O PSDB do Acre entrou numa encruzilhada política daquelas que parecem estratégicas no curto prazo, mas costumam ter custo alto quando a fatura chega.
A direção tucana abriu conversas e passou a avaliar dois caminhos fora da base governista, apoiar a eventual candidatura do senador Alan Rick ao governo ou apostar no prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. No caso do prefeito, inclusive, já houve convite para que ele se filie ao partido caso deixe o PL.
O movimento, porém, tem um efeito colateral imediato e bastante concreto. Se o PSDB romper com a base da vice-governadora Mailza Assis, que é a candidatura natural do Palácio Rio Branco, a legenda tende a perder espaço dentro da estrutura do governo.
Hoje, os tucanos ocupam posições estratégicas e simbólicas. Minoru Kinpara está na presidência da Fundação Elias Mansour, e André Hassem comanda o Instituto de Meio Ambiente do Acre. Ambos são quadros ligados ao partido e dependem diretamente do alinhamento político para permanecer nos cargos.
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É justamente aí que mora o dilema. Ao flertar com candidaturas de oposição, o PSDB sinaliza independência e tenta recuperar protagonismo eleitoral, algo que a sigla busca há anos no estado. Mas, ao mesmo tempo, coloca em risco a presença administrativa que ainda mantém no governo.
Nos cálculos de alguns tucanos, o ganho político futuro poderia compensar a perda imediata de espaço. Em outros setores do próprio partido, a avaliação é mais cautelosa, há quem veja a movimentação como um salto arriscado, sem garantia real de retorno.
No fundo, a pergunta que começa a circular entre aliados e adversários é simples, mas decisiva: trocar poder agora por uma aposta eleitoral incerta em 2026 é uma estratégia ousada ou apenas um problema que o PSDB pode acabar lamentando mais adiante.

