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Estudo aponta Acre entre os estados com mais casos de violência política no país

Por Suene Almeida, ContilNet

Um estudo nacional sobre violência política no Brasil acende um alerta também para o Acre, que aparece entre os estados com maior número proporcional de casos. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e analisou episódios ocorridos entre 2003 e 2023.

Ao longo de 20 anos, 1.228 pessoas foram vítimas de violência política no país. Desse total, 760 foram assassinadas, 358 sofreram tentativas de homicídio e 110 receberam ameaças graves de morte. Os dados incluem políticos – como prefeitos, vereadores, candidatos e ex-ocupantes de cargos – além de ativistas ligados a sindicatos, movimentos sociais e organizações civis.

A  pesquisa mostra que a maioria dos ataques teve como alvo políticos em atuação ou ligados à política local| Foto: Paulo Pinto, Agência Brasil

 

No recorte por estado, o Acre aparece em segundo lugar no ranking nacional, com 16,2 casos de violência política a cada 1 milhão de eleitores, ficando atrás apenas de Alagoas. O dado chama atenção por se tratar de um estado com menor população, mas com índice elevado quando comparado proporcionalmente a outras regiões do país.

A pesquisa mostra que a maioria dos ataques teve como alvo políticos em atuação ou ligados à política local. Cerca de 88% dos casos envolvendo políticos ocorreram no nível municipal, o que indica que disputas em cidades pequenas e médias são especialmente vulneráveis à violência. Segundo os pesquisadores, conflitos por poder, cargos e controle de recursos públicos explicam quase metade das ocorrências.

Enquanto os políticos são mais atacados em áreas urbanas, principalmente durante eleições municipais, os ativistas enfrentam maior risco em zonas rurais e florestais, onde aconteceram mais de 70% das mortes desse grupo. No Acre, esse cenário dialoga com a realidade de municípios do interior e regiões de difícil acesso.

Outro dado preocupante é o uso de armas de fogo, responsáveis por 88% dos assassinatos registrados no estudo. Para os especialistas, esse tipo de crime indica ações planejadas, e não episódios impulsivos ou motivados apenas por conflitos pessoais.

A coordenadora do estudo, a professora Angela Alonso, explica que a pesquisa foi baseada na análise de milhares de notícias publicadas ao longo de duas décadas, com uso de tecnologia para filtrar e organizar os dados. O levantamento aponta que, apesar de oscilações ao longo dos governos, a violência política segue sendo um problema estrutural no país.

 

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