As famílias acreanas iniciaram 2026 mais endividadas do que no fim do ano passado. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada nesta semana pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que 81,2% das famílias do Acre possuem algum tipo de dívida, o maior índice registrado desde dezembro de 2025. As informações foram divulgadas pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC).
Ao todo, 107.519 famílias no Acre estão endividadas. Foto: Ilustração
Ao todo, 107.519 famílias no Acre estão endividadas. Deste total, 49.964 relataram contas em atraso e 15.392 afirmaram não ter condições de pagar os débitos em curto prazo, configurando situação de inadimplência. Os números colocam o Acre acima da média nacional e acendem um alerta para o início do ano.
No cenário brasileiro, o levantamento aponta que 14,5 milhões de famílias encerraram janeiro com dívidas, um aumento de 0,06% em relação ao mês anterior. Apesar de uma leve redução no número de contas em atraso no país, mais de 2,3 milhões de famílias declararam não ter condições de quitar seus compromissos financeiros.
No Acre, o avanço do endividamento está ligado, principalmente, aos gastos acumulados ao longo do último trimestre do ano, impulsionados por datas como Dia das Crianças, Black Friday e festas de fim de ano. O comprometimento médio da renda das famílias endividadas no estado chega a 31,78%, muito próximo do limite considerado crítico, que é de 33%.
Famílias com renda de até dez salários mínimos comprometem, em média, 32,1% da renda mensal, enquanto aquelas com rendimentos superiores a esse patamar destinam 28,7% ao pagamento de dívidas.
A tendência, segundo especialistas, é de agravamento nos próximos meses, com a chegada de despesas típicas do início do ano, como material escolar, IPTU e IPVA. O assessor da presidência da Fecomércio-AC, Egídio Garó, alerta para o uso excessivo do cartão de crédito, especialmente para despesas do dia a dia.
“Produtos como supermercado e farmácia são consumidos continuamente. Quando parcelados no cartão, acabam comprometendo a renda por vários meses. O ideal é quitar integralmente a fatura sempre que possível”, orienta.
