Com 40 anos de trajetória no Carnaval, o cantor Álamo Kário é uma das atrações confirmadas na festa deste ano em Rio Branco, que, em 2026, terá exclusivamente artistas locais na programação. Para ele, a escolha representa reconhecimento e valorização de quem construiu carreira no estado. Para conversar um pouco sobre o momento, o ContilNet conversou com o músico, que está se preparando para uma folia das boas.
“É sempre motivo de alegria, de satisfação, de energia estar participando de mais um Carnaval. Esse ano eu faço 40 anos de Carnaval como atração local. Eu fico lisonjeado, porque eu tenho uma história muito grande nos carnavais municipais e estaduais aqui do Acre”, afirmou.
O artista destacou que ser lembrado pela gestão pública tem peso simbólico e profissional.
“Dizer da alegria de estar de volta e ser valorizado pela gestão, ser lembrado, é sempre bom. Espero que seja vista essa história do artista local. Às vezes o artista local é visto como menor do que o artista nacional, e o trabalho da gente é, muitas vezes, bem melhor do que muitos cantores que fazem sucesso a nível nacional. Claro que não desprivilegiando nenhum artista que merece estar aqui, mas fico feliz de ser lembrado e de estar participando”.
“É sempre motivo de alegria, de satisfação, de energia estar participando de mais um Carnaval”, diz Álamo Kário. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Álamo também defende que a valorização vá além do período carnavalesco. “As gestões deveriam valorizar financeiramente, ou seja, pagar um cachê bom pelo menos umas três vezes no ano. Réveillon, Carnaval e outras festas da cidade. O artista profissional faz música com garra, leva alegria para a comunidade, mas também vive disso. Quando o dinheiro é investido nos artistas locais, a economia roda.”
Segundo ele, além de “acreditar” nos talentos da terra, é preciso fomentar. “Tem que sempre abrir espaço, investir, incentivar, pagar bem. Fomentar os artistas acreanos é mais contundente do que apenas dizer que acredita”.
Artistas locais para eventos em Rio Branco
O cantor reconhece que parte do público ainda associa grandes eventos a nomes nacionais. “Às vezes de uma maneira muito negativa, como se as atrações nacionais fossem maiores no contexto da arte do que nós, artistas locais. Mas temos bons nomes no Carnaval que dão perfeitamente para levar alegria e energia para a comunidade.”
Natural de Mossoró (RN), Álamo chegou ao Acre em 1990 e nunca mais saiu. “Eu lancei meu primeiro disco em 1986. Fiz shows pelo Nordeste e, em 1990, vim para o Acre para fazer comícios. Era para ter voltado, mas estou aqui até hoje. Vou fazer 36 anos de Acre, vivendo exclusivamente da minha música”.
Álamo também defende que a valorização vá além do período de Carnaval. Foto: Meure Amorim/Dircom
Com quatro discos lançados, premiações em festivais, como o Festival Acreano de Música Popular (Famp) onde conquistou melhor arranjo e melhor intérprete. “Tenho 40 anos de vida artística, de músico, cantor, compositor e produtor. E vivendo esses 40 anos com muita alegria”, finaliza.
Festa até a madrugada
A primeira noite de Carnaval começa às 18 horas com o comando do DJ Malvadeza, que anima o público até as 22 horas. Um dos momentos mais aguardados da programação acontece das 19 horas às 21 horas, com a escolha do Rei Momo e da Rainha da festa.
Na sequência, às 21h30, Álamo Kário e Banda sobem ao palco, abrindo espaço para o DJ Júlio às 22h. Às 23h, é a vez de Ferdiney Ryos, que retorna aos palcos após meses afastado por problemas de saúde, em um show previsto para durar até 0h30. Encerrando a primeira noite de folia, Eduardo Casseb assume o palco à 1h e segue até as 3h da madrugada.

