O início do semestre letivo no Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho (RO), foi marcado por um episódio de extrema violência que interrompeu a trajetória da professora Juliana Santiago. Antes de ser atingida por golpes de faca dentro da instituição, a docente havia organizado uma atividade de acolhimento para os alunos do curso de Direito.

João autor do crime e Juliana/ Foto: Reprodução
Na primeira aula do 5º período, Juliana promoveu uma dinâmica de integração com distribuição de chocolates e mensagens de incentivo aos estudantes. O autor do crime, identificado como um de seus próprios alunos, participou normalmente da aula e esteve envolvido na atividade pedagógica momentos antes do ataque.
Segundo relatos, a professora enviou previamente um e-mail à turma saudando os alunos pelo retorno às aulas e propondo um desafio lúdico sobre conhecimentos jurídicos. O conteúdo da disciplina naquele dia abordava o sistema prisional brasileiro e temas ligados ao Direito Processual Penal.
Durante a atividade em sala, alunos que se destacaram no teste receberam chocolates acompanhados de pequenos cartões com mensagens de apoio emocional e referências religiosas, incluindo um versículo que mencionava a superação de dificuldades por meio da fé. Uma aluna chegou a registrar o gesto e compartilhar nas redes sociais pouco antes da tragédia.
Testemunhas relataram que o comportamento do agressor não chamou atenção durante a aula. João Cândido da Costa Junior, de 24 anos, apontado como autor do homicídio, foi um dos alunos premiados na dinâmica e teria demonstrado proximidade com a professora ao receber o chocolate, chegando a abraçá-la.
Marisson Dourado, aluno da turma, comentou o clima vivido em sala antes do crime.
“Ela estava totalmente motivada para fazer uma aula diferente, sempre alimentando a gente também com a fé”, afirmou em entrevista ao G1.
A atuação de Juliana Santiago era reconhecida entre os estudantes pela forma humanizada de conduzir as aulas e pelo esforço em tornar conteúdos complexos mais acessíveis. O contraste entre o ambiente de acolhimento criado no início do semestre e o desfecho violento causou forte comoção na comunidade acadêmica.
As autoridades seguem investigando a motivação do crime, ocorrido logo após um momento de interação pacífica entre professora e alunos.
Durante audiência de custódia realizada em regime de plantão no último sábado (7), a Justiça determinou a conversão da prisão em flagrante do investigado em prisão preventiva. Juliana Santiago, além de professora universitária, também exercia a função de escrivã de polícia. O suspeito permanece à disposição do Judiciário.
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