Por conta do aumento de casos de doenças respiratórias e infecciosas no país, a pneumologista Célia Rocha fez um alerta direto à população adulta: manter a carteira de vacinação atualizada pode ser decisivo entre um quadro leve e uma internação grave. Segundo a especialista, muitos brasileiros entre 20 e 49 anos negligenciam a imunização, acreditando que vacina é necessária apenas na infância.
“Adulto acha que vacina é coisa de criança, mas não é, não. É coisa séria. Quem não se vacina pode pagar um preço muito alto e, lá na frente, estar hospitalizado, entubado e com sequelas graves”, afirma a médica. Ainda segundo ela, quatro vacinas são consideradas fundamentais em 2026: Influenza, DTPa (difteria, tétano e coqueluche), dengue e tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba).
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A vacina contra a gripe precisa ser renovada todos os anos, pois o vírus sofre mutações. “A Influenza 2026 já está atualizada. As características não são mais as mesmas de anos anteriores. Temos cepas como Influenza A, Influenza B e variantes como H1N1. A vacinação é fundamental”, explica. Ela ressalta que pessoas com comorbidades – como asma, bronquite, enfisema, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, diabetes e doenças imunossupressoras – correm riscos ainda maiores de complicações.
Pneumologista Célia Rocha. Foto: Reprodução
Outro ponto de atenção é a vacina DTPa. Segundo a pneumologista, há um aumento silencioso da incidência de coqueluche no Brasil.“O que era realidade há dez anos não é mais. As coisas mudaram. Precisamos nos proteger”, destaca.
Dengue deixou de ser sazonal
A médica também chama atenção para a vacina contra a dengue, que passou a ter maior relevância diante do avanço da doença em diferentes estados. “A dengue deixou de ser algo pontual e se tornou epidêmica em vários períodos do ano. A epidemiologia mudou”, afirma.
Já a tríplice viral protege contra sarampo, rubéola e caxumba. Célia Rocha alerta que o sarampo em adultos pode evoluir com complicações severas. “O sarampo não é brincadeira. Pode causar pneumonias graves, internação, necessidade de entubação e até morte”, enfatiza.
Mudanças pós-Covid
A pneumologista também observa que, após a pandemia de Covid-19, muitos pacientes passaram a apresentar agravamento de doenças respiratórias e metabólicas. “Pessoas que nunca tiveram problema respiratório passaram a ter. Outras que já tinham asma ou bronquite tiveram piora. A repercussão foi geral”, pontua.
Além da vacinação, ela reforça a importância de hábitos saudáveis, como evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool, manter alimentação equilibrada e boa hidratação.“Vacinação, educação, disciplina e respeito. Precisamos nos proteger e proteger quem está ao nosso redor”, conclui.

