Eficiência interna e segurança: o desafio de otimizar estoques em um mercado de galpões disputado

O mercado logístico brasileiro vive um paradoxo. Enquanto empresas buscam expandir suas operações para atender à demanda do e-commerce e do varejo, o espaço físico disponível para locação torna-se cada vez mais escasso.

Relatórios de consultorias especializadas, como a JLL, apontaram que a taxa de vacância (imóveis vazios) de galpões de alto padrão atingiu a mínima histórica de 7,9% no primeiro trimestre de 2025. Para o gestor de operações, esse dado traduz-se em uma realidade prática: se mudar para um galpão maior é difícil e caro, a única saída viável é otimizar o espaço que já se tem.

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Essa pressão pelo metro quadrado exige que o “lado de dentro” do armazém seja repensado. Não se trata apenas de empilhar caixas, mas de aplicar engenharia de fluxo para verticalizar o estoque sem comprometer a velocidade de expedição. Nesse cenário, o layout e a escolha das estruturas metálicas deixam de ser detalhes construtivos e passam a ser o fiel da balança entre uma operação rentável e um gargalo logístico.

O custo invisível da desorganização: segurança e acidentes

Quando um estoque cresce de forma desordenada para compensar a falta de espaço, o risco operacional dispara. O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou um dado alarmante: foram registrados 724.228 acidentes de trabalho no Brasil em 2024.

Embora esse número englobe diversos setores, ele serve como um alerta crítico para áreas de movimentação de carga, onde empilhadeiras e pedestres dividem corredores estreitos.

Em armazéns improvisados, acidentes ocorrem frequentemente por falhas de layout: corredores bloqueados por mercadoria “sem lugar”, estruturas subdimensionadas para o peso da carga ou falta de sinalização, com esse trabalho sendo reconhecido como uma medida preventiva de segurança do trabalho (SMS) que reduz afastamentos e protege o patrimônio da empresa.

Verticalização inteligente: densidade versus acessibilidade

A resposta técnica para a falta de área de piso é a verticalização, mas ganahr as alturas exige critério. A decisão entre usar um porta-paletes convencional, um sistema de drive-in ou estantes leves depende do perfil da carga (paletizada ou fracionada) e da rotatividade (giro) do produto.

Para operações híbridas — muito comuns em empresas que atendem tanto B2B quanto consumidor final —, o desafio é criar zonas mistas. É preciso ter estruturas robustas para o “pulmão” do estoque (o grosso da carga) e áreas de picking (separação) acessíveis para itens soltos. O erro mais comum é tentar adaptar tudo em uma única solução genérica, o que resulta em perda de espaço aéreo ou dificuldade de acesso aos itens de maior giro.

Especificação técnica como ferramenta de planejamento

A escolha da infraestrutura deve ser tratada como um projeto de engenharia. A capacidade de carga de uma longarina ou a estabilidade de uma estante de aço não são detalhes que podem ser decididos pelo “menor preço”, sob risco de colapso estrutural. O gestor precisa avaliar a modularidade: a estrutura comprada hoje suportará uma mudança de mix de produtos amanhã?

Nesse planejamento, o acesso a catálogos técnicos de fornecedores especializados é vital para comparar especificações de carga e dimensões. Consultar linhas completas de equipamentos para estoque e armazenagem permite ao responsável pela obra ou pelo facilities desenhar um ambiente integrado, onde a estrutura de aço do galpão “conversa” com o mobiliário de apoio administrativo, garantindo que a operação flua do recebimento à emissão da nota fiscal sem improvisos.

A flexibilidade do layout como resposta ao varejo omnichannel

O perfil do consumo mudou drasticamente nos últimos anos. Antigamente, um centro de distribuição servia quase exclusivamente para abastecer lojas físicas com caixas fechadas e paletes inteiros.

Hoje, com a consolidação do modelo omnichannel, o mesmo galpão precisa processar pedidos de atacado e unidades fracionadas para o consumidor final do e-commerce. Essa dualidade operacional exige que as estruturas de armazenagem não sejam estáticas.

Um layout “engessado”, difícil de modificar, torna-se um passivo operacional imediato quando a demanda muda ou quando uma campanha sazonal (como Black Friday) exige a criação de áreas extras de expedição rápida.

Investir em sistemas modulares — como mini porta-paletes que permitem ajuste de níveis sem solda ou gôndolas que podem ser remanejadas — é uma estratégia financeira inteligente. Isso permite que o gestor redesenhe corredores e zonas de picking conforme a necessidade do negócio, sem precisar demolir estruturas ou comprar todo o ativo novamente.

A capacidade de reconfiguração rápida do ambiente físico é, atualmente, tão valiosa quanto a tecnologia de gestão. Estruturas versáteis garantem que o armazém acompanhe a velocidade do mercado, permitindo a criação de áreas de cross-docking ou staging temporário sem grandes obras civis, preservando o fluxo de caixa e a agilidade da operação logística.

A ergonomia no centro da produtividade

A eficiência logística não depende apenas de máquinas e prateleiras; depende de pessoas. A separação de pedidos, a conferência de notas e a etiquetagem são tarefas repetitivas que exigem suporte ergonômico. Bancadas de conferência na altura incorreta ou áreas de expedição mal iluminadas geram fadiga e erros operacionais que custam caro no final do processo.

Integrar o mobiliário corporativo (mesas, cadeiras e estações de trabalho) ao ambiente industrial do galpão é uma tendência forte. Criar “ilhas” de trabalho administrativo próximas à operação, com conforto acústico e ergonômico, agiliza a resolução de problemas e melhora a qualidade de vida da equipe, reduzindo o turnover em um setor onde a mão de obra qualificada é disputada.

O impacto da armazenagem no custo total logístico

Por fim, a organização interna reflete diretamente no bolso da empresa. Dados da ABRALOG, baseados em estudos do ILOS, mostram que os custos com transporte no Brasil superaram R$ 940 bilhões em 2024. Embora o frete seja a face visível desse custo, muitas vezes a ineficiência começa dentro de casa: caminhões parados esperando carga, pedidos expedidos errados por falha de separação ou avarias por armazenamento incorreto.

Um armazém bem estruturado, com fluxo lógico e equipamentos dimensionados para a demanda, funciona como um “amortecedor” para a cadeia logística. Ele garante que o veículo seja carregado rápido e com a carga correta, protegendo a margem da empresa e garantindo o nível de serviço prometido ao cliente.

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