OAB cita “natureza perpĂ©tua” e pede fim de inquĂ©rito das fake news

Por AgĂȘncia Brasil 23/02/2026


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Em ofĂ­cio encaminhado nesta segunda-feira (23) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu o encerramento de investigaçÔes de “duração indefinida”, em especial o chamado “inquĂ©rito das fake news”.ebcebc

O documento Ă© assinado pelo presidente, Beto Simonetti, e demais integrantes do Conselho Federal da OAB, bem como pelos presidentes das 27 secçÔes estaduais e distrital da entidade. O texto expressa “extrema preocupação institucional com a permanĂȘncia e conformação jurĂ­dica de investigaçÔes de longa duração, em especial do InquĂ©rito n.Âș 4.781 [fake news]”.

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O texto pede “que sejam adotadas providĂȘncias voltadas Ă  conclusĂŁo dos chamados inquĂ©ritos de natureza perpĂ©tua, em especial daqueles que, por sucessivos alargamentos de escopo e prolongamento temporal, deixam de ostentar delimitação material e temporal suficientemente precisa”.

O inquĂ©rito das fake news foi aberto em 2019 por ordem do entĂŁo presidente do Supremo, Dias Toffoli, de ofĂ­cio, isto Ă©, sem provocação externa, seja do MinistĂ©rio PĂșblico ou de qualquer outra instituição ou pessoa. O ministro Alexandre de Moraes foi entĂŁo escolhido como relator, sem sorteio ou distribuição regular.

 


BrasĂ­lia (DF), 05/10/2023 - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, durante o seminĂĄrio 35 anos da Constituição Federal, no STF. Foto: Marcelo Camargo/AgĂȘncia Brasil

BrasĂ­lia (DF), 05/10/2023 – O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti,.e demais integrantes do Conselho Federal da OAB assinaram o ofĂ­cio enviado ao STF. Foto-arquivo: Marcelo Camargo/AgĂȘncia Brasil – Marcelo Camargo/AgĂȘncia Brasil

Na ocasiĂŁo, a medida, considerada incomum, em especial devido Ă  maneira como foi definida a relatoria, foi justificada como sendo necessĂĄria para apurar ameaças e ataques virtuais que tinham os ministros do Supremo como alvo. Ao longo dos anos, contudo, foram abertas dezenas de linhas de investigação contra centenas de pessoas, com inĂșmeras prorrogaçÔes do prazo para o encerramento do processo.

No ofĂ­cio, a OAB reconhece que o inquĂ©rito “nasceu em contexto excepcional”, e que por isso seus procedimentos heterodoxos acabaram sendo validados pelas instituiçÔes em “circunstĂąncias extraordinĂĄrias”, mas que por esse mesmo motivo a apuração deve ser conduzida “com estrita observĂąncia da excepcionalidade que lhe deu origem”.

“O InquĂ©rito n.Âș 4.781, instaurado em março de 2019, aproxima-se de sete anos de tramitação, o que, por si sĂł, recomenda exame cuidadoso sob a Ăłtica da duração razoĂĄvel dos procedimentos e da necessĂĄria delimitação de seu objeto”, observa o texto.

A OAB apresenta ainda como justificativa para o pedido de encerramento do processo os “relatos recentes sobre a inclusĂŁo, no Ăąmbito do mesmo procedimento, de pessoas e fatos que, embora possam merecer apuração rigorosa por canais prĂłprios, nĂŁo se apresentam de forma imediatamente aderente ao nĂșcleo originĂĄrio que justificou a instauração do inquĂ©rito”.

O texto faz referĂȘncia indireta Ă  operação deflagrada neste mĂȘs pela PolĂ­cia Federal (PF), por ordem de Moraes, no Ăąmbito desse inquĂ©rito, contra quatro servidores da Receita Federal que foram apontados como suspeitos de vazar informaçÔes fiscais sigilosas de ministros do Supremo e seus familiares. Em decisĂŁo sigilosa, foram determinadas medidas como uso de tornozeleira eletrĂŽnica e afastamento das funçÔes.

O ofĂ­cio menciona ainda o “tom intimidatĂłrio” que, ao ver da OAB, Ă© alimentado pela persistĂȘncia de um quadro de pouca clareza quanto ao objeto e Ă  duração de inquĂ©ritos como o das fake news, algo que seria “incompatĂ­vel com o espĂ­rito democrĂĄtico, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988”.

A ordem cita ainda ser indispensåvel proteger o livre exercício profissional de jornalistas e advogados, conforme proteção conferidas pela Constituição a esses profissionais.

“A advocacia não pode atuar sob ambiente de incerteza quanto aos limites da atuação investigativa estatal, sobretudo em temas que envolvam sigilo profissional, acesso a dados e preservação da confidencialidade da relação entre defensor e constituinte”, afirma o documento.

Ao final, a OAB solicita que seja marcada uma audiĂȘncia com Fachin para que tais preocupaçÔes sejam expostas em pessoa pelos representantes da ordem.

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