A pesquisa Ranking de transparĂȘncia de dados sobre armas de fogo nos estados, do Instituto Sou da Paz em parceria com o Instituto IgarapĂ©, mostrou que a falta de transparĂȘncia sobre a circulação de armas no Brasil evidĂȘncia que o controle de armamentos nĂŁo Ă© prioridade dos estados.

De 2021 a 2023, as polĂcias militares, civis e departamentos de PolĂcia TĂ©cnico-CientĂfica (DPTC) das 27 unidades federativas nĂŁo responderam 73% de pedidos de informaçÔes feitos via Lei de Acesso Ă Informação (LAI) sobre investigação, controle interno e controle de entrada e saĂda de armas.
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âO alto percentual de perguntas sem respostas revela que as armas de fogo nĂŁo ocupam um lugar central entre as prioridades da atuação da força policial estadual no paĂsâ, afirmou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz. Ela acrescenta que o fato de que, em muitos locais, esses tipos de dados sequer sĂŁo produzidos, tambĂ©m denota a baixa prioridade desse tema para as gestĂ”es locais.
Outro elemento que indica essa baixa prioridade do tema para os estados, segundo a especialista, é o baixo investimento na criação de delegacias especializadas no enfrentamento ao tråfico de armas (Desarmes). Somente seis estados contam com tais unidades atualmente (RS, ES, PB, CE, BA e RS).
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Questionamentos
O objetivo do levantamento foi mensurar o grau de transparĂȘncia das instituiçÔes da segurança pĂșblica com relação Ă s informaçÔes que produzem. Para isso, foram feitas cinco perguntas para a PolĂcia Militar; 13 para a PolĂcia Civil e cinco para os departamentos de PolĂcia TĂ©cnico-CientĂfica.Â
Os questionamentos enviados estĂŁo divididos em trĂȘs grandes temas:Â
- controle de entrada e saĂda de armas (apreensĂŁo, custĂłdia, destruição);
- investigação (rastreamento de origem, investigaçÔes em curso, armas com registro legal furtadas ou roubadas) eÂ
- controle interno (compras pĂșblicas, furtos).
De acordo com a anĂĄlise, nenhum estado teve um nĂvel alto de transparĂȘncia de informaçÔes nĂŁo sensĂveis sobre as armas de fogo em 2023. Apenas os estados do Tocantins, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Mato Grosso do Sul tiveram nĂveis mĂ©dios de respostas aos questionamentos. JĂĄ o Acre, AmapĂĄ e PiauĂ apresentaram os nĂveis mais fracos de transparĂȘncia dos dados.
As polĂcias civis deixaram de responder 78% das perguntas da pesquisa, enquanto as polĂcias militares nĂŁo responderam 70% dos questionamentos e os departamentos de PolĂcia TĂ©cnico-CientĂfica, 66%.
âA transparĂȘncia de dados Ă© fundamental para que as polĂticas de controle de armas de fogo sejam fiscalizadas de forma democrĂĄtica e responsĂĄvel pela população, assim como para que sejam monitoradas e avaliadas periodicamente pelas prĂłprias instituiçÔes pĂșblicas em sua gestĂŁo internaâ, avaliou Carolina.
Falta de dados
Um dos destaques do levantamento Ă© que, em todo o perĂodo analisado, apenas em 2023 houve a resposta de um estado – o EspĂrito Santo – Ă solicitação de dados de quantidade de armas apreendidas com base na Lei 13.880/2019, que determina a apreensĂŁo imediata de arma de fogo sob posse de agressor em caso de violĂȘncia domĂ©stica.
Os estados do Rio Grande do Sul e de Sergipe responderam apenas parcialmente a esse questionamento.Â
âEm um paĂs em que a arma de fogo Ă© responsĂĄvel pela metade dos homicĂdios de mulheres, a produção dessas informaçÔes Ă© essencial para a avaliação da aplicação da lei, evitando que casos de violĂȘncia domĂ©stica se agravemâ, ressaltou Carolina.
Entre as boas prĂĄticas que podem mudar o cenĂĄrio atual, a especialista mencionou a necessidade de que os mecanismos de coleta e sistematização de informaçÔes sobre armas de fogo sejam padronizados no paĂs.Â
âO MinistĂ©rio da Justiça e Segurança PĂșblica tem um papel central nesse processo e deve demandar dos estados a geração de informaçÔes integradas, alimentando o Sistema Ănico de Segurança PĂșblicaâ, disse.
O Sou da Paz avalia que tambĂ©m Ă© importante fortalecer o controle interno das armas de fogo e muniçÔes Ă disposição das forças de segurança pĂșblica estatais.Â
âRealizar esse controle e fiscalização de forma sistemĂĄtica, por exemplo, com sistemas de inventĂĄrio em tempo real e com bons protocolos de acesso aos arsenais, reduz a chance de desvios de armas de fogo que alimentam o crime organizadoâ, sugeriu a entidade.

