O conflito entre Paquistão e Afeganistão ganhou um novo e perigoso capítulo nesta quinta-feira (26), com troca de ataques e bombardeios entre os dois países. A escalada levou o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, a declarar “guerra aberta” contra o Talibã, que governa o território afegão desde 2021.
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A Força Aérea do Paquistão realizou bombardeios em Cabul e Kandahar, em resposta a ataques registrados na fronteira. Em tom duro, Asif afirmou que a paciência do país chegou ao limite e indicou que não haverá recuo imediato.
Mortes e versões conflitantes
Os confrontos já deixaram quase 300 mortos, segundo informações divulgadas pelos dois lados, embora os números sejam divergentes. O porta-voz militar paquistanês, Ahmed Sharif Chaudhry, afirmou que 274 combatentes do Talibã foram mortos e 22 alvos militares destruídos, além de 12 soldados paquistaneses mortos.
Por outro lado, o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, declarou que 55 soldados paquistaneses morreram e 19 postos militares foram tomados. Segundo ele, o Afeganistão também registrou baixas, com mortos, feridos e civis atingidos, especialmente na província de Nangarhar.
O Paquistão acusa o Talibã afegão de abrigar o TTP e responde com artilharia, drones e strikes aéreos. pic.twitter.com/974DE07SsG
— Geovane Alves (@alvesjeovane730) February 27, 2026
Motivações do conflito
O governo paquistanês afirma que os ataques são uma resposta direta à presença de grupos armados que atuam a partir do território afegão, especialmente o Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP). A organização é acusada de realizar atentados no Paquistão com base em regiões próximas à fronteira.
Cabul nega dar abrigo a essas facções, mas admite ter respondido militarmente após os bombardeios paquistaneses. Apesar da retaliação, autoridades afegãs sinalizaram interesse em resolver a crise por meio do diálogo.
Reação política e demonstração de força
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou que o país tem capacidade total para responder a qualquer ameaça e afirmou que a população apoia as Forças Armadas.
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Já o ministro do Interior, Mohsin Naqvi, classificou os ataques como uma “resposta apropriada”. Autoridades paquistanesas também divulgaram imagens de explosões, artilharia pesada e estruturas em chamas, incluindo supostos alvos estratégicos do Talibã.
Pressão internacional por diálogo
Diante da escalada, a comunidade internacional passou a pressionar por uma solução diplomática. A Rússia, que mantém relações com o governo talibã, pediu negociações imediatas. Países como China, Turquia e Arábia Saudita também tentam mediar o conflito.

O Irã, que faz fronteira com ambos, ofereceu ajuda nas negociações. Já o alto comissário de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, Volker Türk, pediu que as partes abandonem o uso da força.
Histórico de tensões e risco regional
Embora tenham mantido relações relativamente estáveis no passado, os dois países enfrentam confrontos frequentes desde que o Talibã retomou o poder em Cabul, em 2021. A região de Waziristão, na fronteira, é considerada um dos principais focos de instabilidade, com atuação de grupos armados.
O cenário preocupa a comunidade internacional principalmente pelo fato de o Paquistão possuir arsenal nuclear, o que eleva o risco de uma crise regional de maiores proporções.
Tentativas anteriores de cessar-fogo, mediadas por países como Qatar e Turquia, não conseguiram estabelecer uma paz duradoura. Com a nova escalada, cresce o temor de que o conflito entre em uma fase ainda mais intensa e prolongada.
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