Existe criança ruim? Psicóloga explica por que o comportamento infantil não deve ser rotulado

Em conversa com o ContilNet, especialista em neuropsicologia afirma que atitudes difíceis são formas de comunicação emocional e reforça o papel do adulto no desenvolvimento infantil

Por Dry Alves, ContilNet 08/02/2026 Ă s 15:11 Atualizado: hĂĄ 3 meses

A pergunta “existe criança ruim?” Ă© mais comum do que parece e costuma surgir diante de comportamentos considerados difĂ­ceis ou desafiadores. Em conversa com o ContilNet, a psicĂłloga clĂ­nica e especialista em neuropsicologia Fernanda Saab foi categĂłrica ao responder.

PsicĂłloga clĂ­nica e especialista em neuropsicologia Fernanda Saab

PsicĂłloga clĂ­nica e especialista em neuropsicologia Fernanda Saab/Foto: Cedida

“NĂŁo existe criança ruim. O que existe sĂŁo crianças em processo de desenvolvimento, tentando lidar com emoçÔes que ainda nĂŁo sabem compreender nem expressar”, afirmou.

Segundo a profissional, a criança nĂŁo nasce sabendo controlar impulsos, frustraçÔes ou sentimentos intensos, e esse aprendizado acontece ao longo do tempo, principalmente por meio da convivĂȘncia com os adultos. “Isso Ă© algo que a criança aprende, e aprende com o adulto”, explicou.

Existe criança ruim? Psicóloga explica por que o comportamento infantil não deve ser rotulado

Existe criança ruim? Psicóloga explica por que o comportamento infantil não deve ser rotulado/Foto: Adrian McDonald

A psicĂłloga ressaltou que comportamentos agressivos, impulsivos ou desafiadores nĂŁo definem quem a criança Ă©, mas sim o que ela estĂĄ sentindo ou vivendo naquele momento. “Muitas vezes, esse comportamento Ă© a Ășnica forma que a criança encontra para dizer: ‘eu nĂŁo estou bem’ ou ‘eu preciso de ajuda’”, pontuou.

Para Fernanda Saab, Ă© fundamental compreender que o comportamento infantil funciona como uma linguagem. “Comportamento Ă© linguagem. Antes de rotular uma criança, precisamos escutĂĄ-la, mesmo quando ela nĂŁo usa palavras”, destacou.

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Ela tambĂ©m reforçou que a mudança de postura dos adultos Ă© determinante no processo educativo. “A pergunta que realmente nos ajuda nĂŁo Ă© ‘o que hĂĄ de errado com essa criança?’, mas sim ‘o que estĂĄ acontecendo com essa criança?’”, disse. “Quando o adulto muda o olhar, muda a forma de agir. E quando o adulto muda, a criança tambĂ©m muda.”

Na avaliação da especialista, educar vai muito alĂ©m de corrigir condutas. “Educar nĂŁo Ă© corrigir alguĂ©m que seria ‘ruim’. Educar Ă© acompanhar, orientar e cuidar de alguĂ©m que ainda estĂĄ aprendendo a ser gente”, concluiu. “Toda criança que dĂĄ trabalho, na verdade, estĂĄ com trabalho por dentro.”

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