Não dá para separar o “homem” do agressor quando todos os dias morrem 4 mulheres por feminicídio

Por Portal Leo Dias 27/02/2026 Ă s 21:09

Atenção: a matĂ©ria a seguir traz relatos sensĂ­veis de agressĂŁo e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violĂȘncia contra a mulher e violĂȘncia domĂ©stica. Caso vocĂȘ seja vĂ­tima desse tipo de violĂȘncia, ou conheça alguĂ©m que passe ou jĂĄ tenha passado por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue 180.

No Brasil, 3,7 milhĂ”es de brasileiras sofreram algum tipo de violĂȘncia domĂ©stica ou familiar em 2025, segundo o DataSenado. Ao menos quatro mulheres sĂŁo vĂ­timas de feminicĂ­dio todos os dias. Dados como esses chocam, mas serĂĄ que geram indignação real? É preciso reeducar toda a sociedade para que o paĂ­s nĂŁo bata mais recordes de violĂȘncia de gĂȘnero.

Nesta semana, um caso ganhou apelo pĂșblico: o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) havia absolvido um homem de 35 anos acusado de estuprar uma criança de 12 anos. A mĂŁe da menor permitia a relação e recebia cestas bĂĄsicas do homem que abusava da filha. Ela tambĂ©m foi absolvida.

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Divulgação: SMDF
Campanha contra violĂȘncia Ă  mulherDivulgação: SMDF
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Prefeitura de SP investe em vĂĄrias açÔes para combater violĂȘncia contra as mulheresCrĂ©dito: Pexels
EpisĂłdios em destaque nos noticiĂĄrios expĂ”em diferentes camadas de violĂȘncia contra a mulher (Foto: Reprodução Ilustrativa / Montagem)
EpisĂłdios em destaque nos noticiĂĄrios expĂ”em diferentes camadas de violĂȘncia contra a mulher (Foto: Reprodução Ilustrativa / Montagem)
Créditos: Reprodução prefeitura.sp.gov.br | Reprodução Instagram @segurancaprefsp
Prefeitura de SP investe milhĂ”es para combater violĂȘncia contra mulheresCrĂ©ditos: Reprodução prefeitura.sp.gov.br | Reprodução Instagram @segurancaprefsp

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ApĂłs a mobilização nas redes sociais e protestos pĂșblicos, o desembargador Magid Nauef LĂĄuar voltou atrĂĄs na decisĂŁo e manteve a condenação de nove anos e quatro meses de prisĂŁo por estupro de vulnerĂĄvel. TambĂ©m foi descoberto que o prĂłprio magistrado possui trĂȘs denĂșncias de assĂ©dio sexual.

Os fatos escancaram algo que jå é mais do que notório: para ter justiça, a mulher precisa fazer barulho. Sem luta, a voz feminina não é ouvida, muito menos respeitada. Quando se trata de uma criança, os adultos que deveriam proteger e a Justiça, que deveria garantir seus direitos, preferem absolver o homem, sustentados por uma cultura que os protege de suas açÔes mais danosas.

No entanto, Ă© preciso mudar a perspectiva da sociedade para que cenĂĄrios como esses deixem de se repetir e meninas cresçam em um paĂ­s mais seguro. Quando um homem famoso, como um cantor internacional com diversos casos de agressĂŁo contra mulheres, ainda mantĂ©m apelo pĂșblico sob o argumento de que â€œĂ© um bom artista”, confirma-se a lĂłgica da impunidade.

Quando uma figura marcante de um reality show possui acusaçÔes de estupro — sendo condenado em uma, absolvido em outra e investigado em uma terceira e ainda assim mantĂ©m milhares de seguidores e defensores nas redes sociais, reforça-se a ideia de que o crime Ă© relativizado, enquanto a violĂȘncia sofrida pela vĂ­tima continua sendo perpetuada.

É preciso que haja cobrança por parte da população e repĂșdio a todos os casos que passam impunes, fortalecendo a rede de machismo que mata mulheres todos os dias. O discurso “ele fez, mas Ă© um ‘bom funcionĂĄrio’, ‘artista’, ‘gente boa’” nĂŁo pode mais ser tolerado. NĂŁo dĂĄ mais para separar o “homem” do agressor, pois eles sĂŁo um sĂł.

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