Em entrevista exclusiva à jornalista Patrícia Calderón, realizada nesta quarta-feira (4/02), Ulisses Gabriel, delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, detalhou os desdobramentos da investigação do Caso Orelha que resultaram no indiciamento de três adultos por coação do curso do processo. Entre eles estão o pai e o tio do adolescente identificado como M., além do pai do adolescente identificado como I.
Segundo a Polícia Civil, as investigações deixaram claro que se tratam de situações distintas envolvendo dois cães diferentes, ocorridas em locais e momentos separados, com grupos distintos de pessoas. No caso do cão Orelha, a autoria foi atribuída exclusivamente a M., enquanto os episódios relacionados ao cão Caramelo envolveram outros adolescentes e seguem em procedimento próprio.
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No avanço da apuração, a polícia identificou três grupos diferentes de adolescentes em cenas distintas registradas por câmeras. Um grupo esteve envolvido em uma ocorrência na portaria do condomínio, outro apareceu em imagens na praia, e um terceiro foi flagrado em um momento separado, sem ligação direta entre todos eles. As imagens permitiram excluir a participação de alguns adolescentes em determinados episódios e delimitar responsabilidades.
Durante a investigação, familiares de M. e de I. passaram a ser analisados por possíveis tentativas de interferência. A Polícia Civil concluiu que houve ações que configuram coação do curso do processo, como tentativas de influenciar testemunhas e ocultar elementos relevantes para a apuração.
Um dos pontos centrais foi a atuação de familiares no aeroporto, no momento em que M. retornou de viagem ao exterior. Na ocasião, a mãe tentou esconder peças de roupa que depois se confirmaram como as mesmas usadas pelo adolescente nas imagens relacionadas ao crime. O boné, o moletom e o celular foram recolhidos e integraram o conjunto de provas.
A polícia também apurou que M. agiu sozinho na agressão ao cão Orelha, acompanhado apenas de uma jovem, ouvida como testemunha. O adolescente I. não foi colocado na cena do crime relacionada à morte do animal, embora familiares dele também tenham sido indiciados por atos posteriores ligados à tentativa de interferência na investigação.
Com base nesses elementos, a Polícia Civil formalizou o indiciamento do pai e do tio de M., assim como do pai de I., por coação do curso do processo. As apurações seguem em andamento, com a expectativa de que a análise dos dados extraídos dos celulares apreendidos traga novos esclarecimentos e reforce as conclusões já alcançadas.

