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Criança indígena morre por desnutrição no Acre e Ministério Público aponta omissão dos pais

Por Anne Nascimento, ContilNet

Uma criança indígena morreu, no último dia 25 de janeiro, em Brasiléia, após apresentar um quadro grave de desnutrição, diarreia constante e vacinação atrasada, mesmo depois de reiteradas orientações feitas por profissionais de saúde à família. O caso foi acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), que apontou omissão dos genitores e determinou o envio dos autos para a área criminal, para apuração de possível responsabilidade penal. As informações foram divulgadas na edição desta segunda-feira (2) do diário eletrônico da instituição.

A situação chegou ao conhecimento do MP por meio de um comunicado de uma agente comunitária de saúde, que relatou que a criança apresentava sinais evidentes de desnutrição e não estava recebendo atendimento médico adequado. Segundo os registros, a família foi orientada diversas vezes, mas não tomou providências efetivas.

A situação chegou ao conhecimento do MP por meio de um comunicado de uma agente comunitária de saúde, que relatou que a criança apresentava sinais evidentes de desnutrição | Foto: Ilustração

Relatórios médicos confirmaram que a criança sofria de marasmo nutricional, condição grave associada à desnutrição extrema. Exames laboratoriais foram solicitados e vacinas chegaram a ser aplicadas, mas, de acordo com a rede de proteção, o acompanhamento foi prejudicado pela alta mobilidade da família indígena e pela resistência do pai em dialogar com os profissionais.

O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) informou que, durante várias tentativas de visita, a criança não foi localizada no domicílio. Ainda assim, equipes de saúde chegaram a ser enviadas até a região para tentar realizar o atendimento.

Antes da adoção de medidas mais rigorosas, como a aplicação de medidas de proteção, a criança faleceu, conforme relatório social do Hospital Regional do Alto Acre.

Diante do óbito, o Ministério Público decidiu arquivar o procedimento administrativo, já que o objetivo principal era garantir a proteção da criança em vida. No entanto, o promotor responsável destacou que a morte ocorreu em um contexto de negligência familiar, uma vez que os pais tinham o dever legal de cuidado e foram alertados sobre a gravidade do quadro.

Por esse motivo, o caso foi encaminhado à Promotoria Criminal de Brasiléia, que vai analisar se houve crime por omissão, conforme previsto no Código Penal, quando alguém deixa de agir mesmo tendo obrigação e condições de evitar um resultado grave.

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