Virginia Fonseca estreou na terça-feira (17) no posto de destaque da Grande Rio, sorridente, segura, sem responder às provocações que vêm se acumulando desde o anúncio do nome dela. Na quarta-feira (18), a internet amanheceu tomada por críticas. Algumas legítimas. Outras claramente movidas por algo que vai além do samba. E é aí que mora a questão.
O episódio do costeiro virou munição. Virgínia retirou parte da fantasia durante o desfile — e muita gente correu para afirmar que ali estava a prova do “erro”, da “falta de preparo”, da “desorganização”. Mas o que poucos fizeram questão de destacar é que a retirada já havia sido previamente combinada com a escola. Antes mesmo de entrar na avenida, ela explicou em entrevista que usaria o adereço até passar pelos jurados e, depois, retiraria a peça. Não houve improviso, desrespeito ou quebra de regra. Ainda assim, a bateria perdeu pontos e rapidamente surgiu a tentativa de colocar essa conta nas costas dela.
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Vale esclarecer o básico: rainha de bateria não é quesito. A avaliação da bateria envolve critérios técnicos como ritmo, afinação, andamento e conjunto. A rainha pode influenciar energia e presença, mas não existe uma penalização individual aplicada a ela. Se a bateria perdeu pontos, isso não tem relação direta com a escolha da rainha. Transformar esse episódio em culpa pessoal é, no mínimo, simplificar demais o Carnaval. E, no máximo, procurar um culpado conveniente.
A discussão sobre jogos de azar — que já foi feita, refeita e debatida à exaustão — também voltou à tona. Virgínia já divulgou? Sim. Hoje, não divulga mais. Ela só faz aposta esportiva, não faz mais outras vertentes dentro das plataformas. Assim como dezenas de artistas, atletas e influenciadores. Ponto. Então o que exatamente as pessoas esperam? Que ela peça desculpas eternas? Que desapareça? Que nunca mais ocupe um espaço de destaque?
Porque a sensação é essa: não importa o que ela faça, a condenação continua. Virginia trabalha, gera emprego, movimenta mercado, cuida dos filhos, mantém relacionamento. Apesar de tudo que ouve e lê, ela não vive de atacar colegas. Não responde com ódio. Não fomenta rivalidade feminina. Não distribui indiretas. E ainda assim parece existir um desejo coletivo de vê-la errar.
Não é sobre samba. É sobre incômodo. Existe algo desconfortável para muita gente quando uma mulher jovem, rica, influente e bem-sucedida ocupa um espaço tradicional como o Carnaval sem pedir licença. O posto de rainha de bateria carrega simbologia, história, disputa. E quando alguém que já é enorme fora dali entra nesse território, o julgamento vem dobrado.
Mas qual é o critério real? Técnica? Tradição? Ou antipatia seletiva? Crítica faz parte. Questionamento também. O que chama atenção é o volume da torcida contra. É a energia de arquibancada esperando a queda.
Talvez a pergunta não seja “ela merece?”. Talvez seja: por que tanta gente precisa que ela não mereça? Virginia não é perfeita. Nenhuma mulher é. Mas a expectativa de perfeição absoluta aplicada só a algumas figuras públicas diz mais sobre quem cobra do que sobre quem desfila. No fim das contas, o Carnaval passou. A apuração aconteceu. O combinado foi cumprido. Ela não tropeçou. E a internet continuou tentando empurrar. E isso, sinceramente, diz muito mais sobre quem assiste do que sobre quem desfila.

