Em ofĂcio encaminhado nesta segunda-feira (23) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu o encerramento de investigaçÔes de âduração indefinidaâ, em especial o chamado âinquĂ©rito das fake newsâ.

O documento Ă© assinado pelo presidente, Beto Simonetti, e demais integrantes do Conselho Federal da OAB, bem como pelos presidentes das 27 secçÔes estaduais e distrital da entidade. O texto expressa âextrema preocupação institucional com a permanĂȘncia e conformação jurĂdica de investigaçÔes de longa duração, em especial do InquĂ©rito n.Âș 4.781 [fake news]â.
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O texto pede âque sejam adotadas providĂȘncias voltadas Ă conclusĂŁo dos chamados inquĂ©ritos de natureza perpĂ©tua, em especial daqueles que, por sucessivos alargamentos de escopo e prolongamento temporal, deixam de ostentar delimitação material e temporal suficientemente precisaâ.
O inquĂ©rito das fake news foi aberto em 2019 por ordem do entĂŁo presidente do Supremo, Dias Toffoli, de ofĂcio, isto Ă©, sem provocação externa, seja do MinistĂ©rio PĂșblico ou de qualquer outra instituição ou pessoa. O ministro Alexandre de Moraes foi entĂŁo escolhido como relator, sem sorteio ou distribuição regular.
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Na ocasiĂŁo, a medida, considerada incomum, em especial devido Ă maneira como foi definida a relatoria, foi justificada como sendo necessĂĄria para apurar ameaças e ataques virtuais que tinham os ministros do Supremo como alvo. Ao longo dos anos, contudo, foram abertas dezenas de linhas de investigação contra centenas de pessoas, com inĂșmeras prorrogaçÔes do prazo para o encerramento do processo.
No ofĂcio, a OAB reconhece que o inquĂ©rito ânasceu em contexto excepcionalâ, e que por isso seus procedimentos heterodoxos acabaram sendo validados pelas instituiçÔes em “circunstĂąncias extraordinĂĄriasâ, mas que por esse mesmo motivo a apuração deve ser conduzida âcom estrita observĂąncia da excepcionalidade que lhe deu origemâ.
âO InquĂ©rito n.Âș 4.781, instaurado em março de 2019, aproxima-se de sete anos de tramitação, o que, por si sĂł, recomenda exame cuidadoso sob a Ăłtica da duração razoĂĄvel dos procedimentos e da necessĂĄria delimitação de seu objetoâ, observa o texto.
A OAB apresenta ainda como justificativa para o pedido de encerramento do processo os ârelatos recentes sobre a inclusĂŁo, no Ăąmbito do mesmo procedimento, de pessoas e fatos que, embora possam merecer apuração rigorosa por canais prĂłprios, nĂŁo se apresentam de forma imediatamente aderente ao nĂșcleo originĂĄrio que justificou a instauração do inquĂ©ritoâ.
O texto faz referĂȘncia indireta Ă operação deflagrada neste mĂȘs pela PolĂcia Federal (PF), por ordem de Moraes, no Ăąmbito desse inquĂ©rito, contra quatro servidores da Receita Federal que foram apontados como suspeitos de vazar informaçÔes fiscais sigilosas de ministros do Supremo e seus familiares. Em decisĂŁo sigilosa, foram determinadas medidas como uso de tornozeleira eletrĂŽnica e afastamento das funçÔes.
O ofĂcio menciona ainda o âtom intimidatĂłrioâ que, ao ver da OAB, Ă© alimentado pela persistĂȘncia de um quadro de pouca clareza quanto ao objeto e Ă duração de inquĂ©ritos como o das fake news, algo que seria âincompatĂvel com o espĂrito democrĂĄtico, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988â.
A ordem cita ainda ser indispensĂĄvel proteger o livre exercĂcio profissional de jornalistas e advogados, conforme proteção conferidas pela Constituição a esses profissionais.
âA advocacia nĂŁo pode atuar sob ambiente de incerteza quanto aos limites da atuação investigativa estatal, sobretudo em temas que envolvam sigilo profissional, acesso a dados e preservação da confidencialidade da relação entre defensor e constituinteâ, afirma o documento.
Ao final, a OAB solicita que seja marcada uma audiĂȘncia com Fachin para que tais preocupaçÔes sejam expostas em pessoa pelos representantes da ordem.

