforçar o potencial de crescimento da economia.

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