Minutos antes de entrar na avenida, nesta segunda-feira (16), enquanto a bateria aquecia e os foliões se organizavam, Jerder Paiva parou em silêncio, segurando o maracá, e fez uma oração. O gesto, discreto, carregava uma história profunda: fé, saudade e compromisso com a comunidade do Bairro 15.
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Representando o pajé no desfile deste ano, Jerder explicou que aquele momento era, antes de tudo, um agradecimento – e também uma homenagem ao pai, que faleceu em uma noite de Carnaval.
“Primeiro, eu estava agradecendo a Deus por esse momento. Depois, pedindo força ao meu pai, que faleceu numa noite de carnaval. Ele amava isso aqui, fazia parte do Bairro 15, vivia essa cultura intensamente. Então, quando eu entro na avenida, eu não entro só por mim. Eu entro por ele, pela minha filha, que está aqui, pela nossa família inteira. Isso significa muito para nós”, declarou, emocionado.
Com o maracá nas mãos e caracterizado como pajé, ele afirma que a apresentação vai além da fantasia: é identidade.
“A gente vem mostrar quem nós somos de verdade. Mostrar a nossa cultura, o nosso trabalho, a força do bairro 15. Não é só um desfile, é representação. É dizer que a nossa história está viva”.
Jerder também relembrou que o grupo enfrentou imprevistos ao longo do último ano, mas que as dificuldades não enfraqueceram o coletivo.
“Desde o ano passado aconteceram situações inesperadas, coisas que poderiam ter desanimado qualquer um. Mas em nenhum momento isso abalou a gente. Pelo contrário, a gente se uniu ainda mais. Pedimos força do além, pedimos proteção, e viemos determinados a fazer um belíssimo desfile. A população que está aqui pode ter certeza: vai ver muita dedicação, muita entrega e muito respeito”, finalizou.

