Com dificuldades no mercado da mĂșsica, jovens lançam selo independente

Por AgĂȘncia Brasil 12/02/2026 Ă s 18:10


Logo AgĂȘncia Brasil

Tudo começou com uma produtora de ĂĄudio, criada por Victor Basto, guitarrista e vocalista, e JoĂŁo Mendonça, baterista, que se conheceram na faculdade, no curso de produção musical. Integrantes da banda Quedalivre e diante da dificuldade de se inserir no mercado musica, os jovens decidiram fundar o prĂłprio selo musical e impulsionar, nĂŁo apenas o prĂłprio trabalho, mas de outras bandas com trajetĂłrias parecidas. Assim nasceu, no Rio de Janeiro, o selo independente AlterEgo.Com dificuldades no mercado da mĂșsica, jovens lançam selo independenteCom dificuldades no mercado da mĂșsica, jovens lançam selo independente

“Com a banda, fomos descobrindo as deficiĂȘncias que as outras bandas tambĂ©m tinham e acabou que a gente juntou o nosso conhecimento tĂ©cnico com a questĂŁo de produção executiva para bandas mesmo. Juntando tambĂ©m com tĂ©cnicos de outras ĂĄreas, surgiu o coletivo”, diz Basto Ă  AgĂȘncia Brasil.

NotĂ­cias relacionadas:

Um selo musical ou selo fonogråfico é uma espécie de marca que gerencia, produz, promove e distribui a obra de artistas.

O mĂșsico relembra que a banda Quedalivre enviou material para muitos selos, mas ninguĂ©m aceitou, “nem responderam nenhum e-mail nosso. Ficamos decepcionados”.

“Mas acabou que foi a melhor coisa que aconteceu, porque a gente teve que criar o nosso prĂłprio selo e acabou sendo perfeito, porque tem todo mundo que a gente jĂĄ conhece, com quem a gente jĂĄ trabalha junto, bandas que nĂŁo teriam espaço se nĂŁo fosse a gente chegando com o novo selo”, conta Basto.

O selo independente AlterEgo existe efetivamente desde outubro de 2025, mas o lançamento oficial ocorreu somente em festival homĂŽnimo, realizado no dia 7 de fevereiro, no Rio de Janeiro. O evento marcou tambĂ©m o prĂ©-lançamento do ĂĄlbum Seres Urbanos, da banda Quedalivre, formada pelos mĂșsicos que idealizaram o selo e tambĂ©m o festival.

Atualmente, o selo AlterEgo tem uma equipe técnica composta por 22 pessoas, com até 25 anos, incluindo Victor Basto, diretor executivo do selo; João Mendonça, diretor de produção fonogråfica; e a guitarrista vocalista da banda Quedalivre Lore Naias, diretora de eventos.

Os idealizadores do selo AlterEgo jĂĄ conseguiram reunir mais de 25 bandas de diferentes estados.

Selos independentes

O selo AlterEgo nĂŁo estĂĄ sozinho. Em 2024, uma pesquisa internacional realizada pelo grupo de consultoria do Reino Unido, MIDiA Research, mostrou que entidades independentes ou indies representaram 46,7% da participação no mercado mundial de mĂșsica em 2023, movimentando US$ 14,3 bilhĂ”es.  

Segundo a União Brasileira de Compositores, a produção independente “vem acompanhada de desafios, que incluem problemas com o streaming, a dificuldade para divulgar uma quantidade de artistas que se multiplica exponencialmente e a crescente concentração de receitas entre os maiores do setor”.

Ainda de acordo com a pesquisa global Estado da Economia da MĂșsica Independente: Fragmentação e consolidação da MIDiA Research, as gravadoras independentes priorizam o streaming, que representa a maior parte de sua receita, sendo que o Spotify responde por mais da metade desse valor.

A pesquisa mostra que elas tambĂ©m reconhecem, no entanto, os desafios do streaming: 87% das gravadoras independentes acreditam que estĂĄ cada vez mais difĂ­cil fazer com que os artistas se destaquem e 78% tĂȘm dificuldade em manter o interesse dos fĂŁs.

Jovens na mĂșsica

Dentro desse contexto e das dificuldades de se estabelecer no mercado, o selo AlterEgo funciona como um ecossistema cultural autogerido, ou seja, um coletivo. “Basicamente, quem compĂ”e o selo internamente sĂŁo vĂĄrias pessoas da nossa idade, entre 21 a 25 anos mais ou menos. Todo mundo universitĂĄrio, da ĂĄrea da economia criativa mesmo. Muita gente que jĂĄ frequenta a cena, jĂĄ trabalha na cena de rock e de blues, entĂŁo, tem gente do design, fotĂłgrafos, do audiovisual, tĂ©cnico de som, muita gente. AtĂ© contador tem”.

Segundo Basto, o estilo de trabalho no AlterEgo Ă© “faça vocĂȘ mesmo. Todo mundo tem essa proposta de produzir os prĂłprios eventos, nĂŁo se limitar Ă s filosofias dos outros”. O produtor musical explicou que Ă© comum, no meio da mĂșsica, se ver produtores ou pessoas relevantes que colocam obstĂĄculos a que mĂșsicos desconhecidos ou muito jovens estejam gravando em um estĂșdio gigante.

Mais do que um selo, o AlterEgo se apresenta como uma plataforma de articulação de uma geração que cria, produz e grava ela prĂłpria, Ă  margem dos modelos convencionais. Para Victor Basto, fazer mĂșsica deixa de ser uma expressĂŁo artĂ­stica e passa a ser tambĂ©m um futuro ou trabalho coletivo.

“EstĂĄ todo mundo envolvido. NĂŁo Ă© sobre as prĂłprias bandas. Tem toda uma estrutura, pessoas que jĂĄ trabalhavam juntas, que jĂĄ participavam mas que, agora, estĂŁo engajadas realmente em fazer o cenĂĄrio crescer, para poder todo mundo viver do que a gente ama mesmo. NĂŁo Ă© uma coisa individual de forma nenhuma”.

Mesmo com as dificuldades, Basto defende que Ă© possĂ­vel fazer mĂșsica: “Basicamente, o que a gente estĂĄ fazendo Ă© conseguir mobilizar pessoas e a mĂșsica sem necessariamente ter um investimento vultoso. Eu acho que atĂ© para bandas novas que jĂĄ vieram falar conosco e que começaram por causa da gente, Ă© muito importante que possamos mostrar que dĂĄ para fazer, sem ser nascido no berço de ouro da mĂșsica. Sem aqueles investimentos vultosos dĂĄ para fazer coisa boa, sim”.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.