Dias depois da conquista da Supercopa do Brasil diante do Flamengo, o técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva, nesta quarta-feira (4/2). Mesmo com o troféu recente, o treinador destacou a necessidade de atenção contínua ao desempenho da equipe ao longo da temporada.
“Se nós não estivermos atentos, não focarmos na melhora do nosso grupo, você vai correr risco, pois é um campeonato (Brasileirão) complicado e perigoso. O próprio Paulistão é assim. Não podemos achar que tudo está resolvido. Não podemos achar que 2026 será melhor do que 2025”, afirmou.
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Monitoramento e evolução constante
Dorival ressaltou que o futebol exige acompanhamento permanente e ajustes frequentes, independentemente de resultados recentes.
“Futebol é dinâmico e precisa ser monitorado para que não perca os seus caminhos. Temos obrigações de estarmos ligados e querendo melhorar a todo momento, buscando tudo o que possa ser feito em torno do CT. Vamos insistir e mostrar as carências que temos, para futuramente termos um grupo mais forte para brigar por algo maior e melhor”, completou.
Montagem do elenco e críticas externas
O treinador também abordou o processo de formação do elenco e o impacto das críticas direcionadas ao clube ao longo da temporada passada.
“Era uma situação que vinha incomodando todos nós. Toda semana a primeira notícia era relacionado ao Corinthians de forma negativa ou pejorativa. Vinha incomodando todos nós. Começamos alterar o padrão de comportamento. Sempre preciso passar ao torcedor o que seja o correto e de maneira mais clara possível. Estamos em um processo de montagem do nosso elenco. Não está completo”, disse.
Na sequência, Dorival voltou a falar sobre a necessidade de ampliar as opções do grupo principa: “Precisamos ter mais atletas, qualificarmos o nosso grupo. Quando você tem uma boa equipe, você briga por taças. Quando você tem um grande elenco, você consegue poder brigar por algo maior. É um momento que o Corinthians tem que se definir. Ou daremos um passo um pouco melhor, ou manteremos ese trabalho.”
Base como alternativa e complemento
A utilização de jogadores das categorias de base também foi mencionada como parte do planejamento atual do clube.
“Não é simples compor um elenco. Temos 13 jogadores da categoria de base. Gosto de desenvolver. Tenho paciência com essa situação. Nos deram uma boa resposta. Valorizar esses jovens, mas é bom ter mais elementos para melhor capacidade da nossa equipe”, concluiu.
Exigência do Paulistão e calendário
Dorival comentou ainda sobre a sequência intensa de jogos e as dificuldades impostas pelo calendário nacional: “Calendário difícil para todos, não é confortável. Tivemos depois do jogo da Ponte, que foi difícil, mais clássicos: Bragantino, Santos e São Paulo e agora Palmeiras. Um campeonato que está exigindo muito das equipes. Está sendo difícil para administrar, com o Brasileirão em andamento. Estamos aprendendo a conviver essa nova situação. Precisamos de um elenco mais preenchido para podermos competir de igualdade com as demais equipes. Precisamos ter uma decisão daqui para frente. Vamos continuar o trabalho independente do que aconteça, com todos que aqui estão, buscando qualificar a capacidade de cada um para ganhar coletivamente.”
Trajetória profissional
O treinador também falou sobre sua carreira no futebol e o caminho percorrido até chegar à função atual: “Eu nunca planejei muito a minha vida. Ouço falar muito de planejamento e desenvolvimento de carreira. Eu sempre deixei que as coisas acontecessem. Estudei, me preparei. Apanhamos muito no dia a dia na nossa formação. Nunca tivemos um curso específico para determinada função. Você sendo um professor estaria apto para ser treinador. Eu nem sabia se seria um atleta profissional. Eu tentei me preparar muito e fui fazer educação física, que era um curso que me abriria portas.”
Na sequência, Dorival relembrou momentos marcantes da trajetória e o reconhecimento recebido no futebol: “Se não fosse atleta, poderia estar no meio de uma comissão técnica. Minha carreira foi levada para esse lado de atleta. Depois de 19 anos, tive a oportunidade de ser treinador. Um anos antes fui executivo. Eu sempre prestei atenção nas reações dos meus treinadores, melhorava alguns treinamentos na minha visão. Tive minha estreia em um clube da Série A, que era o Figueirense. Dirigi muitos clubes brasileiros e foi uma satisfação enorme. O reconhecimento dos atletas. Jogadores do Flamengo indo me cumprimentar. Lancei o Filipe Luís e hoje é treinador. Esse reconhecimento é maior do que uma simples conquista. Acabou o jogo e eu já estava pensando na próxima semana. A vida não é simples. O título foi um alívio momentâneo.”
Mercado e processo interno
Além disso, Dorival detalhou o método adotado pelo Corinthians para contratações e análise de atletas: “Estamos usando muita criatividade, pois não temos uma condição favorável para fazer investimentos como outras equipes. Procuramos filtrar o máximo possével as informações dos atletas. Temos uma equipe especializada nisso. Os nomes passam por diversos setores até chegar na frente para finalizar o processo. Analisamos os mais viáveis. Após uma reunião final, chegamos em um determinado nome. Todo nomes passa por várias pessoas para errar o mínimo possível. Jogador não tem certificado de garantia, mas é um fato que temos que errar o mínimo possível.”
Análise tática da final
Por fim, o treinador também comentou as escolhas estratégicas feitas na decisão contra o Flamengo: “Jogo muito interessante não só por parte do Corinthians, mas para o Flamengo. Teve muita alternância tática. Tínhamos que antecipar o que o Filipe pensava. Tivemos varições interessantes. Fizemos uma marcação individualizada, correndo o risco. Deixamos três jogadores contra três atacantes do Flamengo, que são excelentes. Nossa equipe estava determinada e sabendo do que poderia acontecer. Um erro provocava uma correção. O primeiro tempo foi em cima disso. Finalizando com aquela jogada exaustivamente ensaiada e pensada para que a gente pudesse chegar a esse resultado. Foram várias situações. Temos uma equipe que levanta todos os dados possíveis. Temos mudado nossa forma de jogar constantemente e dos jogadores também. Raniele fez múltiplas funções. Precisamos apresentar tudo o que tem no nosso alcance para faciltiar para os atletas, pois eles que resolvem os jogos.”

