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Conheça o pré-candidato ao Governo que se apresenta como pai da industrialização no Acre

Por Everton Damasceno, ContilNet

O partido Agir oficializou mais um nome na disputa pelo Governo do Acre em 2026. Trata-se do empresário e jornalista Dr. Luizinho, natural de Cruzeiro do Sul, que se tornou o quinto pré-candidato a anunciar publicamente o projeto de concorrer ao Palácio Rio Branco.

Filho de uma família simples, Luizinho nasceu no interior do estado, filho do seringueiro Paulo Nogueira da Silva e da agricultora Maria da Glória. Ele destaca as origens como parte central da sua trajetória pessoal e política, afirmando que sua motivação nasce do “inconformismo” com a realidade social e econômica do Acre.

Dr. Luizinho é natural de Cruzeiro do Sul. Foto: Reprodução

“Esse projeto nasce de um descontentamento, da vontade de mudar e de devolver dignidade ao povo acreano”, afirmou em entrevista ao ContilNet.

Com sólida formação acadêmica, Dr. Luizinho é especialista em Direito Constitucional e Docência do Ensino Superior, bacharel em Direito e Teologia, licenciando em História e contador com registro no CRC-AM. Atua há quase duas décadas no setor financeiro, com experiência em gestão, crédito, compliance, desenvolvimento regional e liderança institucional. Desde o ano 2000, exerce atividade empresarial no ramo financeiro e é correspondente bancário certificado pela Febraban, tendo participado da formulação de políticas de crédito e expansão institucional.

Atualmente, ocupa o cargo de presidente do Instituto Fundo Solidário para a Amazônia (IFSAV), onde lidera projetos voltados ao desenvolvimento econômico e social sustentável da região.

Palácio Rio Branco/Foto: Luis Oliveira/Seop

Industrialização como eixo central

Ao falar sobre as bandeiras da pré-candidatura, Luizinho é enfático ao afirmar que a industrialização do Acre será o eixo central do seu plano de governo. Para ele, o estado só conseguirá superar o desemprego, a baixa renda e a falta de oportunidades com um projeto estruturado de desenvolvimento econômico.

“Minha bandeira é industrializar o Acre. Não existe nação no mundo que tenha crescido sem indústria. Não há outro caminho”, declarou.

Durante a entrevista, ele foi além e afirmou ser o responsável por introduzir o debate sobre desenvolvimento econômico no estado. “Eu sou o pai do desenvolvimento econômico do estado do Acre. Antes de eu chegar, a palavra ‘desenvolvimento econômico’ não existia no Acre”, disse.

Plano de governo e visão pragmática

Segundo o pré-candidato, o plano de governo já está estruturado e nasceu ainda quando ele foi cogitado como possível candidato ao Senado. Ao analisar as limitações do Legislativo, decidiu que seria necessário disputar um cargo no Executivo para implementar mudanças concretas.

O plano, segundo ele, é centrado na industrialização, com propostas que envolvem tecnologia, logística, zona de livre comércio, criação de um banco de desenvolvimento, políticas habitacionais com uso de energia solar, incentivo ao agronegócio e medidas de enfrentamento a enchentes.

Questionado sobre posicionamento ideológico, Luizinho se define como democrata e pragmático, criticando a polarização política entre esquerda e direita.

“Não me interessa se foi esquerda ou direita que fez. O que importa são as entregas. Essa polarização só atrasa o Acre e o Brasil”, afirmou, defendendo que a palavra-chave para 2026 deve ser “união”.

Candidatura mantida e carreira solo

Mesmo reconhecendo as dificuldades de construir uma candidatura majoritária por um partido sem mandato no estado, Luizinho afirma que não abre mão do projeto e descarta qualquer possibilidade de desistir para apoiar outro nome.

“Não há a mínima possibilidade de eu abrir mão dessa candidatura. Esse projeto não é meu, é de Deus”, disse.

Segundo ele, o Agir pode disputar as eleições de forma independente, lançando chapas completas para os cargos proporcionais e majoritários, caso as alianças não sejam consideradas benéficas para o Acre.

Ao final, Luizinho reforçou que sua candidatura não tem caráter de barganha política. “Nós estamos aqui por um projeto político. Se não for agora, será na próxima. Um dia isso vai acontecer”, concluiu.


Entrevista na íntegra:

ContilNet: O que te motivou a lançar essa pré-candidatura?

Luisinho: “É a vontade de mudar a vida dos meus irmãos acreanos, né? Mas para a gente mudar a vida, a qualidade de vida, devolver a dignidade aos nossos irmãos acreanos, a gente precisa, em primeiro lugar, não só querer ser governador, mas ter um bom plano de governo, né? E um projeto, acima de tudo, de desenvolvimento econômico para o nosso estado. Porque você sabe que o índice de desemprego está muito grande no nosso estado, né? Falta de oportunidade, falta de renda… e aí eu simplesmente disse: ‘eu preciso ser governador deste estado’. Porque não é só a boa intenção, né? Não é só querer. Você tem que ter um projeto de governo, você tem que ter um plano de governo, né? E aí eu explanando, dialogando nas comunidades, nos grupos, nas pessoas… e, na verdade, isso não surgiu de mim, isso surgiu dos grupos, surgiu de lideranças: ‘Rapaz, se lança candidato a senador’. Aí depois eu comecei a pensar sobre o que um senador poderia fazer pelo Acre. Depois descobri que, como senador, não resolve a situação. Você tem que ser governador. Então, surgiu dessa ideia e é a partir disso que eu entendo que me fez surgir esse projeto de ser candidato a governador do estado do Acre. Nasce de um inconformismo, nasce do descontentamento, nasce da vontade de mudar. Entendeu?”

ContilNet: Quais são as tuas bandeiras assim. O que é que você levanta nessa pré-candidatura?

Luisinho: “Eu entendo, Everton, que o nosso estado viveu vários ciclos de economia, né? Muito capenga, mas viveu. Você sabe que nós viemos da extração da floresta, né? Da exploração da floresta, depois a gente vem aí com a pecuária, depois a agricultura familiar, o extrativismo… e a bandeira que eu levanto é a industrialização do estado do Acre. Não há outra forma do nosso estado crescer se ele não se industrializar. Minha bandeira é industrializar o Acre. Eu venho discutindo isso desde 2021, 2022, 2023… tentando colocar na cabeça dos meus irmãos acreanos que, se nós não industrializarmos o estado do Acre, nós não vamos sair do atraso do desemprego, da falta de renda, da falta de oportunidade. Não conheço uma nação no mundo, Everton, que teve a proeza de crescer sem indústria. Não adianta, não tem outra forma de um estado, uma nação crescer se ela não se industrializar. Porque você sabe que a indústria hoje ela é tudo, desde a hora que você entra dentro de casa à hora que você sai, você tem um produto que é industrializado. Então não dá pra gente entender que há outra forma de gerar emprego, outra forma de gerar renda. Minha bandeira é industrializar o Acre. Eu sou o pai do desenvolvimento econômico do estado do Acre. O que eu posso te afirmar, Everton, é que antes de eu chegar no Acre, a palavra ‘desenvolvimento econômico’ não existia no Acre. E desenvolvimento econômico ele começa com indústria, industrializar”.

ContilNet: Sobre essa questão do plano de Governo, você disse que já está com ele pronto. Está pronto desde quando?

Luisinho: “Eu, quando fui citado a ser candidato a senador pelo Acre, comecei a pensar: ‘o que eu vou fazer se eu for senador? O que eu vou fazer pelo povo acreano?’. O que um senador faz, na prática? Legislar. Mas você não consegue fazer muita coisa. E aí eu comecei a escrever as prioridades que o estado do Acre precisa, as coisas mais emergenciais, e acabei entendendo que eu teria que ser Executivo. Entendeu? Ir para o Executivo, eu tinha que ser candidato a governador.Daí surge um plano de governo. Aí nós estabelecemos 10 metas para o desenvolvimento econômico. Dentro do plano de governo, nós filtramos 10 metas para o desenvolvimento econômico que a gente pode citar num momento mais oportuno, né? A gente não consegue colocar isso agora porque, você sabe como é que é, política é estratégia. Você não pode jogar as cartas que você tem, quais são as propostas… até porque é muito imaturo no momento colocar. Mas a gente consegue fazer um apanhado: meu plano de governo está centrado na industrialização do estado do Acre. Aí você vem: tecnologia, logística, zona de livre comércio, banco de desenvolvimento econômico, plano anti-enchente, as casas populares imobiliárias com painéis fotovoltaicos, o ‘Agro 24 Horas’ para todos… isso você tem que ser governador para fazer.”

ContilNet: Para além das questões partidárias, a eleição desse ano aqui no Acre se pleiteia muito pessoalizada e ideologizada, no sentido de que a gente tem candidaturas do Bolsonaro, candidaturas do Lula, candidaturas de esquerda e candidaturas de direita… Como é que você se posiciona dentro desse espectro ideológico? Você se coloca como um político de centro, de direita, de esquerda?

Luisinho: “Eu costumo dizer que sou um democrata e, por ser um democrata, sou pragmático. Eu sou o resultado. Eu sou a escola funcionando, a creche funcionando, as estradas trafegáveis, a educação, a saúde. Para mim não interessa se foi esquerda ou direita que fez, o importante são as entregas que cada um teve a capacidade de entregar à população. Eu vejo assim: sou um democrata, sou pragmático. Eu olho para o Acre. Eu acho que essa polarização prejudica não somente o Acre, mas o Brasil como um todo. Acho que a gente tem que começar a olhar para frente, para um Acre com grande capacidade de crescer e que a gente deve esquecer as ideologias e começar a trabalhar para que isso possa acontecer. Em 2026, nós vamos ter que trabalhar uma palavra: união. Ou abraça essa ideia, ou morre todo mundo abraçado, porque nós estamos 30 anos atrasados em relação aos outros estados da federação brasileira. Por que estamos tão atrasados? Primeiro, nossos governantes — sem querer tirar mérito de ninguém — não tiveram a visão de enxergar o nosso estado como um estado com grande capacidade de crescer. Hoje nós somos a porta de entrada e saída do mundo. Temos que preparar esse estado, mas se a gente continuar nessa corrente ideológica ‘Lula-Bolsonaro’, a gente se desgasta e perde muita energia com isso. Temos que perder energia com coisas práticas, com pragmatismo, resultado, metas, coordenação e liderança, e entregar aquilo que a população espera.”

ContilNet: Mas você e seu partido devem apoiar um nome em 2026 à Presidência da República. Quem você acha, nesse cenário, que deve receber o seu apoio?

Luisinho: “Muitas águas vão rolar por debaixo dessa ponte. Para mim, Everton, eu não estou preocupado com Presidente da República agora. Estou preocupado com o Acre. Não tenho essa opinião ainda neste momento. Aquele que o povo brasileiro eleger foi a determinação do povo. Eu quero centralizar minhas energias no Acre. Se meu partido nacional disser ‘Luisinho, você tem que apoiar o candidato tal’, eu vou dizer: ‘meu presidente nacional, eu não vou concentrar minhas energias nesse aspecto, vou concentrar na minha campanha de governador’. Não querendo dizer que eu não tenha lado, mas a amplitude é muito grande para eu estar ali pedindo voto para fulano de tal. Vou pensar no Acre, no nosso projeto micro.”

ContilNet: Como será pra você construir essa candidatura pelo fato de que o partido não tem projeção no estado e não tem político com mandato. Qual o trabalho que vocês vão fazer nesse sentido, tanto para construir aliança quanto para construir uma projeção do partido?

Luisinho: “Everton, eu acho que as alianças, elas vão se construindo ao decorrer do tempo, né? O seu nome vai crescendo… o meu nome vai crescendo, quando eu falo ‘o seu’, estou citando um exemplo. O nome vai crescendo e as alianças vão surgindo. Correto? Elas vão surgindo.Só que eu te afirmo: se a aliança não for benéfica para o estado do Acre… eu não estou nesse projeto para chegar ali e fazer uma aliança e dizer ‘oh’… como muita gente lança candidaturas aventureiras, né? Candidatura aventureira é aquela que o cara vai lá, se lança, e na primeira proposta que chega, ele larga todo aquele projeto lindo, maravilhoso, e vai lá e faz uma aliança para ser isso, aquilo ou outro, entendeu? Então, as alianças vão surgindo. Se elas estiverem dentro do nosso contexto, dentro do nosso projeto, nós seremos capazes de fazer, porque acho que política é a democracia do diálogo, né? A gente está aberto para o diálogo. Só que, se não for benéfica para o estado do Acre, provavelmente esse partido Agir sai sozinho, com 24 candidatos a deputado estadual, 9 deputados federais, 2 candidatos ao senado e uma candidatura majoritária e um vice.Sem nenhum problema de dizer assim: ‘não teve aliança, saiu sozinho, único, carreira solo, ‘perdido’, mas nós vamos continuar nesta ideia’. Não me preocupo muito com aliança porque eu te falo sincero: como é que eu vou conseguir fazer alianças se hoje praticamente o jogo já está quase todo traçado? Se você analisar, o MDB já se entregou ao governo. Concorda comigo? Já se entregou ao governo. Aí o outro está ali… Então, no meu ponto de vista, o partido Agir segue carreira solo. Agora, também não descarto a possibilidade do diálogo, não descarto a possibilidade de aliança, desde que seja benéfica para o Acre.”

ContilNet: “E essa aliança que você fala inclui a possibilidade de abrir mão dessa candidatura para apoiar uma outra candidatura?

Luisinho: “Não, não há a mínima possibilidade. Se eu tiver 100 votos numa candidatura de majoritária de governador do estado, eu tirei 100 votos limpos, consciente e tranquilo. Não há a mínima possibilidade de eu abrir mão desta candidatura, porque eu estou pensando no Acre. Eu até costumo dizer: esse projeto não é meu, esse projeto é de Deus. Então eu não posso tergiversar, não posso negligenciar a missão que Deus me deu. Então eu não faria isso jamais, até porque eu entendo o posicionamento que você está falando. Muitas candidaturas dessas que surgem, surgem ali com o intuito de querer negociar, de querer barganhar, de querer tirar vantagem. Não! Nós estamos aqui por um projeto político. Se não for agora, vai ser na próxima, de prefeito. Se não for na próxima de prefeito, vai ser na próxima de governador. E um dia vai chegar. É um concurso público. Quem ganhou hoje, não concorre mais comigo; quem ganhou amanhã, não concorre mais comigo. Concorda comigo? E assim a gente vai superando cada fase. Um dia nós vamos construir isso. Então não há a mínima possibilidade de eu desistir para apoiar outra candidatura, por mais que queiram dizer ‘você vem candidato a deputado federal aqui, nós lhe damos o maior apoio, ou senador’, etc e tal. Não. A candidatura é majoritária porque nós viemos com esta missão de mudar e transformar o estado do Acre e deixar um legado, porque é o que o povo acreano precisa e merece.”

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