Controle de armamentos nĂŁo Ă© prioridade dos estados, diz Sou da Paz

Por AgĂȘncia Brasil 06/02/2026


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A pesquisa Ranking de transparĂȘncia de dados sobre armas de fogo nos estados, do Instituto Sou da Paz em parceria com o Instituto IgarapĂ©, mostrou que a falta de transparĂȘncia sobre a circulação de armas no Brasil evidĂȘncia que o controle de armamentos nĂŁo Ă© prioridade dos estados.Controle de armamentos nĂŁo Ă© prioridade dos estados, diz Sou da PazControle de armamentos nĂŁo Ă© prioridade dos estados, diz Sou da Paz

De 2021 a 2023, as polícias militares, civis e departamentos de Polícia Técnico-Científica (DPTC) das 27 unidades federativas não responderam 73% de pedidos de informaçÔes feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre investigação, controle interno e controle de entrada e saída de armas.

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“O alto percentual de perguntas sem respostas revela que as armas de fogo nĂŁo ocupam um lugar central entre as prioridades da atuação da força policial estadual no paĂ­s”, afirmou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz. Ela acrescenta que o fato de que, em muitos locais, esses tipos de dados sequer sĂŁo produzidos, tambĂ©m denota a baixa prioridade desse tema para as gestĂ”es locais.

Outro elemento que indica essa baixa prioridade do tema para os estados, segundo a especialista, é o baixo investimento na criação de delegacias especializadas no enfrentamento ao tråfico de armas (Desarmes). Somente seis estados contam com tais unidades atualmente (RS, ES, PB, CE, BA e RS).

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Questionamentos

O objetivo do levantamento foi mensurar o grau de transparĂȘncia das instituiçÔes da segurança pĂșblica com relação Ă s informaçÔes que produzem. Para isso, foram feitas cinco perguntas para a PolĂ­cia Militar; 13 para a PolĂ­cia Civil e cinco para os departamentos de PolĂ­cia TĂ©cnico-CientĂ­fica. 

Os questionamentos enviados estĂŁo divididos em trĂȘs grandes temas: 

  • controle de entrada e saĂ­da de armas (apreensĂŁo, custĂłdia, destruição);
  • investigação (rastreamento de origem, investigaçÔes em curso, armas com registro legal furtadas ou roubadas) e 
  • controle interno (compras pĂșblicas, furtos).

De acordo com a anĂĄlise, nenhum estado teve um nĂ­vel alto de transparĂȘncia de informaçÔes nĂŁo sensĂ­veis sobre as armas de fogo em 2023. Apenas os estados do Tocantins, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Mato Grosso do Sul tiveram nĂ­veis mĂ©dios de respostas aos questionamentos. JĂĄ o Acre, AmapĂĄ e PiauĂ­ apresentaram os nĂ­veis mais fracos de transparĂȘncia dos dados.

As polícias civis deixaram de responder 78% das perguntas da pesquisa, enquanto as polícias militares não responderam 70% dos questionamentos e os departamentos de Polícia Técnico-Científica, 66%.

“A transparĂȘncia de dados Ă© fundamental para que as polĂ­ticas de controle de armas de fogo sejam fiscalizadas de forma democrĂĄtica e responsĂĄvel pela população, assim como para que sejam monitoradas e avaliadas periodicamente pelas prĂłprias instituiçÔes pĂșblicas em sua gestĂŁo interna”, avaliou Carolina.

Falta de dados

Um dos destaques do levantamento Ă© que, em todo o perĂ­odo analisado, apenas em 2023 houve a resposta de um estado – o EspĂ­rito Santo – Ă  solicitação de dados de quantidade de armas apreendidas com base na Lei 13.880/2019, que determina a apreensĂŁo imediata de arma de fogo sob posse de agressor em caso de violĂȘncia domĂ©stica.

Os estados do Rio Grande do Sul e de Sergipe responderam apenas parcialmente a esse questionamento. 

“Em um paĂ­s em que a arma de fogo Ă© responsĂĄvel pela metade dos homicĂ­dios de mulheres, a produção dessas informaçÔes Ă© essencial para a avaliação da aplicação da lei, evitando que casos de violĂȘncia domĂ©stica se agravem”, ressaltou Carolina.

Entre as boas pråticas que podem mudar o cenårio atual, a especialista mencionou a necessidade de que os mecanismos de coleta e sistematização de informaçÔes sobre armas de fogo sejam padronizados no país. 

“O MinistĂ©rio da Justiça e Segurança PĂșblica tem um papel central nesse processo e deve demandar dos estados a geração de informaçÔes integradas, alimentando o Sistema Único de Segurança PĂșblica”, disse.

O Sou da Paz avalia que tambĂ©m Ă© importante fortalecer o controle interno das armas de fogo e muniçÔes Ă  disposição das forças de segurança pĂșblica estatais. 

“Realizar esse controle e fiscalização de forma sistemática, por exemplo, com sistemas de inventário em tempo real e com bons protocolos de acesso aos arsenais, reduz a chance de desvios de armas de fogo que alimentam o crime organizado”, sugeriu a entidade.

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