Com vários trabalhos no teatro, Catharina Caiado comenta os desafios em Dona Beja

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A nobre Carminha, papel de Catharina Caiado em “Dona Beja”, já pode ser considerado o principal trabalho da atriz no audiovisual. Ela, que possui vários espetáculos teatrais no currículo. A personagem vive deslocada dos padrões de comportamento e corpo, e se apaixona por um mendigo, Honorato Pinto, vivido por Gabriel Godoy. Catharina conversou com a coluna:

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Como tem sido a repercussão do público nessas primeiras levas de capítulos?

– Acredito que a novela, desde o início, foi muito abraçada pela crítica e pelo público. A novela tem um elenco e texto incríveis e foi realizada por uma equipe técnica muito potente. É uma obra com muita qualidade artística e que tem tudo para ser sucesso também em outros lugares. Nossa estreia tem poucos dias e no Brasil, só estamos atrás de O Cavaleiro dos Sete Reinos, que é uma saga do universo do Game of Thrones. No mundo, estamos em sétimo lugar na HBO em muito pouco tempo.

A sua personagem ao longo da trama sofre com ataques da mãe referentes à aparência. Você já sofreu de alguma forma com isso? Algum preconceito dentro do próprio mercado?

– Eu acho que o corpo é livre para se transformar. Eu nunca sofri preconceito. Eu sou uma mulher branca de cabelos lisos e padrão em muitos níveis. Eu preciso reconhecer também que meu corpo passou por uma transformação depois de eu me tornar mãe. E foi com esse corpo que eu dei vida a Carminha. Eu não poderia contar essa história se não tivesse as curvas que essa personagem pedia. Eu tenho muita autoestima desde criança e sempre busquei construir uma relação de carinho e conforto com o meu corpo. Sempre dancei e me expressei através do corpo. Eu fico muito feliz de poder servir a uma narrativa que eu acredito, da autolibertação pelo corpo e desejo. Eu tive receio de abraçar essa personagem não pela exposição, mas por medo do sistema me restringir, mas a minha vontade de viver essa personagem sempre foi maior do que qualquer coisa. Ela me trouxe muita alegria e libertação. Eu tenho pouco tempo como atriz no audiovisual, mas eu percebo que as pessoas estão sendo convocadas a um olhar mais amoroso para a diversidade de corpos e de sexualidades.

Como foi a sua parceria com o Gabriel Godoy?

– A parceria com Gabriel foi linda. Gabriel e eu construímos através de uma alegria muito verdadeira. A Carminha e o Honorato surgiram com muita potência e delicadeza desde o nosso primeiro ensaio no espaço. A gente soltou o texto e tudo aconteceu muito naturalmente. Nós dois viemos do teatro e nos divertimos com nossos palhaços. Estávamos muito entusiasmados em viver esses dois personagens a margem, em busca de pertencimento pelas ruas de Araxá. Esse encontro em algum momento vira uma paixão avassaladora e muito bonita. A calma e a confiança do Gabriel foram faróis importantes para aterrar a minha intensidade.

Dona Beja é uma novela para o streaming. Como você enxerga esse novo modelo de fazer novela em uma outra plataforma fora da TV aberta?

– É muito importante que a gente encontre cada vez mais formas de fazer e mover a nossa indústria. O Brasil é um país com muita potência de criação. E é muito lindo ver Dona Beja na tela e ver o espelho da nossa força artística e produtiva. É uma comunicação diferente com o público por ser uma obra fechada, que nesse caso já faz dois anos que terminamos de gravar. Acho todas as plataformas atraentes dentro das suas possibilidades. É incrível a força do audiovisual brasileiro.