Na última sexta-feira (6), uma jovem de 20 anos foi esfaqueada 15 vezes por um homem que insistia em aproximações mesmo após ser rejeitado pela vítima em São Gonçalo (RJ). O suspeito foi preso em flagrante e responde por tentativa de feminicídio. O episódio reacende um problema que vem crescendo no Brasil: o crime de stalking — ou perseguição repetitiva que ameaça a integridade física e psicológica da vítima.
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Segundo dados recentes, mais de 95 mil mulheres vítimas de perseguição foram registradas no Brasil em 2024, o que equivale a cerca de 10 mulheres por hora enfrentando esse tipo de violência.
Quando a “paquera” vira crime
Para a delegada Raquel Gallinati, em entrevista ao BacciNotícias, a linha que separa um gesto de interesse de uma conduta criminosa está na repetição e na rejeição da vítima:
“Uma paquera pressupõe reciprocidade. Quando há rejeição clara e a conduta persiste de forma reiterada, não estamos mais falando de interesse afetivo — estamos diante de possível crime.”
Raquel lembra que a lei 14.132/2021 tipificou o stalking como perseguição que ameaça a integridade física ou psicológica, restringe a liberdade ou invade a privacidade, e enfatiza que “insistência sem consentimento é violência psicológica”.
Sinais de alerta
A delegada aponta comportamentos que muitas vezes são vistos como “inofensivos”, mas podem indicar escalada de risco:
“Mensagens excessivas após uma negativa, monitoramento de rotina, aparições frequentes ‘por acaso’, ligações insistentes, controle e vigilância” são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
O que fazer ao perceber a perseguição
Raquel destaca que minimizar a situação é um erro comum:
“A vítima deve cortar contato de forma objetiva, preservar provas e registrar ocorrência. Não se deve negociar ou tentar ‘administrar’ o comportamento do perseguidor.”
Segundo ela, impressões ou intenções não bastam — a repetição é o elemento central. Por isso, guardar prints de mensagens, registros de ligações, e-mails, fotos, vídeos e relatos de testemunhas é fundamental para a investigação policial.
A polícia pode agir antes de uma agressão física
A delegada afirma que sim:
“Essa é justamente a finalidade da lei. A polícia pode instaurar investigação e o Judiciário pode conceder medidas protetivas, como proibição de contato e de aproximação.”
Medidas como essas podem ser fundamentais para interromper a escalada antes que a perseguição evolua para violência física.
Rede de apoio e vigilância social
Raquel também faz um alerta às redes de apoio da vítima:
“Mudanças comportamentais, medo constante, sensação de vigilância e controle obsessivo são sinais sérios. O silêncio da rede de apoio frequentemente fortalece o agressor.”
Casos recentes no Brasil
O problema afeta desde pessoas anônimas até figuras públicas. Em dezembro de 2025, um homem foi preso após tentar invadir o condomínio da atriz Ísis Valverde; ele vinha perseguindo a atriz por cerca de 20 anos, segundo relatos policiais.
A atriz Débora Falabella também viveu uma perseguição por mais de uma década até que a stalker fosse presa preventivamente em 2024.

Raquel Gallinati, Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil – Foto: Arquivo Pessoal
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