A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) o projeto de lei que cria a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), com sede em BrasĂlia, para atuar na área do conhecimento relativa Ă ciĂŞncia do esporte. A proposta será enviada ao Senado.

O Projeto de Lei 6133/25 foi uma iniciativa do governo federal, apresentada no fim do ano passado. Na mesma Ă©poca, o governo tambĂ©m anunciou a criação da Universidade Federal IndĂgena (Unind), cujo projeto segue em tramitação.
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O texto aprovado em plenário é um substitutivo do relator, deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF). Ele retirou do texto expressões como misoginia, racismo e gênero no trecho sobre as finalidades da nova universidade ligadas ao enfrentamento dessas questões no esporte.
Pela proposta, fica permitida a abertura futura de campi em outros estados.
O estatuto da nova autarquia definirá sua estrutura organizacional e forma de funcionamento, observado o princĂpio de nĂŁo separação das atividades de ensino, pesquisa e extensĂŁo. A instituição poderá utilizar formas alternativas de ingresso, estratĂ©gias de atendimento e fomento, respeitadas as normas de inclusĂŁo e de cotas.
“A criação da UFEsporte se justifica pelo fato de o Brasil carecer de profissionais qualificados nas áreas de gestĂŁo, ciĂŞncia do esporte e polĂticas pĂşblicas, situação que contrasta com a reconhecida capacidade do paĂs em descobrir grandes talentos esportivos”, destacou o relator, ao ler seu voto em plenário.
AlĂ©m de outros bens, legados e direitos doados, a UFEsporte contará com bens mĂłveis e imĂłveis da UniĂŁo que o projeto permite doar para a instituição começar a funcionar administrativamente. A autarquia contará ainda com receitas eventuais, a tĂtulo de remuneração por serviços prestados compatĂveis com sua finalidade; e de convĂŞnios, acordos e contratos celebrados com entidades e organismos nacionais e internacionais.
Parte da receita de apostas em bets também poderá ser direcionada pelo Ministério do Esporte.
Segundo o que prevê o projeto, caberá ao governo federal nomear o reitor e o vice-reitor com mandato temporário até que a universidade seja organizada na forma de seu estatuto. Caberá ao reitor temporário estabelecer as condições para a escolha do reitor de acordo com a legislação.
Dentro de 180 dias da nomeação do reitor e vice-reitor temporários, a instituição enviará ao Ministério da Educação propostas de estatuto e regimento geral.
“A oferta pĂşblica e gratuita de cursos de tecnĂłlogos, graduação e pĂłs-graduação, com abrangĂŞncia em todas as regiões do paĂs, enfocando a qualidade da formação de novos profissionais e assegurando condições de acesso e permanĂŞncia a atletas estudantes, parece-nos bastante positiva e tende a suprir uma carĂŞncia histĂłrica dos profissionais do setor”, continuou o deputado Julio CĂ©sar Ribeiro, em seu voto.
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Concurso pĂşblico
ApĂłs autorização de lei orçamentária, a instituição poderá organizar concurso pĂşblico de provas e de tĂtulos para o ingresso na carreira de professor do magistĂ©rio superior e na carreira de tĂ©cnico-administrativo.
Para o lĂder do governo, deputado JosĂ© GuimarĂŁes (PT-CE), a criação da universidade Ă© muito mais uma demanda da sociedade do que iniciativa do governo.
“Isso vem sendo discutido há muito tempo. Todos os esportistas brasileiros pedem que essa universidade exista, inclusive como formadora de atletas e de diretrizes para o esporte brasileiro nas suas variadas modalidades”, disse.
Contrário Ă proposta, o deputado Alberto Fraga (PL-DF), vice-lĂder da oposição, afirmou que o projeto Ă© “eleitoreiro e populista”.
“O governo anuncia a criação sem colocar um centavo no Orçamento. É marketing puro, Ă© uma promessa vazia que gera manchete hoje e será esquecida amanhĂŁ”, disse.
A deputada Julia Zanatta (PL-SC) criticou o fato de o governo criar universidades sem conseguir manter as instituições de ensino já existentes.
*Com informações da AgĂŞncia Câmara de NotĂcias.Â

