A produção de mel no Acre alcançou 12 toneladas em 2025, marcando o maior volume recente já registrado no estado e consolidando a atividade como uma das cadeias produtivas sustentáveis que mais avançaram nos últimos anos. O resultado consta em diagnóstico técnico apresentado na Nota Técnica da Cadeia Produtiva do Mel, elaborada pela Unidade de Coordenação do Programa REM Acre (UCP-REM) em conjunto com a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri).
Méis produzidos por produtores locais fortalecem a cadeia produtiva do mel no Acre. Foto: Diego Gurgel/Secom
O levantamento integra as ações do Programa REM Acre – Fase 2 e aponta crescimento contínuo da atividade, que alia geração de renda, inclusão social e conservação da floresta. Em 2024, a produção havia sido de 9 toneladas — ou seja, houve aumento significativo no intervalo de um ano.
A cadeia do mel está entre as frentes produtivas apoiadas pelo programa por sua compatibilidade com a floresta em pé. A apicultura e a meliponicultura, além de garantirem retorno econômico para produtores rurais, contribuem para a polinização de espécies nativas e para a manutenção da biodiversidade amazônica.
O diagnóstico avaliou 141 beneficiários distribuídos em 13 municípios, todos vinculados ao REM Acre. No total, a cadeia já soma 436 produtores cadastrados nos territórios do Alto e Baixo Acre, Juruá e Tarauacá-Envira — número que ultrapassa a meta inicialmente prevista pelo programa.
Os dados mostram que a criação de abelhas com ferrão segue como principal sistema produtivo, responsável pelos maiores volumes. Já a meliponicultura — criação de abelhas nativas sem ferrão — vem sendo estimulada como atividade complementar, com forte valor ambiental e potencial de agregação de renda. O estudo também identifica aumento gradual da participação de mulheres na atividade.
Entre os municípios, Senador Guiomard lidera a produção, com 3.850,20 quilos de mel em 2025. Na sequência aparecem Rio Branco, com 3.685,70 kg, e Bujari, com 3.292,20 kg. Juntos, os três concentram a maior parte do volume estadual. Também apresentam desempenho relevante Xapuri e Plácido de Castro. Outros municípios — como Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Mâncio Lima, Brasileia, Sena Madureira, Assis Brasil, Porto Acre, Tarauacá e Porto Walter — contribuem de forma complementar para o total produzido.
O avanço é atribuído a investimentos públicos em assistência técnica, capacitação e estruturação da produção. Até junho de 2025, mais de R$ 560 mil foram aplicados na cadeia do mel, viabilizando compra de equipamentos, insumos e implantação de unidades de beneficiamento.
Entre os itens distribuídos estão caixas para meliponários, kits de manejo, centrífugas e equipamentos de extração, além de treinamentos sobre boas práticas de manejo e beneficiamento. Mais de 180 produtores participaram de capacitações técnicas voltadas à melhoria da qualidade do produto e à gestão de cooperativas e associações.
A coordenação do Programa REM Acre avalia que o diagnóstico confirma o impacto direto do apoio técnico e estrutural no aumento da produção e na organização do setor, com crescimento em volume, qualidade e capacidade de comercialização.
Outro eixo considerado estratégico é a implantação das Casas do Mel — estruturas coletivas que garantem padronização e segurança sanitária. Atualmente há uma unidade em funcionamento em Senador Guiomard, com novas casas previstas para Bujari e Xapuri. Esses espaços ampliam as condições de beneficiamento e agregação de valor.
Também contribui para a inserção em mercados diferenciados o Selo D’Colônia, criado pelo governo estadual para identificar produtos artesanais com identidade sanitária e cultural, aumentando a confiança do consumidor.
Além do impacto econômico, a cadeia é tratada como instrumento socioambiental, por incentivar produção de baixo impacto e manter a floresta preservada. O mel acreano vem ganhando visibilidade em feiras e eventos, como as edições recentes da Expoacre, e em agendas nacionais e internacionais ligadas à bioeconomia.
O potencial também aparece em histórias individuais de destaque, como a de produtores locais premiados em concursos nacionais de méis de abelhas nativas — sinal de que, além de crescer em quantidade, a produção do Acre também avança em qualidade.
Com informações da Agência de Notícias
