“Carinhoso, sorridente, feliz”, diz mĂŁe sobre filho morto por PMs

Por AgĂȘncia Brasil 10/02/2026 Ă s 20:10


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A mĂŁe do estudante Thiago Menezes Flausino, Priscila Menezes Gomes de Souza, foi ouvida nesta terça-feira (10), durante o jĂșri popular dos dois policiais militares acusados de matar o menino de 13 anos, em agosto de 2023, na zona oeste do Rio de Janeiro."Carinhoso, sorridente, feliz", diz mĂŁe sobre filho morto por PMs"Carinhoso, sorridente, feliz", diz mĂŁe sobre filho morto por PMs

Os agentes estavam em um carro descaracterizado e deram trĂȘs tiros de fuzil em Thiago; dois nas pernas do menino, que sonhava ser jogador de futebol.

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O julgamento começou no fim da manhã desta terça-feira no Tribunal de Justiça estå na fase de ouvir as testemunhas de acusação. Não hå previsão de horårio para sair a decisão. São acusados da morte de Thiago os PMs Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, do Batalhão de Choque.

AcusaçÔes

Os policiais respondem pelo homicídio de Thiago, que estava na garupa de uma moto na entrada da Cidade de Deus, e por tentativa de homicídio contra Marcus Vinícius, o jovem que pilotava o veículo e foi atingido por um tiro na mão.

No momento do assassinato, a PM fazia uma operação usando um carro particular descaracterizado. As investigaçÔes apontam que jovens não estavam armados e não havia confronto no momento da ação.

Os agentes também são acusados de fraude processual por terem plantado uma arma na cena do crime tentando incriminar a vítima e forjar uma troca de tiros. Eles ainda alteram os depoimentos para confirmar que o carro da abordagem não era uma viatura com sirene.

Para o MinistĂ©rio PĂșblico, os policiais agiram com torpeza, em uma operação de tocaia ilegal, com arma de alta energia.

Ao longo do dia, durante mais de seis horas, foram ouvidos o sobrevivente, o jovem Marcos Vinícius, o seu pai, Wagner, além da mãe de Thiago, Priscila Menezes.

Luto

Em depoimento, a mĂŁe reiterou que Thiago era um menino “educado, carinhoso sorridente, feliz”.

“Ele nĂŁo dava trabalho, gostava de ir para escola, se arrumava sozinho para ir e gostava de jogar futebol”, contou.  

O menino frequentava duas escolinhas na comunidade e era um aluno assĂ­duo no colĂ©gio. Para comprovar, foi exibido com histĂłrico escolar mostrando mais de 91% de frequĂȘncia, apesar de notas baixas em portuguĂȘs e matemĂĄtica.

Priscila reconheceu o filho em vĂĄrias fotos com amigos, treinando futebol, com a famĂ­lia e tambĂ©m andando de moto. Em uma delas, o menino aparece ganhando um prĂȘmio da escola pelo “caderno mais organizado”. “Eu nĂŁo sei se ele ficou em primeiro ou segundo lugar nessa competição, mas essas Ă© a foto dele (comemorando)”, explicou.

Imagens

Durante depoimento, a mãe de Thiago demonstrou suspeitar de imagens exibidas pela defesa dos policiais e encontradas no celular do jovem. Os advogados exibiram fotos de armas, de adolescentes encapuzados, com o rosto virado e imagens supostamente de Thiago.

“Ali aparece o rosto dele, mas esse corpo estĂĄ muito forte para ser o dele”, disse.

Em outra imagem,  hå uma mão segurando uma arma, porém, com uma tatuagem de coração. Thiago não tinha nenhuma tatuagem no corpo, garantiu Priscila. A mãe reconheceu o menino apenas em uma foto com um objeto que aparenta ser uma arma longa, mas demonstrou desconfiança. Ela sugeriu que o objeto poderia ser um objeto para caçar ratos.

Sobrevivente da ação policial, Marcos Vinícius, o primeiro a ser ouvido, também confirmou que nunca viu Thiago armado.

Antes do inĂ­cio do jĂșri, o pai do adolescente, Diogo Flausino, afirmou que a expectativa Ă© pela condenação dos reĂșs. “Esperamos Justiça. Eles tĂȘm que pagar”, disse, durante mais um ato contra a violĂȘncia policias em frente ao tribunal. Os agentes alegam legĂ­tima defesa.

Para tentar convencer o jĂșri, estĂŁo escaladas dez testemunhas, cinco de defesa, e cinco de acusação. O julgamento estava previsto para o fim de janeiro, mas foi adiado pera esta terça-feira.

Justiça

Do lado de fora do jĂșri, parentes e amigos de Thiago torciam para um veredicto. Duas colegas de escola do menino, de 15 e 14 anos, relataram que ele era alegre e companheiro. “Era um menino muito legal, que zuava, brincava, sempre usando um pente no cabelo, vaidoso”, lembrou uma delas. “Ele era incrĂ­vel, sempre ia com a gente para [comemoraçÔes de aniversĂĄrios] rodĂ­zios de pizza, sempre parceiro, o primeiro a confirmar”, acrescentou a outra amiga. “Ele era bom”, frisou.

*Com colaboração da TV Brasil.

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