Tem dia que a energia some sem aviso. A pessoa acorda, cumpre o básico e já sente o corpo pesado, a cabeça lenta e a vontade de deitar. Em muitas mulheres, esse cansaço começa a aparecer na fase de transição para a menopausa e vira uma queixa frequente no consultório.
A menopausa não é só a interrupção da menstruação. Ela pode mexer com sono, humor, temperatura do corpo, memória e até com a forma como o corpo usa energia.
Quando essas mudanças se somam, o resultado pode ser a sensação de bateria fraca, mesmo em semanas em que a rotina não parece ter mudado.
Ao mesmo tempo, cansaço e falta de energia não têm uma única causa. Falta de ferro, alterações da tireoide, baixa de vitaminas, estresse e ansiedade também entram na lista.
Por isso, o olhar do endocrinologista costuma juntar sintomas, histórico e exames para separar o que é esperado da fase do que precisa de investigação e cuidado direcionado.
O que muda no corpo na transição para a menopausa
Segundo uma endocrinologista especializada em tratamentos para menopausa em Goiânia, antes da menopausa se instalar, existe um período chamado perimenopausa. Nessa fase, os hormônios não caem de uma vez, eles variam. Em uma semana a pessoa se sente bem, na outra sente ondas de calor, irritação e um cansaço fora do normal. Essa montanha russa pode acontecer por meses ou por alguns anos.
Quando os níveis hormonais oscilam, o corpo pode responder com sinais que parecem soltos, mas costumam estar conectados. Veja alguns que aparecem com frequência:
- sono leve, com despertares ao longo da noite
- ondas de calor e suor noturno
- mudanças de humor e maior sensibilidade a estresse
- queda de disposição para atividade física
- dificuldade de concentração e sensação de mente cansada
O ponto central é que energia não depende só de força de vontade. Ela depende de sono de qualidade, alimentação, movimento, saúde emocional e equilíbrio hormonal. Na transição da menopausa, vários desses pilares podem balançar ao mesmo tempo.
Por que cansaço e falta de energia na menopausa podem piorar
O cansaço na menopausa costuma ter cara de fadiga acumulada. Não é só dormir pouco uma noite, é perder qualidade de sono por semanas.
O corpo até deita, mas não descansa direito. Quando isso acontece, a pessoa pode acordar já cansada e passar o dia tentando se manter no modo automático.
Alguns caminhos explicam por que essa sensação aparece com tanta força:
- sono fragmentado: suor noturno, calor e ansiedade podem quebrar o sono. Com isso, a recuperação fica incompleta.
- mudança no humor: irritabilidade e tristeza podem drenar energia. A cabeça trabalha sem parar e o corpo sente.
- redução de massa muscular: com o passar do tempo, o corpo perde músculo com mais facilidade. Menos músculo pode significar menos vigor no dia a dia.
- alimentação e apetite oscilando: pular refeições, comer muito tarde ou exagerar em açúcar pode gerar picos e quedas de energia.
- sedentarismo por desânimo: a falta de energia faz a pessoa se mexer menos, e mexer menos reduz ainda mais a energia.
Uma cena comum é a mulher que sempre deu conta de tudo e começa a se sentir diferente. Ela tenta compensar com café e mais esforço, mas o corpo não acompanha. Nesses casos, vale olhar para a fase da vida e para o conjunto, não só para uma noite mal dormida.
Quando investigar e que exames podem ajudar
Dra. Camila Farias, médica endocrinologista em Goiânia (GO), alerta que, nem todo cansaço na menopausa é só da transição hormonal. Tem situações em que o corpo está pedindo avaliação para descartar outras causas.
Um endocrinologista costuma começar com perguntas simples: quando começou, como está o sono, como anda o humor, se houve ganho de peso, se a alimentação mudou, se há falta de ar, palpitações ou tonturas.
Em muitos casos, os exames ajudam a organizar o quebra cabeça. Entre os pedidos mais comuns estão:
- hemograma completo (para avaliar anemia e infecções)
- ferritina e ferro (para checar estoques de ferro)
- TSH e T4 livre (para tireoide)
- glicemia e hemoglobina glicada (para alterações de açúcar no sangue)
- vitamina D e vitamina B12 (quando há sinais compatíveis)
- perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos)
Em paralelo, a avaliação pode considerar sintomas de apneia do sono, especialmente quando existe ronco forte, pausas na respiração percebidas por alguém da casa e sonolência intensa durante o dia.
Também pode ser necessário revisar remédios que a pessoa já usa, já que alguns podem aumentar sonolência ou reduzir disposição.
O que costuma ajudar no dia a dia
Quando cansaço e falta de energia na menopausa viram rotina, pequenas mudanças podem fazer diferença. O objetivo não é virar outra pessoa de uma hora para outra. O objetivo é criar condições para o corpo voltar a recuperar energia, aos poucos, com constância.
Hábitos que protegem o sono
- tentar manter horário parecido para dormir e acordar
- diminuir telas perto do horário de deitar
- evitar refeições pesadas tarde da noite
- reduzir cafeína depois do início da tarde
- deixar o quarto mais fresco e escuro
Movimento que não esgota
Em fase de baixa energia, a ideia é começar pequeno. Uma caminhada curta, alongamentos leves ou exercícios de força com pouca carga podem ser melhores do que tentar fazer tudo e desistir em uma semana. O corpo responde bem quando percebe regularidade.
Comida que sustenta energia
- priorizar proteína em todas as refeições principais
- colocar fibras no prato, como legumes, verduras e feijão
- trocar lanches muito doces por opções mais estáveis, como fruta com iogurte
- beber água ao longo do dia, sem esperar a sede virar dor de cabeça
Em alguns casos, o plano inclui discutir opções de tratamento para sintomas da menopausa, sempre com avaliação individual. O que é ótimo para uma pessoa pode não ser indicado para outra, então a decisão precisa considerar histórico, exames e objetivos.
Sinais de alerta para buscar atendimento mais rápido
Fadiga pode acontecer na transição da menopausa, só que alguns sinais pedem atenção sem enrolar. Procure avaliação médica se houver:
- cansaço que piora rápido e impede tarefas simples
- falta de ar, dor no peito ou palpitações
- tonturas frequentes ou desmaios
- perda de peso sem explicação
- tristeza intensa, falta de prazer e isolamento
- sono muito ruim por várias semanas, com impacto grande no dia
O cansaço e a falta de energia na menopausa têm solução na maioria das vezes, quando a causa é identificada e o cuidado vira rotina. Dá para melhorar sono, recuperar disposição e voltar a sentir firmeza no dia a dia.
O caminho mais seguro é não normalizar sofrimento e buscar orientação de uma endocrinologista com ampla experiência para entender o que seu corpo está comunicando.

