A Coordenação de Política de Classificação Indicativa da Secretaria Nacional dos Direitos Digitais (Sedigi) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) comunicou que o “Mais Você” agora será destinado ao público maior de 10 anos. Antes, o programa comandado por Ana Maria Braga era livre para todos.
A reportagem do portal LeoDias confirmou a informação com o órgão do governo que explicou o motivo da tomada de reclassificação. “Nos termos do Artigo 86 da Portaria nº 1.048, de 15 de outubro de 2025, a classificação indicativa de qualquer produto, aplicação de internet ou obra classificável prevista nos arts. 4º e 5º poderá ser revista, de ofício, a qualquer tempo, ou mediante solicitação fundamentada de pessoa natural ou jurídica, observados os procedimentos estabelecidos pela própria norma”, iniciou.
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“O §1º estabelece que a revisão mediante solicitação fundamentada somente ensejará reanálise caso sejam apresentados elementos novos ou inconsistências da análise anterior, sempre relacionados aos critérios definidos pela Portaria e pelo respectivo Guia Prático de Classificação Indicativa”, continuou.
O processo de revisão da classificação indicativa do programa “Mais Você” foi instaurado com fundamento no dispositivo citado acima, considerando, ainda, que o mesmo artigo dispõe que programas e reportagens estritamente jornalísticos não estão sujeitos à classificação indicativa, sendo vedada inclusive a exibição de selo durante a transmissão.
Contudo, o §4º do referido artigo determina que tal isenção não se aplica quando conteúdos jornalísticos são veiculados no contexto de programas de entretenimento, situação verificada no presente caso. A reclassificação aconteceu após o envio de denúncia por parte de um telespectador, contendo provas que justificaram a abertura do procedimento revisional.
A análise técnica apontou elevada densidade de conteúdos violentos, tanto no âmbito ficcional quanto jornalístico, incluindo assassinatos com arma de fogo, presença de sangue, exposição de cadáveres, agressões físicas reais e relatos de mortes intencionais, reforçados por imagens de impacto e áudios de tiroteios que intensificam a sensação de angústia para quem assiste.
Também foi identificada a presença de violência sexual, com relato detalhado de abuso, além de menções à sexualidade e ao prazer, incluindo termos de conotação sexual, isso quando a apresentadora recebe algum convidado ou menciona alguma cena de novela, por exemplo. A temática de drogas igualmente se fez presente, com imagens de entorpecentes e armas, bem como diálogos que associam o consumo ao risco de morte.
A nota técnica emitida pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi) concluiu que o programa ultrapassou os limites da categoria “Livre”, pois a combinação dos conteúdos sensíveis exibidos impacta diretamente na sua adequação ao público infantil. Embora exista intenção informativa e contextualização nas matérias jornalísticas, a exposição de imagens relacionadas à segurança pública e a repetição de situações envolvendo violência urbana foram consideradas potencialmente geradoras de medo ou angústia para crianças.
Ressalta-se que o programa apresenta tais conteúdos de forma contextualizada, com foco na informação e na denúncia social nos segmentos jornalísticos, sem recorrer à espetacularização da tragédia. No âmbito ficcional, as ocorrências violentas e o uso de sangue são atenuados pelo contexto artístico da dramaturgia das novelas citadas, ao passo que as questões sexuais e relatos de abuso são tratados de modo ponderado, com viés educativo e de conscientização.
Entretanto, a convergência entre morte real, exposição de cadáver, violência física explícita, relatos de abuso sexual e exibição recorrente de drogas e armas gera um impacto psicológico incompatível com o público infantil. A crueza das imagens de segurança pública e a reiteração da temática de letalidade urbana exigem maior restrição etária para resguardar crianças de conteúdos capazes de provocar pavor ou angústia acentuada.
“Nesse contexto, as reportagens exibidas passam a ser avaliadas como parte integrante do programa, submetendo-se aos mesmos critérios aplicáveis ao restante do conteúdo. Assim, imagens ou relatos jornalísticos apresentados dentro de um programa de variedades influenciam diretamente sua classificação final, em consonância com as diretrizes de proteção ao público previstas na regulamentação vigente. Diante disso, e considerando os critérios atualizados de análise de impacto previstos pela Portaria nº 1.048/2025, concluiu-se pela reclassificação do programa “Mais Você”, que passou a ser considerado “não recomendado para menores de 10 anos””, finalizou a nota.

