A delegada Amanda Souza concedeu entrevista à BBC Brasil relembrando o dia em que recebeu uma ligação do ex-companheiro pouco antes do assassinato dos dois filhos do casal. Segundo ela, o homem afirmou que o futuro dela seria “de tristeza e solidão” e, em seguida, declarou: “Parabéns, você conseguiu o que queria. Eu matei os seus dois filhos”.
Em relato à reportagem, Amanda contou que, ao receber a notícia, correu para casa não como delegada de polícia, mas como uma mãe desesperada. Ela foi a primeira a chegar ao local do crime. A delegada destacou que a fala do ex-companheiro fazia parte de um histórico de ameaças e comportamentos abusivos.
Amanda decidiu tornar sua história pública como forma de alerta para outras mulheres. Segundo ela, o objetivo é que o caso sirva como exemplo dos sinais que podem anteceder situações extremas de violência. A delegada reforça a importância de levar a sério ameaças, mudanças de comportamento e atitudes controladoras dentro de relacionamentos, destacando que a violência pode escalar rapidamente.
Recentemente, a delegada, que é titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Cametá (PA), voltou às redes sociais para manifestar solidariedade à mãe dos dois meninos assassinados pelo próprio pai, o secretário de Governo Thales Machado. No vídeo, ela criticou comentários que tentam responsabilizar a mãe das vítimas.
“É absurdo, nojento, doentio, frustrante e desumano o que eu estou vendo”, afirmou Amanda ao rebater as críticas que circulam nas redes sociais. Para ela, esse tipo de discurso reforça a culpabilização feminina e desvia o foco da responsabilidade de quem comete o crime.
Ao final da publicação, a delegada fez um apelo por mais empatia e humanidade. “Vamos ter mais empatia, porque esses comentários dão legitimidade para a gente continuar morrendo diariamente da forma que a gente está morrendo”, declarou, defendendo que o debate público precisa contribuir para a proteção das mulheres e não para ampliar a violência.

